“Quando as cercas fecharam os caminhos, não foi apenas a passagem que mudou”, afirmou uma quebradeira de coco…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Quando as cercas fecharam os caminhos, não foi apenas a passagem que mudou”, afirmou uma quebradeira de coco em audiência pública no Maranhão. Famílias da região recolhem babaçu há gerações em áreas hoje divididas entre propriedades rurais. Do fruto, produzem óleo e sabão, comercializados em feiras locais, enquanto os deslocamentos entre palmeirais sustentam redes de ajuda e transmissão de saberes. Proprietários pretendem restringir o acesso e ampliar a venda do coco para uma indústria. Em resposta, moradores defendem uma norma municipal inspirada em iniciativas de livre acesso ao babaçu e exigem participação nas decisões sobre a derrubada das palmeiras. Para eles, os limites das fazendas não expressam todos os usos construídos naquele espaço. Analise o conflito apresentado e identifique a medida pública que reconhece o território como resultado de relações históricas, econômicas, culturais e ambientais.
- A) Garantir o acesso negociado aos babaçuais e a participação comunitária nas decisões sobre seu uso.
- B) Garantir a exclusividade dos proprietários sobre os babaçuais e a venda industrial dos frutos.
- C) Garantir limites fundiários fixos, pois eles definem sozinhos os direitos de uso do espaço.
- D) Garantir o isolamento dos babaçuais, pois sua preservação depende da ausência de atividades humanas.
- E) Garantir a substituição dos palmeirais por cultivos comerciais de maior rendimento econômico.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto descreve um conflito entre quebradeiras de coco, que usam o babaçu há gerações, e proprietários que querem restringir o acesso e vender o coco para a indústria. O enunciado afirma que os limites das fazendas não expressam todos os usos construídos naquele espaço, ou seja, o território é mais do que a divisão fundiária. Passo 2: A medida que reconhece o território como resultado de relações históricas, econômicas, culturais e ambientais é aquela que combina acesso negociado aos babaçuais com participação comunitária nas decisões sobre seu uso. Isso leva em conta a história de uso, a produção de óleo e sabão, as redes de ajuda e a transmissão de saberes, e a dimensão ambiental das palmeiras. Passo 3: A alternativa B está errada porque garante exclusividade aos proprietários, ignorando os usos tradicionais que o texto descreve. Passo 4: A alternativa C está errada porque fixar limites fundiários como única fonte de direitos é justamente o que os moradores contestam. Passo 5: A alternativa D está errada porque isola os babaçuais das atividades humanas, quando o texto mostra que a convivência com o uso tradicional faz parte da relação com o espaço. Passo 6: A alternativa E está errada porque substituir os palmeirais por cultivos comerciais destrói a base econômica e cultural descrita no texto. Passo 7: Conclusão: o gabarito A está correto, pois é a única alternativa que reconhece a pluralidade de usos e a participação das comunidades.
💡 Dica: Relacione os usos tradicionais e as formas de organização local à participação nas decisões sobre o território.
Alternativa por alternativa
A medida reconhece usos coletivos historicamente construídos, trabalho, saberes e preservação dos palmeirais, sem reduzir o espaço à propriedade privada.
O aluno entende que a propriedade privada da terra prevalece sobre qualquer outro uso e que a venda industrial é o aproveitamento mais legítimo do babaçu.
O aluno acredita que os limites das propriedades, por estarem registrados, definem sozinhos todos os direitos sobre o espaço, ignorando os usos históricos mencionados no texto.
Por que engana: Confundir território apenas com limites fundiários e propriedade privada, ignorando os usos tradicionais, as relações comunitárias e a participação social na gestão dos recursos.
O aluno associa conservação ambiental ao isolamento total da área e à ausência humana, sem perceber que o texto trata de uso tradicional sustentável como parte do território.
O aluno pensa que o maior rendimento econômico é o critério para decidir o uso da terra e não percebe que o texto valoriza os usos sociais, culturais e ambientais já existentes.
Raio-X da questão
Território e relações socioespaciais
avaliacao
Conceito geográfico de território · Relações de poder e espaço
Revise território como construção histórica e social, considerando relações de poder, usos econômicos, práticas culturais e aspectos ambientais.
Confundir território apenas com limites fundiários e propriedade privada, ignorando os usos tradicionais, as relações comunitárias e a participação social na gestão dos recursos.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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