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Retomada por pronome: por que o aluno troca o referente (e como intervir)

A retomada por pronome parece simples, mas muitos alunos identificam a substituição e ainda escolhem o referente errado. Veja como diagnosticar esse tropeço e ensinar a relação entre pronome e texto.

Retomada por pronome: por que o aluno troca o referente (e como intervir)

Eu já vi a turma acertar que precisava evitar uma repetição e, ainda assim, trocar quem fazia a ação. Em uma frase sobre Bia e um livro, por exemplo, alguns alunos colocam “ele” no lugar da personagem e acabam atribuindo a ela o pronome que deveria retomar o objeto. Outros escolhem “a” para retomar “livro”, porque percebem a ideia de substituição, mas não conferem gênero e número. Nessa hora, não adianta dizer apenas que faltou atenção: o erro mostra em que parte da operação a criança se perdeu.

Quando corrijo uma resposta assim, peço ao aluno que aponte primeiro o termo retomado e depois explique como o pronome se liga a ele. Essa conversa costuma revelar mais do que o acerto ou erro isolado. Nas questões do acervo, aparecem tanto confusões entre referentes próximos quanto substituições inadequadas, repetições literais e trocas de classe de palavra. Vou usar esses padrões para pensar diagnóstico, intervenção e avaliação, sem tratar a retomada por pronome como uma simples caça ao pronome na frase.

O que é retomada por pronome e como ensinar esse conceito?

Retomada por pronome é o uso de um pronome para recuperar no texto um referente já apresentado, evitando repetir sempre o mesmo nome e ajudando a ligar as ideias. Em “As flores estão murchas. Elas precisam de água”, “elas” retoma “as flores”; em “Bia pegou o livro. Depois, ela o abriu”, “ela” retoma Bia e “o” retoma o livro. Não basta, portanto, localizar um pronome: é necessário descobrir a que elemento ele se refere e verificar se a relação faz sentido no contexto. O conteúdo aparece em Língua Portuguesa do 4º ao 8º ano nas questões fornecidas, com progressão entre reconhecer pronomes, relacionar frases e analisar coesão em textos. As habilidades relacionadas incluem EF35LP06, EF06LP12, EF07LP12, EF08LP14 e EF08LP16. A última aparece ligada a um item sobre modalização, não diretamente à retomada pronominal, distinção importante ao selecionar questões.

Na prática, ensino o conceito como uma relação entre duas partes do texto: o referente, que já foi nomeado, e a expressão que o recupera depois. A retomada pode ocorrer dentro de uma frase ou entre frases. Para o aluno, a pergunta-chave é: “Quem ou o que esse pronome está substituindo aqui?”. Depois vêm outras duas verificações: o pronome combina com o referente? E a frase continua dizendo a mesma coisa? Essa sequência evita que a criança marque “ele” apenas por ser um pronome masculino ou escolha qualquer palavra que pareça relacionada ao assunto. Também vale explicar que nem toda substituição é pronominal: “o objeto” e “a peça” são expressões nominais, não pronomes pessoais. Repetição, sinônimo e elipse podem contribuir para a coesão, mas não respondem a um comando que pede especificamente pronome.

O que o aluno precisa saber antes de estudar retomada por pronome?

As fichas apontam bases diferentes, que se combinam no momento de resolver uma questão: reconhecer substantivos e pronomes; identificar sujeito, objeto e antecedente textual; localizar o referente; conhecer pronomes pessoais; compreender concordância de gênero e número; e acompanhar a coesão referencial entre frases. Uma questão ainda destaca concordância nominal. Não presumo que o estudante domine tudo porque decorou a lista de pronomes: ele precisa conseguir dizer quem realiza a ação, que elemento está sendo retomado e se a substituição preserva o sentido. Para verificar essa base, uso frases curtas com duas personagens e um objeto, peço que os alunos sublinhem os nomes e circulem os pronomes e, em seguida, liguem cada pronome ao seu antecedente com uma seta. Se a turma confunde os papéis, começo por aí antes de cobrar uma reescrita mais longa.

