ENEM - 2012 **Entrevista com Marcos Bagno** Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2012 **Entrevista com Marcos Bagno** Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar de “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”. No entanto, temos registros escritos da época medieval em que aparecem centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses usos de nossos ex-colonizadores. Não faz sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso para só aceitar o que vem de fora. Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de português que em toda a Europa! **Informativo Parábola Editorial**, s/d. Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais e faz uso da norma padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais e faz uso da norma padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele
- A) Adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez que o gênero entrevista requer o uso da norma padrão.
- B) Apresenta argumentos carentes de comprovação científica e, por isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na materialidade do texto.
- C) Propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser usada por falantes não escolarizados.
- D) Acredita que a língua genuinamente brasileira está em construção, o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática normativa do português europeu.
- E) Defende que a quantidade de falantes do português brasileiro ainda é insuficiente para acabar com a hegemonia do antigo colonizador.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O enunciado afirma que o autor defende formas coloquiais, mas escreve toda a entrevista na norma padrão. A pergunta pede a explicação para essa aparente contradição. Passo 2: O texto é uma entrevista publicada em informativo editorial, um registro formal de divulgação. Nessa situação, o autor adapta seu nível de linguagem ao contexto comunicativo, o que explica o uso da norma padrão, sem que isso contradiga sua defesa das formas coloquiais. Passo 3: A alternativa A está correta porque reconhece essa adaptação do nível de linguagem à situação comunicativa. Passo 4: A alternativa B está errada, pois o texto não apresenta argumentos científicos a serem comprovados; a defesa do autor é histórica e social. Passo 5: A alternativa C está errada, pois o autor não propõe dividir falantes entre escolarizados e não escolarizados. Passo 6: A alternativa D está errada, pois o autor afirma que já temos uma língua própria, em vez de dizer que ela está em construção, e critica a gramática do português europeu em vez de incorporá-la. Passo 7: A alternativa E está errada, pois o autor argumenta que o número de falantes brasileiros é grande e legítimo, e não insuficiente. Passo 8: Conclusão: o gabarito oficial A está correto, pois é a única alternativa que explica o uso da norma padrão pela adaptação ao gênero e à situação comunicativa.
💡 Dica: Analise as intenções do autor em relação à norma padrão.
Alternativa por alternativa
Está certa, pois o autor adapta sua linguagem à norma padrão, adequada ao gênero entrevista.
Interpreta que a defesa do autor se baseia em estudos científicos e, por isso, seria difícil de verificar no texto. O aluno confunde argumentos históricos e sociais com comprovação científica.
Entende a crítica do autor ao ensino tradicional como uma proposta de separar falantes escolarizados e não escolarizados. O aluno desvia o foco da questão, que trata da adequação ao contexto comunicativo.
Por que engana: Confundir o uso da norma padrão com imposição rígida, sem considerar a adequação ao contexto comunicativo.
Confunde a afirmação de que a língua brasileira já existe com a ideia de que ela ainda está em construção. Além disso, supõe que o autor adota a gramática europeia, quando ele a critica.
Inverte o argumento do texto, que valoriza o grande número de falantes brasileiros como base para aceitar a língua nacional. O aluno toma esse dado como evidência de insuficiência.
Raio-X da questão
uso da norma padrão
avaliacao
norma culta e coloquial · genero textual entrevista
Revisar as diferenças entre linguagem coloquial e norma padrão.
Confundir o uso da norma padrão com imposição rígida, sem considerar a adequação ao contexto comunicativo.
cidadania_etica
tomada_decisao
cotidiano
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