Atividades de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito
Atividades de Geografia para a 1ª série do Ensino Médio sobre ocupação do espaço e formação de territórios. Confira oito questões com gabarito comentado e temas alinhados à habilidade EM13CHS204.
Ocupação do espaço e formação de territórios são processos ligados às ações de diferentes agentes, às relações de poder e aos usos econômicos, sociais e culturais dos lugares. Para a 1ª série do Ensino Médio, atividades com gabarito ajudam a analisar conflitos territoriais, fronteiras, regras de uso do solo e a atuação do Estado, do mercado e das comunidades.
Quando trabalho ocupação do espaço e formação de territórios com a 1ª série do Ensino Médio, procuro aproximar os conceitos de situações que os estudantes conseguem observar: uma cerca que altera a passagem, uma regra municipal de uso do solo ou uma obra que muda os deslocamentos. Assim, a conversa não fica restrita a decorar definições. O ponto é perceber quem participa da produção do espaço e como diferentes interesses e relações de poder interferem nos usos e nos limites dos lugares.
Na minha experiência, vale alternar a leitura de situações concretas com a retomada cuidadosa dos conceitos. Uma propriedade registrada, uma fronteira legal e uma territorialidade criada por regras de circulação não são a mesma coisa. As questões a seguir ajudam a explorar essas diferenças, identificar agentes públicos, privados e comunitários e discutir como processos econômicos, sociais, culturais e ambientais participam da formação dos territórios.
O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Ocupação do Espaço e Formação de Territórios
Para compreender a ocupação do espaço e a formação de territórios, o estudante precisa reconhecer que o espaço geográfico é produzido e transformado pelas relações entre sociedade e natureza ao longo do tempo. Território não se limita a uma área desenhada no mapa ou a uma propriedade com limites registrados: envolve apropriação, controle, uso e relações de poder, que podem ser exercidas por agentes estatais, empresas, comunidades e outros grupos. Por isso, é importante distinguir fronteiras oficiais, definidas por normas e instituições, de limites funcionais ou sociais, que também condicionam a circulação e o acesso. A ocupação pode envolver atividades econômicas, infraestrutura, práticas culturais e formas coletivas de uso dos recursos. Esses processos nem sempre acontecem sem conflito: interesses distintos podem disputar a terra, os caminhos, os recursos e as decisões sobre o território. Na análise de uma situação, o aluno deve localizar os agentes envolvidos, identificar suas ações e relacioná-las às mudanças nos usos e nos limites do espaço.
O que ele precisa saber antes
As questões pressupõem que a turma tenha contato com o conceito geográfico de território e territorialidade, além de noções sobre relações de poder e espaço. Também ajudam conhecimentos básicos sobre espaço urbano, fronteiras políticas e competências dos entes federativos, especialmente a atuação municipal no planejamento urbano e no zoneamento do solo. Para interpretar os textos, é necessário localizar informações explícitas e distinguir agentes sociais, privados e estatais, assim como suas ações: autorizar, negociar, financiar, controlar acessos ou denunciar. Não é preciso dominar todos os detalhes jurídicos de cada caso; o essencial é reconhecer quem age e que efeito essa ação tem sobre o uso e o controle do espaço.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nas questões é reduzir território a limites fundiários e propriedade privada, como se a matrícula ou a cerca explicasse sozinha todos os usos e direitos construídos naquele espaço. Essa leitura deixa de lado as práticas comunitárias, os usos tradicionais e as relações sociais envolvidas. Também é comum confundir a fronteira oficial, estabelecida por um órgão estatal, com uma reivindicação, uma denúncia ou uma marcação feita por outros agentes. Em questões de leitura, o estudante pode ainda misturar as funções de quem autoriza, financia, oferece capacitação e negocia um projeto. Outro cuidado é não atribuir mudanças espaciais apenas ao clima, ao crescimento populacional ou à infraestrutura: é preciso relacionar esses elementos às decisões, aos interesses e às disputas descritas. Nas comparações, observe se o limite é administrativo, funcional, social ou ligado ao uso comum.
Como trabalhar em sala
- Faça um mapa de usos do entorno. Em uma folha, a turma pode representar caminhos, áreas de circulação, espaços de comércio e locais de acesso controlado que conheça. O objetivo não é registrar endereços pessoais, mas observar que regras e usos também organizam o espaço.
- Compare dois tipos de limite. Apresente um exemplo de fronteira oficial e outro de limite funcional, como uma zona de incentivo econômico ou uma área com acesso controlado. Peça aos alunos que indiquem quem define cada regra e que efeitos ela pode produzir.