Um diagnóstico rápido pode ter três tarefas sem nota: classificar palavras simples como substantivo ou pronome; relacionar pronomes a nomes em frases curtas; e reescrever uma frase com repetição, justificando a escolha. Observo se o aluno encontra o antecedente sem depender só da proximidade, pois o termo mais perto nem sempre é o referente correto. Também vejo se a criança preserva gênero e número e se distingue quem age de quem recebe a ação, como ocorre na frase de Bia e do livro. Se houver dificuldade em nomear o antecedente, uso duas cores: uma para o termo original e outra para o pronome. Se houver dificuldade de concordância, faço a turma comparar “o livro/ele/o” e “a chave/ela/a”, sempre com atenção à função de cada pronome na frase. O objetivo não é antecipar uma aula gramatical extensa, mas localizar qual pré-requisito impede a leitura da relação referencial.

Quais são os erros mais comuns na retomada por pronome?

Nas oito fichas, os erros se agrupam em dificuldades que podem parecer iguais no gabarito, mas pedem intervenções diferentes. Há escolhas de um elemento próximo que não é o referente, como trocar “a praça” por “o bairro” ou relacionar “a iniciativa” aos voluntários; há problemas de gênero e número, como usar “a” para “o livro”; e há confusão entre pronome, repetição, sinônimo, elipse e outras classes gramaticais. Os distratores mais prováveis variam por item, então não trato uma letra como diagnóstico universal. A questão 1 aponta D, a 2 aponta B, a 3 aponta C, a 4 aponta B, a 5 aponta C, a 6 aponta A, a 7 aponta A e a 8 aponta A. O padrão útil para mim não é decorar letras: é observar o raciocínio que cada alternativa errada representa.

1. Escolher uma palavra próxima em vez do referente

Na questão sobre o sobrado transformado em biblioteca, o aluno pode ligar “a iniciativa” aos voluntários porque os termos aparecem no mesmo trecho. Em outra situação, pode escolher “aquele bairro” para retomar “a praça”. A proximidade temática não prova que existe retomada. Para intervir, peço que o estudante substitua mentalmente o pronome pelo nome escolhido e leia a frase: “Agora, o prédio oferece livros” preserva a referência; “Agora, os voluntários oferece livros” não. Depois, ele deve apontar a evidência no texto. Esse procedimento ensina a testar a relação, em vez de chutar pelo assunto geral.

2. Perceber a substituição, mas errar a concordância

Na reescrita sobre Bia, “ela a abriu” mostra uma tentativa de usar pronome, mas “a” não retoma “o livro”. Em “a praça”, a escolha também precisa manter a compatibilidade com o referente. O erro revela que o aluno sabe que algo deve ser substituído, porém não checa gênero, número ou função na frase. Intervenho com pares visuais — “o livro, ele/o”; “a chave, ela/a” — e peço que o aluno diga em voz alta o nome que cada pronome substitui. É importante não apresentar todos os pronomes como intercambiáveis: na frase, “ela” e “o” retomam referentes diferentes e exercem funções diferentes.

3. Confundir pronome com sinônimo, repetição ou elipse

Uma criança pode escolher “a peça”, repetir “a chave” ou apagar o nome, porque entende que todas essas opções reduzem ou organizam o texto. Mas o comando pode pedir especificamente pronome pessoal. A questão sobre a chave diferencia essas possibilidades; a questão sobre “meu colega” também contrapõe repetição, omissão, artigo, sinônimo e pronome. O erro revela uma compreensão ampla, mas ainda imprecisa, de coesão. Para intervir, monto uma tabela com o recurso, um exemplo e a pergunta que o identifica: “ele” é pronome; “o músico” é expressão nominal; repetir o nome mantém a expressão; omiti-la pode produzir elipse. Assim, o aluno aprende a responder ao comando exato sem concluir que os demais recursos são sempre incorretos.

