Atividades de Os Sofistas (Relativismo e Retórica) para o ENEM com gabarito
Atividades de Filosofia sobre os sofistas, o relativismo de Protágoras e a retórica para o ENEM, com questões e gabarito comentado. Um apoio para trabalhar conhecimento, persuasão e democracia em sala.
Os sofistas foram pensadores e mestres da Grécia Antiga associados ao ensino da retórica e da argumentação. Protágoras expressa uma perspectiva relativista ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas”: conhecimentos e valores são compreendidos a partir de perspectivas humanas, sem um critério absoluto exterior. Para o ENEM, é importante relacionar essas ideias à persuasão, à ética e à participação democrática.
Quando trabalho Os Sofistas (Relativismo e Retórica) com turmas que se preparam para o ENEM, procuro aproximar conceitos que às vezes aparecem separados: a ideia de que o conhecimento depende de perspectivas humanas e o papel da persuasão nos debates públicos. Em Filosofia, a máxima de Protágoras — “o homem é a medida de todas as coisas” — é uma boa entrada para discutir o relativismo sem reduzi-lo a uma frase decorada.
Também observo que as questões podem pedir mais do que a identificação de um conceito. É preciso ler a situação, distinguir convencer de demonstrar e pensar nas consequências éticas da comunicação. Reuni aqui uma revisão do tema, propostas de trabalho e oito questões com alternativas comentadas para você usar como estudo, atividade ou diagnóstico.
O que o aluno de ENEM precisa saber sobre Os Sofistas (Relativismo e Retórica)
Para o ENEM, é importante compreender que os sofistas atuaram como professores e mestres da retórica na Grécia antiga, ensinando habilidades de argumentação úteis à participação na vida pública. Em Protágoras, a máxima “o homem é a medida de todas as coisas” expressa o relativismo: conhecimentos, avaliações e valores são considerados a partir da experiência e da perspectiva humanas, e não de um padrão absoluto exterior que valha de modo independente de qualquer sujeito ou comunidade. Isso não equivale a afirmar que todos percebem a realidade da mesma maneira, nem que qualquer opinião esteja automaticamente bem fundamentada. A retórica, por sua vez, é a arte de organizar e apresentar discursos para persuadir uma audiência, levando em conta argumentos, contexto e público. Em uma democracia, essa técnica pode ampliar a participação e a defesa de posições, mas também exige reflexão ética: a eficácia de um discurso não garante, por si só, que seja verdadeiro ou justo. É útil comparar essa ênfase persuasiva com a investigação crítica associada ao método socrático.
O que ele precisa saber antes
Antes de propor as questões, reviso alguns conhecimentos que ajudam a turma a acompanhar os enunciados. O primeiro é o sentido de relativismo epistemológico: a relação entre o conhecimento e a perspectiva de quem conhece. A ideia não deve ser confundida com a afirmação de que as percepções de todas as pessoas são idênticas. Também é necessário conhecer, em linhas gerais, a filosofia de Protágoras e a máxima que lhe é atribuída.
Para as questões de retórica, vale retomar técnicas de persuasão e o contexto da retórica clássica, em que falar em público tinha importância política. A turma se beneficia ainda de uma noção básica de democracia, debate e ética, além de saber que Sócrates investigava opiniões por meio do diálogo e da problematização. Nas questões contemporâneas, como a que trata de redes sociais, o pré-requisito é reconhecer a responsabilidade envolvida no compartilhamento de informações e a importância de verificar fontes. Não é preciso transformar essa preparação em uma longa revisão histórica: poucos conceitos bem delimitados ajudam a ler os distratores com atenção.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nas questões sobre Protágoras é trocar relativismo por exclusividade: interpretar a frase como se a verdade só pudesse ser acessada por uma elite. Outro caminho equivocado é marcar uma alternativa que transforma a perspectiva humana em percepção igual para todos. O ponto central é justamente que avaliações podem variar entre sujeitos e contextos. Também aparece a confusão entre uma verdade relativa a perspectivas humanas e uma verdade absoluta, imutável e universal.
Nas questões de retórica, o distrator pode parecer convincente quando associa persuasão a manipulação ou, no sentido inverso, quando trata toda fala persuasiva como necessariamente justa. A retórica pode contribuir para a participação democrática, mas seu poder de convencer não assegura a qualidade ética ou factual do argumento. Outra confusão é supor que a abordagem sofista e o método socrático são idênticos: a primeira enfatiza a eficácia persuasiva; o segundo, a investigação crítica das opiniões.