- Distribua papéis para analisar um conflito. Em grupos, os estudantes podem representar os agentes de uma situação: comunidade, poder público, proprietários e empresa. Cada grupo identifica seu interesse e propõe uma decisão, considerando os usos existentes e as consequências para os demais.
- Leia o texto com marcação de agentes. Peça que sublinhem quem toma cada ação e usem cores diferentes para agentes estatais, privados e comunitários. Depois, relacionem cada ação ao efeito no território. Essa estratégia ajuda a não confundir autorização com negociação ou financiamento.
- Feche com justificativas curtas. Em vez de pedir apenas a alternativa escolhida, solicite uma frase que explique por que ela é adequada e por que um distrator plausível não se aplica. A turma pratica a leitura de evidências sem precisar de materiais especiais.
Questões prontas de Ocupação do Espaço e Formação de Territórios para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
1. Babaçuais, usos tradicionais e decisões sobre o território
“Quando as cercas fecharam os caminhos, não foi apenas a passagem que mudou”, afirmou uma quebradeira de coco em audiência pública no Maranhão. Famílias recolhem babaçu há gerações em áreas hoje divididas entre propriedades rurais. Do fruto, produzem óleo e sabão para vender em feiras, e os deslocamentos entre palmeirais sustentam redes de ajuda e transmissão de saberes. Proprietários pretendem restringir o acesso e ampliar a venda do coco para uma indústria. Moradores defendem uma norma municipal inspirada em iniciativas de livre acesso ao babaçu e exigem participação nas decisões sobre a derrubada das palmeiras. Para eles, os limites das fazendas não expressam todos os usos construídos naquele espaço. Qual medida pública reconhece o território como resultado de relações históricas, econômicas, culturais e ambientais?
- ❌ A) Garantir a exclusividade dos proprietários sobre os babaçuais e a venda industrial dos frutos. Está errada porque ignora os usos coletivos e as relações sociais descritas.
- ❌ B) Garantir limites fundiários fixos, pois eles definem sozinhos os direitos de uso do espaço. Está errada porque a propriedade e seus limites não esgotam as territorialidades construídas por usos históricos.
- ✅ C) Garantir o acesso negociado aos babaçuais e a participação comunitária nas decisões sobre seu uso. Correta: reconhece os usos coletivos, o trabalho, os saberes locais e a importância de preservar os palmeirais.
- ❌ D) Garantir o isolamento dos babaçuais, pois sua preservação depende da ausência de atividades humanas. Está errada porque apresenta sociedade e natureza como opostas e desconsidera práticas de extrativismo e manejo.
- ❌ E) Garantir a substituição dos palmeirais por cultivos comerciais de maior rendimento econômico. Está errada porque considera somente a rentabilidade imediata e deixa de lado os vínculos sociais, culturais e ambientais.
2. Quem regula o uso do solo periurbano?
Qual esfera administrativa é responsável principalmente pelo zoneamento e pela regulação do uso do solo periurbano?
- ❌ A) O governo federal, por meio de leis nacionais. Está errada porque a responsabilidade pelo zoneamento e pelo planejamento local é principalmente municipal.
- ❌ B) Organizações não governamentais, por meio de petições. Está errada porque uma ONG pode apresentar reivindicações, mas não tem autoridade para definir o zoneamento.
- ✅ C) A esfera municipal, por meio do plano diretor e de leis municipais de uso do solo. Correta: esses instrumentos organizam o planejamento urbano e orientam os usos do solo, inclusive em áreas periurbanas.
- ❌ D) As empresas privadas, por meio de acordos comerciais. Está errada porque acordos privados não substituem a competência pública de regular o uso do solo.
- ❌ E) A esfera estadual, por meio de secretarias regionais. Está errada porque confunde normas e atuações de outras esferas com o planejamento municipal do uso local do solo.
3. Agentes envolvidos em um projeto de energia solar
Um levantamento de 2025 relata a implantação de um complexo solar fotovoltaico no sertão nordestino. Um consórcio privado internacional conduziu o processo e negociou arrendamentos com proprietários locais. A agência reguladora federal autorizou o projeto; organizações não governamentais ofereceram cursos; bancos multilaterais financiaram parte dos investimentos. Associações de agricultores familiares mantiveram parte das áreas para cultivo de subsistência. Qual agente negociou os arrendamentos com os proprietários locais?