4. Confundir o pronome com o nome ou outra classe de palavra

Na frase do cachorro, “cachorro” é o substantivo retomado e “ele” é o pronome; “animado” é adjetivo, “correr” é verbo e “a bola” é outro grupo nominal. Um estudante que marca o substantivo pode ter reconhecido o referente, mas não a classe gramatical solicitada. Faço a turma separar duas perguntas: “Quem é mencionado?” e “Qual palavra o retoma?”. Essa distinção simples ajuda a não considerar errada toda a compreensão textual quando a dificuldade está em identificar a categoria. Se o aluno erra as duas perguntas, volto à identificação de substantivos e pronomes antes de avançar.

5. Escolher uma relação apenas associativa

“A dança é uma arte” repete a palavra, enquanto “água é essencial” introduz algo relacionado às flores, mas não retoma “flores”. A alternativa pode parecer coerente com o assunto e ainda assim não cumprir a tarefa. Esse tipo de resposta revela que o estudante acompanha o tema geral, mas não verifica a ligação entre as expressões. Peço que ele desenhe uma seta entre o termo inicial e a palavra que supostamente o recupera. Se não consegue justificar a seta com uma substituição possível, provavelmente encontrou uma associação de sentido, não uma retomada. A pergunta “a segunda frase fala sobre isso ou substitui isso?” ajuda a tornar visível a diferença.

Como ensinar retomada por pronome passo a passo?

Começo com frases curtas e familiares, sem exigir logo uma explicação de nomenclatura. Primeiro, apresento dois referentes: “Bia pegou o livro”. Depois acrescento uma segunda oração com repetição e pergunto o que está repetido. A turma testa uma reescrita, identifica quem faz cada ação e escolhe pronomes compatíveis. Em seguida, usamos setas ou cores para marcar antecedente e pronome. Só depois passo a frases entre períodos e trechos maiores, nos quais há mais de um referente possível. Essa progressão acompanha as dicas recorrentes das fichas: observar quem é quem, localizar o termo que será retomado e escolher uma palavra que o substitua sem mudar o referente. Na etapa final, os alunos revisam pequenos textos próprios e explicam por que cada pronome mantém a coesão. Assim, a revisão deixa de ser uma troca mecânica de nomes.

Uma sequência realista pode ocupar duas ou três aulas, ajustada ao diagnóstico. Na primeira, faço identificação: sublinhar referentes e circular pronomes em exemplos simples. Na segunda, trabalho contrastes: alternativa correta contra repetição, sinônimo, elipse e pronome com concordância inadequada. Na terceira, proponho reescrita e revisão de um parágrafo. Em cada etapa, modelo o pensamento em voz alta: “O que preciso retomar? Que palavra substitui esse referente? A concordância funciona? O sentido continua igual?”. Quando o texto traz vários nomes, leio o trecho inteiro antes de decidir, como na questão da biblioteca comunitária. Fecho com uma justificativa oral ou escrita, não apenas com a letra marcada. A justificativa permite perceber se o aluno acertou por compreensão ou por eliminação de alternativas. Se houver confusão entre sujeito e objeto, retomo esse pré-requisito antes de pedir o uso combinado de “ela” e “o”.

Como avaliar a retomada por pronome em cada momento?

Para diagnóstico inicial, prefiro itens curtos e de leitura básica, como identificar “ele” em uma frase ou reconhecer “elas” retomando “as flores”. Eles funcionam como abertura e avaliação rápida, mas têm poder de discriminação baixo ou médio e, sozinhos, não mostram se o estudante transfere o conhecimento a um texto maior. Para acompanhar a aprendizagem, uso reescritas contextualizadas como a de Bia e o livro: as fichas indicam tempos de um a três minutos nas questões com duração informada, leitura básica ou simples e possibilidade de uso em atividade, lição, prova, diagnóstico, simulado e avaliação rápida. Itens de maior discriminação, como os que distinguem pronome de sinônimo ou elipse, ajudam a separar domínio conceitual de reconhecimento superficial. Algumas fichas registram tempo como “curto” ou “médio”, sem número; não transformo essas descrições em minutos inventados.

