Leia um trecho do poema A Flor e a Náusea. Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia um trecho do poema A Flor e a Náusea. Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias, espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. [....] Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde E lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. ANDRADE, C. D. Antologia Poética. Rio de Janeiro. José Olympio, 1978. A partir da leitura do trecho de A Flor e a Náusea, poema do modernista Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa em que o conceito é adequado à temática apresentada nos versos. (FATEC 2018)
- A) Disciplina: obediência às regras, aos superiores, aos regulamentos, postura que é defendida pelo eu lírico.
- B) Dissimulação: ocultação, por um indivíduo, de suas verdadeiras intenções, uma vez que o eu lírico tenta esconder sua reação diante do surgimento da flor.
- C) Esperança: sentimento vivido pelo eu lírico, pois ele vê como possíveis a confiança em algo promissor e a realização de mudanças.
- D) Nostalgia: melancolia profunda causada pelo distanciamento entre o eu lírico e sua terra natal.
- E) Resignação: submissão à vontade do destino, postura adotada pelo eu lírico que se mostra alienado e indiferente.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o trecho observando o movimento do eu lirico. Na primeira parte ele se sente preso a classe, a roupas e a uma rua cinzenta, perguntando se pode revoltar-se sem armas. Na segunda parte, a flor nasce no asfalto e ele pede silencio para contempla-la, reconhecendo-a como flor mesmo feia e desbotada.
- Identifique o conceito que descreve essa virada. A flor rompe o asfalto, o tedio, o nojo e o odio, o que sinaliza confianca em algo promissor e possibilidade de mudanca. Isso corresponde a esperanca, alternativa C.
- Verifique as demais alternativas. A (disciplina) contraria a revolta do eu lirico. A (dissimulacao) nao aparece, pois ele expressa abertamente seu encantamento. A (nostalgia) nao tem base, pois nao ha saudade de terra natal. A (resignacao) so vale para a primeira parte do poema, mas ignora a revolta e a celebracao final.
💡 Dica: Observe a virada do poema: da opressao para a flor que rompe o asfalto, e escolha o conceito que descreve essa expectativa de mudanca.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o 'preso a minha classe' e as roupas a uma ideia de ordem e obediencia, sem perceber que o eu lirico rejeita essa condicao e se revolta.
Confunde dissimulacao (ocultar intencoes) com a reacao espontanea de encantamento; o eu lirico nao esconde o que sente diante da flor.
CORRETA. O eu lirico vê na flor que rompe o asfalto um sinal de vida e de possibilidade de mudanca, o que expressa esperanca em algo promissor, mesmo em meio ao tedio e ao nojo.
Supoe que a melancolia do poema se deva a saudade de uma terra natal, quando ela decorre do cotidiano urbano e da opressao social.
Toma a primeira metade do poema (sensacao de impotencia, 'sem armas') como a postura final do eu lirico, ignorando a revolta e a celebracao da flor.
Por que engana: escolher resignacao por causa do tom inicial de impotencia do eu lirico
Raio-X da questão
esperanca como sentimento de confianca em mudancas e algo promissor
avaliacao
figuras de linguagem e eu lirico · Modernismo brasileiro de segunda fase
diferenca entre resignacao e esperanca em textos poeticos
escolher resignacao por causa do tom inicial de impotencia do eu lirico
cidadania_etica
resiliencia
literario
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