Considere duas narrativas sobre a abolição da escravidão no Brasil, publicada em 1888. A primeira, veiculada…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Considere duas narrativas sobre a abolição da escravidão no Brasil, publicada em 1888. A primeira, veiculada por um jornal ligado ao governo imperial, apresenta a assinatura da Lei Áurea como resultado da benevolência da princesa Isabel e atribui pouca importância às ações dos escravizados. A segunda, registrada em memórias de pessoas negras, destaca fugas, revoltas, associações abolicionistas e outras formas de resistência que pressionaram pela abolição. Embora tratem do mesmo processo histórico, os relatos selecionam acontecimentos e agentes diferentes. Comparando as duas narrativas, qual análise explica melhor como elas podem influenciar a percepção sobre o processo de abolição?
- A) As narrativas diferem apenas no estilo de escrita, pois a escolha dos personagens não altera a compreensão histórica do acontecimento.
- B) As narrativas selecionam agentes e causas distintos, podendo apresentar a abolição como concessão imperial ou como resultado de lutas de pessoas escravizadas e abolicionistas.
- C) As narrativas apresentam o mesmo processo de modo equivalente, pois a existência de um fato histórico impede interpretações diferentes.
- D) As narrativas tornam impossível conhecer a abolição, pois versões distintas demonstram que nenhum relato histórico possui valor explicativo.
- E) A segunda narrativa é necessariamente neutra, pois relatos de pessoas diretamente envolvidas não apresentam seleção ou perspectiva sobre o passado.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve duas narrativas sobre a abolição de 1888. A primeira, ligada ao governo imperial, atribui a libertação à benevolência da princesa Isabel e minimiza a ação dos escravizados. A segunda, em memórias de pessoas negras, destaca fugas, revoltas, associações abolicionistas e outras formas de resistência.
- A pergunta pede a análise que explica melhor como essas narrativas influenciam a percepção do processo. A chave está na frase final do texto: os relatos selecionam acontecimentos e agentes diferentes.
- A alternativa B afirma exatamente isso: as narrativas escolhem agentes e causas distintos, o que leva a apresentar a abolição como concessão imperial ou como resultado das lutas de escravizados e abolicionistas. Essa análise explica a influência sobre a percepção porque mostra que a seleção de personagens e causas molda a compreensão do fato.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Reduz a diferença a estilo de escrita, ignorando que a escolha dos personagens altera o sentido histórico.
- C) Afirma equivalência entre as versões, mas o enunciado mostra que os relatos selecionam agentes diferentes.
- D) Conclui que nenhum relato tem valor explicativo, um exagero que não decorre das duas narrativas apresentadas.
- E) Considera a segunda narrativa neutra, quando toda memória envolve seleção e perspectiva sobre o passado.
- Conclusão: a alternativa B é a correta e coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as narrativas e identifique as diferenças de perspectiva.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que mudar os personagens ou o foco de um relato não altera a compreensão do fato, tratando as diferenças apenas como questão de estilo.
A primeira narrativa centraliza a princesa Isabel e interpreta a abolição como uma decisão benevolente do governo. A segunda evidencia a resistência de pessoas escravizadas e a atuação de movimentos abolicionistas. Assim, as narrativas não apenas descrevem o mesmo processo: ao escolherem personagens, acontecimentos e relações de causa diferentes, orientam interpretações distintas sobre o passado.
O aluno supõe que, por existir um único fato histórico, todas as narrativas sobre ele são equivalentes e não admitem interpretações diferentes.
O aluno conclui que a existência de versões diferentes invalida o conhecimento histórico, confundindo pluralidade de interpretações com ausência de valor explicativo.
O aluno acredita que o testemunho de quem viveu o fato é neutro e objetivo, sem seleção ou perspectiva, ignorando que toda memória é parcial.
Por que engana: Achar que narrativas historicas sao sempre neutras e nao influenciam a percepcao dos fatos.
Raio-X da questão
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Revisar como diferentes narrativas podem alterar a interpretação de eventos históricos.
Achar que narrativas historicas sao sempre neutras e nao influenciam a percepcao dos fatos.
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