Na prova, distribuo funções: uma questão direta de abertura para verificar o vocabulário básico e outra contextualizada para observar o vínculo entre referentes. Um item interpretativo mais longo pode entrar depois, como progressão, desde que a leitura do texto não esconda o que estou avaliando. Em atividade ou lição, vale pedir que o aluno justifique e reescreva, pois há espaço para tentativa e devolutiva. No simulado, mantenho o formato de resposta que o estudante encontrará, mas não uso apenas itens de baixa discriminação para concluir que a habilidade está consolidada. As fichas indicam que as questões apresentadas podem servir a esses usos, inclusive diagnóstico e avaliação rápida. Ainda assim, faço uma ressalva importante: a questão 8 pergunta o efeito de sentido de “devem” como obrigação e não avalia retomada por pronome, apesar de sua ficha mencionar coesão referencial. Ela pode avaliar modalização, mas não deve ser contabilizada como evidência de domínio deste conceito.

O que ensinar antes de trabalhar a retomada por pronome?

Antes de pedir que a turma revise textos por meio de pronomes, eu verifico quatro conteúdos indicados como pré-requisitos no acervo: pronomes pessoais; concordância verbal; coesão textual; e coesão referencial entre frases. As fichas também destacam, em itens específicos, concordância nominal, reconhecimento de substantivos, identificação de sujeito e objeto e identificação do antecedente. Isso não significa que toda questão exija todos esses conhecimentos na mesma medida. Significa que uma resposta errada pode vir de uma base diferente, e eu preciso separar essas causas para planejar a retomada. Por exemplo, se o aluno não sabe quem realizou a ação, reviso a estrutura da frase; se identifica o referente, mas escolhe um pronome incompatível, reviso concordância; se reconhece as palavras, mas não liga uma frase à outra, retomo coesão referencial. Assim, ensino o pré-requisito necessário em vez de repetir a mesma explicação para toda a turma.

Uma checagem simples é entregar três frases: uma para localizar sujeito e objeto; outra para ligar um pronome a seu antecedente; e uma terceira para escolher entre pronome e repetição. Depois, peço uma justificativa curta. Para pronomes pessoais, quero que o aluno reconheça a forma e sua função no contexto. Para concordância, observo se a forma escolhida combina com o referente, sem reduzir a questão a uma lista decorada de terminações. Para coesão entre frases, pergunto que informação a segunda frase recupera da primeira. Os resultados podem orientar grupos temporários: alguns praticam reconhecimento de classe, outros relação referencial, outros reescrita. Não é necessário interromper o planejamento inteiro para revisar tudo; começo pelo obstáculo que os exemplos mostram e volto a verificar depois da intervenção.

Que temas transversais e habilidades socioemocionais posso relacionar?

As fichas trazem contextos de leitura e produção textual, uma redação sobre a limpeza da praça, a criação de uma biblioteca comunitária, um recado familiar, a apresentação de um colega e situações cotidianas. Também aparecem habilidades socioemocionais descritas como atenção aos detalhes, atenção, tomada de decisão e pensamento crítico. Posso aproveitar esses contextos para conversar sobre cuidado com espaços comuns, acesso à leitura, participação em iniciativas comunitárias e segurança, sempre sem confundir o objetivo linguístico da questão com uma avaliação de comportamento. O tema transversal mais explicitamente indicado é leitura e produção textual. A revisão de um texto real da turma permite mostrar que a coesão ajuda o leitor a acompanhar quem fez o quê; a conversa sobre escolhas pronominais exercita atenção e justificativa. O contexto não deve ser mero enfeite: precisa oferecer referentes claros e permitir que a turma perceba como uma troca altera o sentido.