Na questão sobre redes sociais, o distrator mais provável opõe liberdade de expressão à verificação. Essa leitura deixa de lado a responsabilidade de quem compartilha informações. Já na questão sobre a distribuição de água, é importante não confundir relativismo com uma razão individual abstrata que chegaria à mesma resposta em qualquer situação. O enunciado destaca perspectivas humanas, condições e critérios de pessoas e comunidades, sem dizer que qualquer opinião é igualmente bem fundamentada.
Como trabalhar em sala
- Comece pela máxima: escreva ou projete a frase de Protágoras e peça que a turma a reescreva em palavras próprias. Depois, compare as interpretações e discuta quais delas tratam de perspectivas humanas e quais introduzem, sem apoio, uma verdade absoluta ou uma percepção igual para todos.
- Faça um mapa de conceitos no quadro: organize “relativismo”, “perspectiva”, “retórica”, “persuasão”, “democracia” e “ética” com setas e exemplos breves. A turma pode sugerir as conexões, enquanto você verifica se retórica está sendo confundida com manipulação ou se relativismo está sendo tomado como ausência de critérios.
- Promova um debate curto com regras simples: proponha uma questão pública adequada à turma e distribua posições diferentes. Combine tempo equivalente para cada fala e peça que os estudantes identifiquem argumento, estratégia de persuasão e público a quem o discurso se dirige. O objetivo é analisar a forma do discurso, não premiar quem fala mais alto.
- Compare duas formas de debate: apresente uma situação em que alguém tenta convencer a audiência e outra em que participantes fazem perguntas para examinar uma opinião. A turma pode relacionar a primeira à ênfase retórica sofista e a segunda à investigação socrática, evitando caricaturas e observando o propósito de cada procedimento.
- Use um exercício de leitura crítica de informação: leve um exemplo breve de afirmação pública, sem expor estudantes ou compartilhar conteúdo duvidoso como fato. Peça que indiquem o que precisaria ser verificado, quais fontes seriam relevantes e por que liberdade de expressão não elimina a responsabilidade de conferir informações.
Essas propostas podem ser realizadas com quadro, caderno e materiais que você já tenha à disposição. Para ampliar o trabalho por habilidades, consulte também questões da habilidade EM13CHS102, questões da habilidade EM13CHS101, questões da habilidade EM13CHS504, questões da habilidade EM13CHS603 e questões da habilidade EM13CHS501.
Questões prontas de Os Sofistas (Relativismo e Retórica) para o ENEM (com gabarito comentado)
Nas questões a seguir, recomendo pedir que os estudantes justifiquem a alternativa escolhida com uma ideia do enunciado ou do conceito estudado. A correção comentada ajuda a mostrar por que os distratores parecem plausíveis e onde se afastam do tema.
1. Protágoras afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Com base nessa afirmação, identifique o princípio filosófico que ela expressa.
- ❌ A) Protágoras apoiava a ideia de que a verdade é acessível apenas à elite intelectual. Errada: a frase não reserva o julgamento a um grupo seleto; essa alternativa troca a centralidade da perspectiva humana por uma exclusividade que não está expressa nela.
- ❌ B) Ele defendia que as leis da natureza são sempre superiores às opiniões humanas. Errada: a alternativa inverte a ênfase da máxima, que coloca em destaque a experiência e o julgamento humanos.
- ❌ C) A afirmação sugere que cada homem possui a mesma percepção da realidade. Errada: o relativismo associado a Protágoras permite que percepções e avaliações variem; não afirma que todos percebem do mesmo modo.
- ❌ D) Protágoras argumentava que as verdades são absolutas, imutáveis e universais. Errada: essa leitura contraria a ideia de que os juízos dependem de perspectivas humanas.
- ✅ E) Relativismo epistemológico e moral: verdades e valores dependem do ponto de vista humano. Correta: a alternativa identifica a relação entre conhecimento, avaliação e perspectiva humana que caracteriza o relativismo associado a Protágoras.
2. Qual técnica retórica típica dos sofistas consiste em ajustar tom e argumentos conforme as expectativas do público para obter persuasão?
- ❌ A) Focar unicamente em técnicas lógicas, desconsiderando a emoção da audiência. Errada: a questão pergunta pela adaptação ao público; ignorar a audiência não descreve essa técnica persuasiva.
- ✅ B) A adaptação persuasiva: modular discurso e exemplos segundo valores e emoções da audiência. Correta: adequar argumentos, tom e exemplos ao público é uma característica da prática retórica descrita.
- ❌ C) A imposição de uma verdade absoluta que não permite discussão. Errada: impor uma verdade sem debate não corresponde à adaptação do discurso para persuadir uma audiência.