- ✅ A) O consórcio privado internacional. Correta: o texto atribui diretamente a ele a negociação dos arrendamentos.
- ❌ B) Os bancos multilaterais que financiaram parte do projeto. Está errada porque financiar não é o mesmo que negociar os arrendamentos.
- ❌ C) A agência reguladora federal. Está errada porque sua função descrita foi autorizar o projeto, não negociar com os proprietários.
- ❌ D) As organizações não governamentais. Está errada porque elas ofereceram cursos de capacitação, e não conduziram a negociação.
- ❌ E) As associações de agricultores familiares. Está errada porque o texto relata que elas mantiveram áreas de cultivo, não que negociaram os arrendamentos.
4. Demarcação legal e atuação do Estado
Em um território no norte do Brasil, um relatório registra que uma agência federal concluiu a demarcação legal de áreas tradicionalmente ocupadas por uma comunidade indígena. Proprietários rurais reivindicam terras para cultivo; organizações de direitos humanos documentam invasões; o governo municipal autoriza licenças para pequenos agricultores; lideranças indígenas instalam placas para reforçar sua presença histórica. Qual ação ilustra o papel de um agente estatal na formação de fronteiras territoriais?
- ❌ A) O governo municipal autorizou licenças para pequenos agricultores. Está errada porque a autorização permite determinados usos, mas não é apresentada como delimitação oficial do território.
- ❌ B) Organizações não governamentais denunciaram invasões. Está errada porque documentar e denunciar conflitos não equivale a estabelecer legalmente uma fronteira.
- ❌ C) Lideranças indígenas instalaram placas para marcar a presença da comunidade. Está errada porque essa ação afirma a presença comunitária, mas não é a demarcação estatal descrita.
- ❌ D) Proprietários rurais reivindicaram áreas para ampliar o cultivo. Está errada porque se trata de uma reivindicação de agentes privados, não de uma delimitação oficial do Estado.
- ✅ E) A agência federal estabeleceu legalmente os limites das terras tradicionalmente ocupadas. Correta: a demarcação define oficialmente os limites e exemplifica a atuação estatal.
5. Controle de circulação e fronteira social no bairro
Em um bairro de uma capital, uma via que ligava dois conjuntos residenciais recebeu cancelas e guaritas após a entrega de um condomínio. Visitantes precisam se identificar, entregas entram em horários definidos e o ônibus deixou de atravessar a área. A prefeitura informa que a rua continua registrada como bem público, embora tenha permitido o controle de acesso. A associação do condomínio organizou regras internas e contratou segurança privada. Qual agente, ao regular a circulação cotidiana, produz mais diretamente uma fronteira social, mesmo sem alterar o limite administrativo oficial?
- ❌ A) A universidade ao mapear o uso do solo e divulgar relatórios técnicos. Está errada porque produzir conhecimento sobre o espaço não significa controlar o acesso ou impor regras de circulação.
- ❌ B) A construtora ao ampliar a oferta de apartamentos. Está errada porque a construção influencia a produção imobiliária, mas o enunciado destaca o controle cotidiano dos acessos.
- ❌ C) A empresa de transporte ao alterar o trajeto do ônibus. Está errada porque a mudança aparece como consequência do controle de circulação, não como a ação central que impõe as regras locais.
- ✅ D) A associação de moradores ao controlar acessos e impor regras de circulação. Correta: suas regras de entrada, permanência e uso criam uma fronteira de fato, ainda que a rua continue formalmente pública.
- ❌ E) A prefeitura ao redefinir os limites oficiais do bairro. Está errada porque o texto informa que o registro oficial não mudou; confunde fronteira social com limite administrativo.
6. Territorialidade de uso comum e regras comunitárias
No povoado fictício de Serra do Umbuzeiro, famílias soltam o gado em uma mesma área de caatinga usada há décadas como pasto coletivo. Reuniões definem épocas de entrada e saída dos animais, pontos de aguada e passagens que não podem ser cercadas. Fazendas vizinhas ampliaram cercas; a associação local registra rotas tradicionais e solicita mediação de instituições, sem alterar os limites do município. Qual ocorrência expressa, por analogia, uma territorialidade de uso comum sustentada por regras costumeiras e negociação institucional?
- ✅ A) Regras comunitárias para acesso a uma área de extrativismo, com mapeamento e mediação estatal diante de cercas. Correta: reúne uso comum, organização comunitária e negociação com instituições.
- ❌ B) Uma fronteira entre países definida por tratado ratificado pelos parlamentos. Está errada porque trata de uma fronteira interestatal formal, em outra escala e com outra forma de organização territorial.