Em produção escrita, proponho que a turma revise um pequeno relato sobre uma ação coletiva, marcando nomes repetidos e avaliando se um pronome pode substituí-los sem criar dúvida. Uma dupla pode explicar sua escolha à outra e ouvir se o referente ficou claro. Essa atividade trabalha atenção aos detalhes e tomada de decisão em uma situação concreta: conservar o sentido e melhorar a leitura. Para o pensamento crítico, apresento opções próximas, mas não equivalentes, e peço evidências no texto. No caso da biblioteca, por exemplo, o aluno precisa distinguir o prédio, os voluntários e a iniciativa, não apenas reconhecer que todos pertencem ao mesmo assunto. A conversa deve permanecer respeitosa: o erro oferece informação para revisar a estratégia de leitura, não motivo para constranger quem ainda está aprendendo.

Quais questões comentadas ajudam a diagnosticar a retomada por pronome?

As oito questões abaixo são úteis para observar habilidades em níveis diferentes, mas não têm todas o mesmo alinhamento com o conceito. Sete exploram pronomes, referentes, coesão ou reconhecimento de categorias em graus variados; a oitava trata do sentido de “devem” como obrigação. Em cada item, olho não só para o gabarito, mas para a alternativa escolhida e para a explicação que o aluno consegue dar. Nas opções erradas, o erro revela uma hipótese: confusão de referente, concordância, repetição, associação temática ou classe gramatical. A questão mais direta pode funcionar como abertura; as que exigem comparar recursos ou acompanhar um texto mais amplo ajudam a observar aplicação. Os marcadores ao fim de cada comentário preservam a ligação com a ficha técnica original da questão, sem reproduzir aqui os dados já associados ao item.

Questão 1 — Como retomar “a praça” sem repetir o nome?

Enunciado: Em uma redação sobre o bairro, o estudante escreveu: “Os moradores organizaram a limpeza da praça. A praça ficou mais bonita depois da ação.” Para evitar repetição e manter a coesão, a segunda frase poderia ser reescrita com a expressão...

  • ❌ A) Aquele bairro ficou mais bonita depois da ação. Não retoma diretamente a praça e troca o referente por outro elemento do texto. Revela dificuldade de separar proximidade temática de referência.
  • ✅ B) Ela ficou mais bonita depois da ação. “Ela” retoma “a praça”, preservando a referência e a concordância. O aluno identifica o antecedente e escolhe um pronome compatível.
  • ❌ C) A limpeza ficou mais bonita depois da ação. A limpeza é a ação, não o elemento que ficou mais bonito. Revela troca entre o referente e algo relacionado a ele.
  • ❌ D) Eles ficaram mais bonitos depois da ação. “Eles” não combina com “a praça”, feminino singular, e pode remeter aos moradores. Revela confusão de referente e concordância.
  • ❌ E) Isso ficou mais bonita depois da ação. “Isso” não retoma adequadamente o referente feminino singular indicado e deixa a relação inadequada. Revela substituição sem checagem da referência.

Comentário: Peço ao aluno que diga, antes de marcar, qual nome será substituído. A questão mostra que reconhecer a necessidade de evitar repetição não basta: é preciso conservar o referente.

Questão 2 — Como evitar repetir “Bia” e “o livro”?

Enunciado: “Bia pegou o livro. Depois, Bia abriu o livro e começou a ler.” Como o texto pode ser reescrito para evitar repetição excessiva?