- ❌ D) A utilização de argumentos baseados apenas em dados estatísticos e científicos. Errada: o advérbio “apenas” restringe indevidamente a retórica; a questão trata da adequação do discurso ao público, não de uma única classe de evidências.
- ❌ E) Falar de forma monótona e sem variação de tom ou estilo. Errada: a alternativa descreve ausência de adaptação, o oposto do ajuste de tom e argumentos pedido no enunciado.
3. Qual é a tese central atribuída a Protágoras pela expressão “o homem é a medida de todas as coisas” em relação ao conhecimento e aos valores?
- ❌ A) Somente as leis da cidade definem o que é verdadeiro e valioso. Errada: a alternativa reduz a tese a um legalismo centrado na pólis; o relativismo mencionado se refere à percepção e ao julgamento humanos de modo mais amplo.
- ❌ B) A verdade é ditada por leis divinas imutáveis, não pela percepção humana. Errada: a resposta atribui a fonte da verdade a um padrão imutável externo, enquanto a máxima enfatiza a medida humana.
- ✅ C) A verdade e os valores dependem da percepção humana; não existe medida absoluta. Correta: a alternativa expressa a tese relativista associada a Protágoras, segundo a qual juízos e valores devem ser compreendidos a partir de perspectivas humanas.
- ❌ D) Os sentidos não servem; apenas o raciocínio puro consegue chegar à verdade. Errada: a alternativa não decorre da máxima e opõe a ela uma posição que desconsidera a experiência humana.
- ❌ E) A verdade é objetiva e existe independentemente das opiniões humanas. Errada: essa opção contradiz diretamente a ideia de que o ser humano é a medida do conhecimento e dos valores.
4. Qual é uma consequência político-ética da ênfase dos sofistas na retórica e na persuasão em contextos democráticos?
- ✅ A) A primazia da persuasão pode deslocar a verdade, privilegiando eficácia retórica sobre princípios morais e critérios objetivos de justiça. Correta: a capacidade de convencer pode tornar-se mais influente que a qualidade das justificativas, o que traz uma questão ética para a deliberação democrática.
- ❌ B) O foco na retórica ignora completamente a participação cidadã no debate. Errada: a retórica está relacionada à atuação em debates públicos; não se pode concluir que ela ignore a participação cidadã.
- ❌ C) A ênfase na retórica leva à uniformidade de pensadores e ideias na democracia. Errada: a alternativa afirma uma consequência que não é sustentada pelo enunciado; a persuasão não implica, por si só, uniformidade de opiniões.
- ❌ D) O discurso persuasivo dos sofistas buscava eliminar a deliberação democrática. Errada: a questão aborda a persuasão em contextos democráticos, não a eliminação do debate e da deliberação.
- ❌ E) Sofistas incentivavam ações ilegais para manipular a opinião pública. Errada: a opção atribui uma prática ilegal sem base no conteúdo da questão, que trata das consequências políticas e éticas da retórica.
5. Em que sentido a ênfase sofista na techne retórica pode fortalecer a convivência democrática?
- ❌ A) Limitar a retórica à persuasão em contextos religiosos apenas. Errada: a alternativa restringe a retórica a um campo que não corresponde à pergunta sobre convivência democrática e debate público.
- ❌ B) Aumentar a capacidade de enganar e manipular a opinião pública. Errada: essa opção reduz toda retórica à manipulação e ignora a possibilidade de argumentar, defender posições e participar de discussões.
- ❌ C) Reduzir a participação cidadã ao silenciar vozes divergentes. Errada: silenciar divergências não fortalece a convivência democrática; a participação pressupõe que argumentos possam ser apresentados e contestados.
- ✅ D) Capacitar cidadãos a formular e defender argumentos, aumentando participação deliberativa e negociação pública. Correta: a retórica pode oferecer recursos para que cidadãos expressem posições e participem da deliberação e da negociação pública.
- ❌ E) Focar apenas na eloquência, sem se preocupar com o conteúdo argumentativo. Errada: a alternativa separa a forma do conteúdo de maneira absoluta. A defesa de argumentos exige considerar o que se afirma, e não somente a eloquência.
6. Qual característica distingue a retórica sofista do método socrático na condução de debates públicos e políticos?
- ❌ A) Sofistas ensinavam apenas poesia e não participavam de debates públicos. Errada: a alternativa apresenta uma descrição que contradiz a atuação dos sofistas como professores de retórica e participantes da vida pública.
- ❌ B) Sócrates defendia que toda opinião é igualmente válida e não deve ser investigada. Errada: o método socrático examina opiniões por meio de perguntas; não propõe aceitá-las sem investigação.
