Leia os relatos sobre a Independência do Brasil na Bahia, ocorrida em 1823. Relato 1 — manual escolar…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia os relatos sobre a Independência do Brasil na Bahia, ocorrida em 1823. Relato 1 — manual escolar publicado em 1970: “A vitória das tropas brasileiras consolidou a Independência, conduzida por líderes militares e celebrada pela população nas ruas de Salvador.” Relato 2 — depoimento de uma moradora de Cachoeira, registrado em um projeto de história oral em 2015: “Antes da entrada das tropas em Salvador, moradores organizaram vigílias, esconderam alimentos para os combatentes e participaram dos confrontos. Muitas mulheres negras também atuaram, embora quase nunca apareçam nas comemorações oficiais.” O primeiro relato foi usado em cerimônias escolares durante décadas. O segundo passou a integrar uma exposição de museu dedicada à participação popular e às experiências de grupos pouco mencionados nos livros didáticos. Considerando os dois relatos e seus contextos de circulação, qual conclusão explica melhor como diferentes narrativas históricas participam da construção da memória coletiva sobre a Independência do Brasil na Bahia?
- A) Comparar os relatos impede estabelecer qualquer interpretação comum sobre o acontecimento.
- B) Os relatos descrevem acontecimentos distintos, apesar de mencionarem a Independência.
- C) Somente o relato escolar pode ser considerado histórico por utilizar linguagem formal.
- D) A diferença resulta apenas da distância temporal entre os relatos apresentados.
- E) As narrativas selecionam sentidos e influenciam a memória coletiva sobre o acontecimento.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- A questão pede uma conclusão sobre como narrativas históricas participam da construção da memória coletiva sobre a Independência na Bahia. Passo 2: Analisando os relatos, o primeiro (manual de 1970) destaca líderes militares e a celebração popular, e foi usado em cerimônias escolares. O segundo (história oral de 2015) destaca vigílias, apoio da população, participação de mulheres negras e integra uma exposição de museu. Os dois tratam do mesmo acontecimento, mas selecionam aspectos diferentes e circulam em espaços distintos. Passo 3: A alternativa E sintetiza isso: as narrativas fazem escolhas de sentido (quem aparece, o que é destacado e o que é silenciado) e, pela circulação social em escolas e museus, influenciam o que a coletividade lembra e celebra. Passo 4: As demais estão erradas. A afirma que comparar os relatos impossibilita qualquer interpretação comum, mas ambos tratam do mesmo evento, o que permite justamente a comparação. B afirma que os relatos descrevem acontecimentos distintos, mas os dois se referem à Independência na Bahia em 1823. C atribui validade histórica apenas pela linguagem formal, critério que não se sustenta, pois o historiador avalia fontes pelo contexto de produção e pela crítica. D reduz a diferença à distância temporal, ignorando que os relatos diferem também pelos sujeitos narrados, pelos critérios de seleção e pelos espaços de circulação. Passo 5: O gabarito oficial E está correto, e a questão está completa.
💡 Dica: Analise as semelhanças e diferenças nas narrativas.
Alternativa por alternativa
Acredita que, por existirem versões divergentes, não há nenhuma base comum para interpretar o fato. Confunde pluralidade de narrativas com impossibilidade de análise histórica.
Supõe que, por os relatos terem focos e tons diferentes, tratam de acontecimentos distintos. Não percebe que ambos se referem ao mesmo evento, a Independência na Bahia.
Acha que textos com linguagem formal e de manuais oficiais são automaticamente verdadeiros, usando a intuição do dia a dia de que o que parece oficial é confiável.
Por que engana: Achar que todas as narrativas historicas sao objetivas e iguais, ignorando a influencia de perspectivas diferentes.
Pensa que as diferenças entre os relatos se devem apenas ao passar do tempo, sem considerar quem fala, o que é selecionado e onde a narrativa circula.
Os relatos tratam do mesmo processo histórico, mas destacam sujeitos e experiências diferentes. O primeiro privilegia líderes militares e a celebração oficial, enquanto o segundo evidencia a participação popular e de mulheres negras. Como foram divulgados em espaços sociais distintos, eles contribuem de maneiras diferentes para a construção da memória coletiva sobre o acontecimento.
Raio-X da questão
narrativas históricas
avaliacao
narrativas historicas · memoria coletiva
Revisar como diferentes perspectivas podem influenciar a interpretação de eventos históricos.
Achar que todas as narrativas historicas sao objetivas e iguais, ignorando a influencia de perspectivas diferentes.
pensamento_critico
historico
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