  • ❌ A) Bia pegou o livro. Depois, o livro abriu e começou a ler. Atribui ao livro ações que cabem a Bia. Revela que o aluno não acompanha quem age.
  • ❌ B) Bia pegou o livro. Depois, ela a abriu e começou a ler. “A” não retoma “o livro”. Revela tentativa de substituição sem concordância adequada.
  • ❌ C) Bia pegou o livro. Depois, ele o abriu e começou a ler. “Ele” não retoma Bia, a personagem que abriu e leu. Revela troca entre os referentes.
  • ❌ D) Bia pegou o livro. Depois, ela pegou o livro e começou a ler. Mantém a repetição do objeto e não resolve plenamente a proposta. Revela atenção parcial ao comando.
  • ✅ E) Bia pegou o livro. Depois, ela o abriu e começou a ler. “Ela” retoma Bia e “o” retoma o livro. A resposta preserva quem faz a ação e o objeto da ação.

Comentário: Esse item é ótimo para pedir que a criança explique dois pronomes, não apenas um. Se a resposta estiver errada, verifico se o problema é identificação dos papéis ou concordância.

Questão 3 — O que é retomar “a chave” com pronome pessoal?

Enunciado: No recado da família: “A chave caiu no chão. A chave estava perto da porta. A chave foi pega pela criança.” Para evitar a repetição, qual recurso retoma “a chave” nas frases seguintes usando um pronome pessoal?

  • ❌ A) Trocar por “o objeto”. É expressão nominal mais geral, não pronome pessoal. Revela que o aluno entende substituição, mas não a categoria pedida.
  • ❌ B) Repetir a mesma expressão. Mantém “a chave”; não substitui por pronome. Revela confusão entre manter a referência e evitar repetição.
  • ❌ C) Retirar o termo e deixá-lo subentendido. Trata de elipse, não de pronome pessoal. Revela que o aluno generaliza os mecanismos de coesão.
  • ❌ D) Trocar por “a peça”. É outra expressão nominal e pode ser menos precisa. Revela confusão entre sinônimo ou expressão próxima e pronome.
  • ✅ E) Usar “ela”. O pronome pessoal retoma “a chave”, substantivo feminino. A opção cumpre o comando e mantém o referente.

Comentário: Aproveito para organizar as diferenças entre pronome, expressão nominal, repetição e elipse. A resposta revela se o aluno compreendeu o recurso específico solicitado.

Questão 4 — Qual frase retoma um elemento sem repetir seu nome?

Enunciado: Em qual par a segunda frase retoma um elemento da primeira sem repetir o nome desse elemento?

  • ❌ A) Os alunos estudaram. O professor ficou feliz. As frases se relacionam, mas a segunda não retoma por pronome um elemento da primeira. Revela associação de ideias confundida com referência.
  • ❌ B) O carro quebrou. O mecânico consertou o carro. Repete “o carro”. Revela que o aluno pode não estar conferindo se o nome foi substituído.
  • ❌ C) Maria gosta de dança. A dança é uma arte. Também repete o nome. Revela atenção ao tema, mas não ao mecanismo pedido.
  • ❌ D) As flores estão murchas. Água é essencial. Fala de algo relacionado, mas não retoma “flores”. Revela referência por associação temática.
  • ✅ E) As flores estão murchas. Elas precisam de água. “Elas” substitui “as flores” e conecta as frases sem repetir o nome.

Comentário: O item funciona como abertura diagnóstica. Peço que o aluno mostre a palavra substituída; isso diferencia reconhecimento do pronome de simples escolha por familiaridade.

Questão 5 — Como substituir “meu colega” sem perder a referência?

Enunciado: No grupo da turma, alguém escreveu: “Meu colega trouxe o violão. Meu colega afinou o violão. Meu colega tocou na apresentação.” Que recurso permite substituir “meu colega” sem perder a referência no trecho?