- ❌ C) O método socrático usa técnicas retóricas para derrotar adversários políticos. Errada: essa descrição transforma a investigação socrática em uma estratégia de vitória política, em vez de destacar o exame crítico e o esclarecimento de ideias.
- ❌ D) A retórica sofista rejeita persuasão e busca apenas demonstrar verdades lógicas. Errada: a opção nega justamente a importância da persuasão na retórica sofista.
- ✅ E) A retórica sofista prioriza a eficácia persuasiva enquanto o método socrático busca investigação crítica da verdade. Correta: a alternativa sintetiza a diferença solicitada, sem confundir o objetivo persuasivo com a investigação dialógica de opiniões e conceitos.
7. Em uma discussão sobre a ética nas redes sociais, um grupo de jovens debate se é aceitável compartilhar informações não verificadas. Quais princípios éticos devem ser considerados para essa prática?
- ❌ A) A liberdade de expressão deve prevalecer sobre a veracidade das informações. Errada: a liberdade de expressão não elimina a responsabilidade de verificar aquilo que se compartilha.
- ✅ B) A verificação das fontes é essencial para a ética da informação. Correta: conferir fontes ajuda a agir com responsabilidade ao divulgar informações e evita tratar popularidade ou aparência de certeza como prova.
- ❌ C) Informações irrelevantes não precisam ser verificadas. Errada: a relevância não transforma uma informação não confirmada em informação verdadeira; a alternativa não responde adequadamente à responsabilidade ética em debate.
- ❌ D) A ética é subjetiva e não há necessidade de padrões. Errada: essa opção usa uma leitura simplificada do relativismo para dispensar qualquer critério de responsabilidade, conclusão que não decorre da discussão sobre Protágoras.
- ❌ E) A opinião popular pode substituir a necessidade de verificação. Errada: ser popular não comprova que uma informação seja verdadeira; a alternativa confunde aceitação com verificação.
8. Durante um debate sobre a distribuição de água em uma cidade, dois grupos defenderam critérios diferentes para definir o que seria uma divisão justa. Um estudante afirmou que apenas uma regra independente das opiniões humanas poderia decidir o conflito. O professor retomou a máxima atribuída ao sofista Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”. No contexto da sofística, essa formulação desloca para a experiência e para a avaliação humanas o critério de conhecimento e de julgamento, em vez de pressupor um padrão absoluto exterior às pessoas e às comunidades. Com base no texto, a máxima de Protágoras implica que o conhecimento e as normas devem ser compreendidos como:
- ❌ A) Imutáveis e objetivos, porque valores estéticos não dependem de avaliações humanas. Errada: além de atribuir imutabilidade e objetividade aos valores, a alternativa restringe a discussão à estética, embora o texto trate de conhecimento, normas e justiça.
- ❌ B) Fundados em critérios universais, válidos independentemente de culturas e experiências humanas. Errada: a alternativa propõe um padrão independente das perspectivas humanas, justamente o que o texto contrasta com a máxima de Protágoras.
- ❌ C) Independentes do contexto social, pois a razão individual alcança a mesma verdade em qualquer situação. Errada: o enunciado destaca a diversidade de avaliações entre pessoas e comunidades, não uma razão individual idêntica em todas as circunstâncias.
- ✅ D) Dependentes de perspectivas humanas, sem um critério absoluto exterior para determinar sua validade. Correta: a resposta acompanha a explicação do texto. Conhecimentos e normas são compreendidos em relação às experiências, condições e avaliações humanas, sem concluir que qualquer opinião seja automaticamente bem fundamentada.
- ❌ E) Restritos às práticas jurídicas, sem relação necessária com escolhas morais ou valores coletivos. Errada: o enunciado aborda critérios de conhecimento e julgamento em sentido amplo, incluindo a discussão sobre justiça, e não apenas leis ou práticas jurídicas.
Fechamento: transforme a revisão em prática
Depois da correção, peça que a turma explique por que uma alternativa está certa e por que um distrator atraiu sua atenção. Esse passo ajuda a consolidar a diferença entre relativismo, arbitrariedade e verdade absoluta, além de conectar retórica, ética e participação democrática. Você pode montar uma sequência curta de questões ou adaptar a revisão ao tempo disponível usando o gerador de provas do GeraProva. Para criar sua conta, acesse o cadastro grátis.
Use as questões como ponto de partida e ajuste a atividade ao percurso da sua turma. No GeraProva, você pode preparar avaliações e organizar a revisão de Filosofia com mais praticidade.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Os Sofistas (Relativismo e Retórica), com resolução comentada e análise de cada alternativa.
