Por que um mesmo bairro pode ter regras diferentes para quem mora e para quem trabalha ali? Em uma capital…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que um mesmo bairro pode ter regras diferentes para quem mora e para quem trabalha ali? Em uma capital brasileira, a prefeitura aprovou um “perimetro de incentivo” para atrair empresas de tecnologia a antigos galpoes industriais. Dentro do poligono definido em mapa oficial, ha desconto de impostos e prioridade para licencas; fora dele, valem as regras comuns. Anuncios imobiliarios passaram a destacar a localizacao “dentro do perimetro”. Ao mesmo tempo, entregadores por aplicativo relatam que o celular exibe zonas coloridas: em algumas, ha bonus por corrida e maior oferta de pedidos; em outras, o sistema reduz chamadas. As zonas mudam sem aviso e nao seguem, necessariamente, os limites de bairros ou distritos conhecidos pelos moradores. Analise as duas situacoes e identifique a interpretacao que melhor compara como se formam territorialidades e limites no espaco urbano, considerando o papel dos agentes envolvidos.
- A) Relaciona ambos os casos a limites apenas administrativos, sem efeito pratico sobre circulacao, precos e distribuicao de atividades.
- B) Relaciona ambos os casos a fronteiras fixas, definidas por acordos comunitarios que impedem mudancas nos limites ao longo do tempo.
- C) Relaciona ambos os casos a fronteiras funcionais, definidas por regras de agentes distintos que regulam acesso e vantagens no territorio.
- D) Relaciona ambos os casos a fronteiras naturais, definidas pelo relevo que separa areas altas e baixas e orienta a ocupacao.
- E) Relaciona ambos os casos a fronteiras culturais, definidas espontaneamente por identidades locais e tradicoes de moradores antigos.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o que as duas situações têm em comum. No primeiro caso, a prefeitura cria um perímetro com desconto de impostos e prioridade para licenças, valendo apenas dentro do polígono. No segundo, aplicativos de entrega definem zonas com bônus ou redução de chamadas, que mudam sem aviso e não coincidem com bairros conhecidos.
- Note que, nos dois casos, o limite não é natural nem cultural: ele é traçado por agentes que decidem quem tem acesso a quais vantagens. A prefeitura é um agente público que regula o território por lei; a empresa de aplicativo é um agente privado que organiza a oferta e a demanda por meio de algoritmos.
- Como esses limites determinam acesso e benefícios, eles formam territorialidades funcionais, isto é, recortes definidos pela função e pelas regras que se aplicam dentro deles, e não pela paisagem ou pela tradição dos moradores. Por isso a alternativa C é a que melhor compara os dois casos.
- Por que as outras estão erradas. A: limites apenas administrativos ignoram justamente os efeitos práticos sobre preços, circulação e atividades, que são o centro dos dois casos. B: os limites mudam sem aviso e são definidos por agentes, não por acordos comunitários fixos. D: relevo não explica nenhum dos dois casos, que são construídos por decisões humanas. E: identidades culturais e tradições antigas não definem as zonas do aplicativo nem o perímetro da prefeitura.
💡 Dica: Compare os tipos de limites e agentes que definem as regras em cada situação.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que um limite só tem valor se for físico ou visível, e que regras administrativas não afetam o cotidiano urbano.
Por que engana: Confundir limites administrativos com fronteiras funcionais e não relacionar agentes que definem regras distintas.
O aluno supõe que todo limite territorial é estável e construído por consenso comunitário, ignorando que os dois casos mudam por decisão de agentes externos.
Prefeitura (norma legal) e plataforma (georregras) criam limites que condicionam usos, fluxos e oportunidades, ainda que nao sejam barreiras fisicas.
O aluno associa a formação de limites urbanos ao relevo, como se a topografia fosse o principal fator que separa áreas, sem considerar as decisões humanas descritas.
O aluno pensa que os limites surgem espontaneamente da identidade e da tradição dos moradores, confundindo territorialidade cultural com as zonas criadas por prefeitura e aplicativo.
Raio-X da questão
territorialidades e limites urbanos
diagnostico
conceito de territorialidade urbana · tipos de fronteiras urbanas
estude tipos de fronteiras e agentes territoriais urbanos
Confundir limites administrativos com fronteiras funcionais e não relacionar agentes que definem regras distintas.
educacao_ambiental
pensamento_critico
cotidiano
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