  • ❌ A) Repetir “meu colega”. Reforça o nome, mas não o substitui. Revela que o aluno não diferencia repetição de retomada.
  • ❌ B) Omitir “meu colega”. Deixa a referência implícita, sem empregar o pronome pedido. Revela confusão entre elipse e retomada pronominal.
  • ❌ C) Usar artigo definido antes de “colega”. O artigo acompanha o substantivo, mas não substitui a expressão. Revela confusão entre determinação e retomada.
  • ❌ D) Trocar por “o músico”. É uma expressão nominal, não o pronome solicitado, e pode alterar a referência. Revela generalização da ideia de substituição.
  • ✅ E) Usar “ele”. O pronome pessoal retoma o colega citado e evita repetir a expressão.

Comentário: A questão ajuda a diagnosticar se a turma entende a diferença entre uma estratégia coesiva em geral e o recurso pronominal pedido no enunciado.

Questão 6 — A quem se refere o pronome “ele” no texto da biblioteca?

Enunciado: Um sobrado foi transformado em biblioteca comunitária. O prédio, que estava fechado havia anos, foi restaurado por voluntários. Agora, ele oferece livros, revistas e jornais aos moradores. A iniciativa tem recebido elogios e ajuda financeira. Com isso, a biblioteca tornou-se ponto de encontro e estudo para toda a região. Qual alternativa relaciona corretamente um pronome anafórico ou sinônimo ao termo retomado?

  • ❌ A) “A iniciativa” retoma “voluntários”. A iniciativa é o projeto, não as pessoas. Revela confusão entre termos próximos do mesmo contexto.
  • ❌ B) “Biblioteca comunitária” retoma “sobrado”. Nomeia a transformação do sobrado; não é a retomada indicada. Revela dificuldade de distinguir mudança de estado e substituição.
  • ❌ C) “A região” retoma “moradores”. Região designa lugar, não o grupo de pessoas. Revela associação de elementos relacionados.
  • ❌ D) “Ajuda financeira” retoma “biblioteca”. Refere-se ao apoio recebido, não substitui biblioteca. Revela dificuldade de seguir as relações locais.
  • ✅ E) “Ele” retoma “o prédio”. O pronome retoma diretamente o núcleo nominal apresentado antes e mantém o referente.

Comentário: Como o texto tem diversos nomes, peço que o aluno volte ao período anterior e teste cada possibilidade no lugar do pronome. Isso torna a justificativa observável.

Questão 7 — Qual pronome retoma “o cachorro”?

Enunciado: Leia: “O cachorro correu atrás da bola. Ele estava muito animado.” Qual é o pronome anafórico que substitui o substantivo em destaque?

  • ❌ A) Cachorro. É o substantivo original, não o pronome. Revela confusão entre antecedente e retomada.
  • ✅ B) Ele. Retoma “o cachorro” na segunda frase. O aluno identifica a palavra que recupera o referente.
  • ❌ C) A bola. É um substantivo e nomeia outro elemento do trecho. Revela confusão de classe e de referente.
  • ❌ D) Animado. É adjetivo, não pronome. Revela dificuldade de reconhecer classes gramaticais.
  • ❌ E) Correr. É verbo e não substitui o substantivo mencionado. Revela dificuldade de classificação.

Comentário: Por ser direta e de leitura baixa, a questão pode abrir uma avaliação rápida. Seu acerto, sozinho, não comprova domínio em textos com vários referentes.

Questão 8 — O que significa “devem” na regra do laboratório?

Enunciado: “Para usar o laboratório, os estudantes devem colocar óculos de proteção. É proibido correr no local. Talvez a atividade termine antes do horário.” No trecho “os estudantes devem colocar óculos de proteção”, qual efeito de sentido a palavra “devem” produz?