- ❌ C) Um perímetro de segurança comercial com entrada controlada por uma empresa. Está errada porque descreve controle privado voltado ao consumo, não uma territorialidade comunitária de uso comum.
- ❌ D) Novos limites municipais estabelecidos por lei estadual. Está errada porque altera uma fronteira político-administrativa, enquanto o caso se organiza sem mudar os limites do município.
- ❌ E) Uma zona desmilitarizada criada por missão internacional. Está errada porque envolve controle geopolítico e militar, não regras costumeiras de uso de recursos por uma comunidade local.
7. Limites definidos pela prefeitura e por uma plataforma
Em uma capital, a prefeitura criou um perímetro de incentivo para atrair empresas: dentro dele há desconto de impostos e prioridade para licenças. Ao mesmo tempo, entregadores relatam que um aplicativo divide a cidade em zonas com diferentes bônus e oferta de pedidos; essas zonas mudam e não seguem necessariamente os limites de bairros. Qual interpretação compara melhor a formação dessas territorialidades urbanas?
- ❌ A) Ambos são limites apenas administrativos, sem efeito sobre circulação, preços ou atividades. Está errada porque as regras descritas alteram incentivos e oportunidades, produzindo efeitos concretos no espaço.
- ❌ B) Ambos são fronteiras fixas, definidas por acordos comunitários permanentes. Está errada porque o perímetro resulta de uma decisão política e as zonas do aplicativo podem mudar.
- ✅ C) São fronteiras funcionais, definidas por regras de agentes distintos que regulam acesso e vantagens no território. Correta: a prefeitura estabelece incentivos legais, enquanto a plataforma distribui chamadas por georregras.
- ❌ D) São fronteiras naturais definidas pelo relevo. Está errada porque o texto descreve decisões políticas e regras de um sistema, não formas do relevo.
- ❌ E) São fronteiras culturais definidas por tradições de moradores antigos. Está errada porque os critérios apresentados são incentivos fiscais e regras da plataforma, não identidades culturais locais.
8. Infraestrutura, mercado de terras e disputas no Cerrado
Após a pavimentação de uma rodovia que liga cidades médias a um porto, o tempo de viagem caiu e surgiram armazéns de grãos. Corretores passaram a oferecer contratos de compra e venda de terras, enquanto cartórios registraram mais pedidos de retificação de limites. Famílias que vivem de coleta, roças e uso comum de veredas relataram cercamentos. Organizações locais pediram o reconhecimento de uma área tradicional e fiscalização do desmatamento. A prefeitura aprovou zoneamento que ampliou a área agroindustrial. Qual explicação relaciona melhor a ocupação do espaço à formação de territórios e fronteiras?
- ❌ A) A mudança decorre sobretudo do clima local, que define onde a agricultura pode se instalar. Está errada porque deixa de considerar a rodovia, o mercado de terras, o zoneamento e as disputas descritas.
- ✅ B) O território se redefine pela articulação entre Estado, mercado de terras e grupos locais em disputa por controle. Correta: infraestrutura, registros, zoneamento e organização comunitária mostram agentes distintos produzindo mudanças e territorialidades.
- ❌ C) A área se torna culturalmente unificada, pois a chegada de produtores elimina diferenças de uso. Está errada porque apaga a coexistência e o conflito entre agroindústria e usos comuns tradicionais.
- ❌ D) A rodovia é neutra, pois apenas acelera deslocamentos. Está errada porque ignora sua relação com a valorização das terras, a instalação de armazéns e as mudanças nos usos do espaço.
- ❌ E) Os conflitos resultam apenas do aumento populacional. Está errada porque reduz o processo a uma causa única e desconsidera contratos, registros, zoneamento e ação dos grupos envolvidos.
Para fechar: transforme a leitura em discussão geográfica
Ao corrigir, peça que os estudantes justifiquem as respostas com elementos dos enunciados. Esse passo mostra se conseguem diferenciar os agentes e relacionar ações a usos, limites e relações de poder. Você também pode consultar mais questões da habilidade EM13CHS204, montar uma atividade no gerador de provas do GeraProva ou fazer o cadastro grátis para preparar avaliações de acordo com o que trabalhou em aula.
Use as questões como ponto de partida e adapte a seleção ao percurso da sua turma. O GeraProva ajuda a organizar atividades e provas; a mediação do professor é que conecta cada questão à realidade e aos objetivos da aula.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Ocupação do Espaço e Formação de Territórios, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
