Leia o soneto a seguir, de autoria fictícia, escrito para esta questão. Cidade exemplar Na praça, a fila…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o soneto a seguir, de autoria fictícia, escrito para esta questão. Cidade exemplar Na praça, a fila cresce em harmonia, Enquanto o ônibus passa, pontual; O lixo perfuma a fresca manhã fria, E o sino anuncia o caos municipal. Nas ruas, cada buraco é uma poesia, Que ensina ao cidadão o salto ideal; No posto, a espera traz sabedoria, Pois torna o paciente quase imortal. O prefeito, sorrindo, inaugura A ponte que termina junto ao chão; E a placa promete eterna ventura A quem pagar, contente, a contribuição. Que inveja tenho desta formosura: Tão perfeita em discurso e tão real na omissão! Considerando a oposição entre os elogios expressos no soneto e as situações concretas descritas, o tom predominante do texto é de
- A) ira
- B) ingenuidade
- C) perplexidade
- D) apatia
- E) ironia
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o recurso central do soneto. Os versos elogiam a cidade (a fila em harmonia, o ônibus pontual, a ponte, a ventura eterna, a formosura), mas as situações descritas mostram o oposto: lixo, buracos, caos municipal, espera no posto, ponte que termina junto ao chão, cobrança de contribuição sem contrapartida.
- Perceba a contradição entre o que se diz e o que se mostra. O texto afirma 'Que inveja tenho desta formosura' e fala em 'tão perfeita em discurso', enquanto a última linha denuncia que a cidade é 'tão real na omissão'. Quando se elogia exatamente aquilo que é um defeito, a intenção real é criticar.
- Conclua o tom. Elogiar algo para dizer o contrário do que se afirma é ironia, que é o tom predominante do soneto, como um escárnio contra a administração municipal.
- Por que as outras alternativas estão erradas. A) ira: o texto não expressa indignação explosiva nem linguagem agressiva. B) ingenuidade: o eu lírico não acredita sinceramente no que elogia, pelo contrário, percebe os problemas. C) perplexidade: não há espanto diante do inexplicável, pois a crítica é clara e intencional. D) apatia: há crítica ativa e mordaz, não indiferença ou falta de envolvimento.
- Observação sobre o gabarito: a resposta oficial E está correta, sem divergência com a resolução feita de forma independente.
💡 Dica: Identifique o tom predominante no soneto a partir da interpretação do texto.
Alternativa por alternativa
O aluno percebe a crítica aos problemas da cidade, mas acredita que o poema expressa revolta explosiva e agressiva, confundindo ironia contida com raiva direta.
O aluno toma os elogios ao pé da letra, achando que o eu lírico admira sinceramente a cidade e não percebe a contradição com as situações descritas.
O aluno acha que o texto demonstra espanto diante de uma situação incompreensível, sem reconhecer que a contradição é intencional e proposital.
O aluno considera que o eu lírico se mostra conformado e indiferente aos problemas, ignorando a crítica mordaz presente nos versos finais.
Por que engana: Confundir o tom do texto com emoções superficiais ou palavras isoladas, sem considerar o contexto geral do soneto.
O soneto emprega palavras e expressões aparentemente elogiosas, como “cidade exemplar”, “em harmonia”, “poesia” e “eterna ventura”, para descrever problemas como atrasos, lixo, buracos, filas, obras inacabadas e omissão administrativa. O contraste entre a aparência positiva do discurso e a realidade negativa apresentada produz um efeito irônico.
Raio-X da questão
tom predominante no texto
diagnostico
interpretação de texto literario
estude como identificar o tom e a atitude do autor em textos literarios
Confundir o tom do texto com emoções superficiais ou palavras isoladas, sem considerar o contexto geral do soneto.
pensamento_critico
literario
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