  • ❌ A) Expressa dúvida sobre a necessidade dos óculos. O trecho apresenta uma orientação definida, não uma incerteza. Revela dificuldade de interpretar o contexto da palavra.
  • ❌ B) Expressa possibilidade e opção. Aqui “devem” não apresenta o uso dos óculos como escolha. Revela confusão entre possibilidade e obrigação.
  • ❌ C) Expressa opinião pessoal. O texto comunica uma regra de segurança, não uma preferência. Revela leitura do enunciado sem considerar sua situação.
  • ✅ D) Expressa obrigação e orienta o cumprimento de uma regra. Nesse contexto, “devem” indica que usar os óculos é exigido para a segurança.
  • ❌ E) Expressa certeza sobre o horário de término. O verbo não trata de quando a atividade acabará. Revela que o aluno misturou informações de partes diferentes do trecho.

Comentário: Este item trata de modalização e obrigação, não de retomada por pronome. Embora apareça entre as questões fornecidas, não o uso para medir domínio do conceito deste guia.

Quais dúvidas os professores têm sobre retomada por pronome?

As dúvidas mais comuns envolvem distinguir pronome de outras substituições, saber como lidar com erros de concordância e decidir se um item simples basta para avaliar a habilidade. Na minha prática, respondo a essas questões olhando para o raciocínio que a criança demonstra e para o objetivo específico de cada atividade. Uma alternativa correta pode vir de um palpite; uma errada pode indicar uma base ainda não consolidada, mas também uma leitura apressada do comando. Por isso, alterno reconhecimento, comparação e produção. Também verifico se o enunciado mede mesmo retomada pronominal: um texto pode trazer pronomes e, ainda assim, cobrar outra habilidade. As respostas a seguir ajudam a planejar intervenções e a escolher instrumentos coerentes com o que quero observar.

Retomada por pronome é o mesmo que coesão referencial?

Não exatamente. Retomada por pronome é um mecanismo de coesão referencial: um pronome recupera um referente no texto. Coesão referencial é uma categoria mais ampla, que pode envolver outros recursos, como expressões nominais e elipse. Se o enunciado pede pronome pessoal, a resposta precisa empregar esse tipo de palavra, mesmo que um sinônimo ou a omissão também possam contribuir para a continuidade textual em outros contextos.

Como sei se o aluno confundiu o pronome com o antecedente?

Peço que ele indique duas coisas separadamente: qual elemento foi mencionado primeiro e qual palavra o retoma depois. Se aponta “cachorro” como pronome, reconheceu o referente, mas confundiu as funções. Se escolhe “a bola” como antecedente de “ele”, há também uma dificuldade de referência ou concordância que merece investigação. Uma seta entre nome e pronome, acompanhada de uma explicação oral, torna o raciocínio visível.

Devo corrigir todo pronome que o aluno usa fora da norma?

Na atividade de diagnóstico, registro o que a escolha revela antes de transformar a correção em uma explicação geral. Depois, ensino a forma adequada com exemplos contrastivos e observo se o estudante compreende a relação entre referente e pronome. A intervenção precisa considerar o objetivo da tarefa: pode ser identificar o referente, revisar concordância ou melhorar a clareza do texto. Corrigir sem explicar qual relação falhou tende a produzir memorização sem transferência.

Uma questão de múltipla escolha é suficiente para avaliar o conceito?

Não. Um item de reconhecimento pode indicar se o aluno identifica um pronome, mas não comprova que consiga escolher o referente em um texto maior ou revisar a própria escrita. Combino questões diretas com reescrita e justificativa, variando a quantidade de referentes e a extensão do texto. A questão direta é útil para abertura e avaliação rápida; a tarefa de produção mostra se o estudante transfere o conhecimento para uma situação real.

Como usar os resultados para planejar a próxima aula?

Agrupo as respostas pelo tipo de erro, e não apenas pelo número de acertos: referência trocada, concordância inadequada, confusão de classes ou repetição mantida. Em seguida, preparo uma intervenção curta para cada necessidade e verifico novamente com um exemplo diferente. Se muitos alunos não identificam sujeito e objeto, volto a esse pré-requisito; se reconhecem o referente, mas escolhem outro recurso, trabalho a distinção entre pronome, sinônimo e elipse. Assim, a avaliação orienta o ensino.

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