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Atividades de Globalização e Neoliberalismo para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni questões comentadas para trabalhar Globalização e Neoliberalismo na 1ª série, relacionando o tema a disputas territoriais, poder e usos do espaço. Inclui gabarito e sugestões práticas para a aula de Sociologia.

Atividades de Globalização e Neoliberalismo para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho Globalização e Neoliberalismo com a 1ª série do Ensino Médio, procuro partir de situações reconhecíveis: a circulação de mercadorias, a atuação de empresas, as decisões do poder público e os efeitos dessas relações sobre os espaços e os grupos sociais. O desafio é não deixar os conceitos soltos nem reduzir o tema a uma lista de definições. Para a turma, ajuda perceber que processos econômicos amplos também se expressam em decisões locais, como quem controla um terreno, quem pode acessar um lugar e quais interesses são considerados no planejamento.

Nas questões desta seleção, o foco passa por globalização, conflitos territoriais e diferentes formas de territorialidade. Algumas situações permitem aproximar essas discussões da organização econômica e da atuação de empresas, sem tratar neoliberalismo como explicação automática para todo conflito. Eu uso os itens para observar como os estudantes interpretam textos, distinguem agentes e relacionam conceitos sociológicos a situações concretas.

O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Globalização e Neoliberalismo

Na 1ª série, o aluno precisa compreender que globalização envolve a intensificação de conexões entre diferentes lugares por meio de fluxos econômicos, culturais, políticos e informacionais. Esses fluxos não eliminam as desigualdades nem tornam os territórios iguais: empresas, governos e grupos sociais têm recursos e poderes diferentes para influenciar a organização do espaço. Neoliberalismo, por sua vez, designa uma orientação político-econômica que valoriza mecanismos de mercado, concorrência e participação privada em atividades e serviços, embora suas formas concretas dependam de decisões políticas e contextos históricos. Em Sociologia, é importante relacionar essas ideias a situações observáveis, sem concluir que toda presença empresarial representa, por si só, uma política neoliberal. As questões aqui ampliam o olhar para disputas territoriais, usos coletivos, propriedade, regulação pública e ação de empresas e comunidades. Assim, a turma pode analisar como interesses econômicos e sociais se encontram, quem define regras de acesso e como diferentes grupos constroem vínculos com os espaços.

O que ele precisa saber antes

Antes de resolver os itens, vale retomar alguns conceitos básicos de Sociologia e o sentido de territorialidade social: território não é somente uma área desenhada no mapa; também envolve relações, usos, vínculos, regras e disputas. Para acompanhar as questões, é útil que os estudantes compreendam o que são bens comuns, propriedade e meios de produção, além de reconhecerem o papel de órgãos públicos na autorização ou regulação do uso dos espaços.

As questões também mobilizam referências a Marx, Weber e Durkheim. Não é necessário transformar a revisão em uma exposição extensa de teorias. O essencial é que a turma consiga relacionar, conforme cada enunciado, propriedade e relações sociais em Marx; dominação legal-racional em Weber; e referências compartilhadas por um grupo em Durkheim. Outros pré-requisitos são reconhecer formas de manifestação cultural indígena, diversidade étnico-cultural e conflitos territoriais, além de distinguir uma norma formal de práticas efetivas de ocupação.

Onde os alunos mais erram

Um equívoco recorrente indicado pelos itens é tratar propriedade formal como único critério para reconhecer vínculos com um território. Nas situações do mangue, da enseada e da horta comunitária, os grupos constroem relações com o espaço por meio do trabalho, do uso continuado, da memória e da organização coletiva, mesmo quando não possuem título individual. Isso não significa que qualquer uso substitua automaticamente a regulação pública; significa que a análise sociológica precisa considerar mais de uma dimensão.

Outro erro é imaginar que uma regra oficial determina, sozinha, todos os usos do espaço. Na questão sobre a estação, por exemplo, o decreto reorganiza acessos, mas comerciantes, moradores e a plataforma também interferem nos fluxos e nas práticas locais. O raciocínio falha quando transforma o Estado, a empresa ou as escolhas individuais em causa única. Também é importante separar poder de legitimidade: ocupar economicamente uma área não gera, por si só, autorização pública ou reconhecimento social.

Nas questões mais diretamente ligadas à globalização, um distrator provável é confundir qualquer acordo econômico ou político com conflito territorial. A saída do Reino Unido da União Europeia e a criação do Mercosul podem ser temas relevantes para discutir relações internacionais, mas o item pede um exemplo de disputa por território. Já na questão sobre dança indígena, reduzir a manifestação a ritual sem dimensão política ignora o contexto explicitado no enunciado: acampamento, reivindicação de terras tradicionais e protesto. Eu peço que os alunos voltem às pistas do texto antes de escolher.

Como trabalhar em sala

  • Comece por um mapa do cotidiano: peça à turma que identifique espaços usados por grupos diferentes — praça, feira, terminal, margem de rio ou terreno vazio. Conversem sobre regras de acesso e sobre quem participa das decisões, sem presumir que todo caso seja igual.
  • Faça uma leitura marcada dos enunciados: os alunos podem sublinhar agentes, interesses, regras e formas de uso coletivo. Depois, comparam quais elementos sustentam a alternativa correta e quais tornam os distratores inadequados.
  • Monte um quadro de conceitos: em poucas colunas, registrem globalização, neoliberalismo, territorialidade, propriedade e regulação pública. Acrescentem um exemplo do material a cada conceito e discutam onde há relação direta e onde é preciso evitar conclusões apressadas.
  • Promova um debate com papéis: grupos representam moradores, empresa e poder público em um caso fictício de disputa pelo acesso a uma área. A tarefa é apresentar interesses e propor uma forma de deliberação, diferenciando argumento de evidência presente no caso.
  • Feche com uma questão curta de saída: cada estudante explica em duas ou três frases a diferença entre delimitação oficial e territorialidade social, ou entre um fluxo da globalização e um conflito territorial. Isso ajuda a planejar a retomada seguinte.

Questões prontas de Globalização e Neoliberalismo para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

Os itens a seguir trabalham a habilidade questões da habilidade EM13CHS204. Embora nem todas tratem diretamente de neoliberalismo, elas ajudam a desenvolver a leitura crítica de globalização, território, poder e agentes sociais. Sugiro que os estudantes justifiquem a escolha com elementos do enunciado, não apenas com a letra do gabarito.

1. Bens comuns e disputa territorial no mangue

“Para nós, o mangue é lugar de trabalho e de memória”, afirma uma representante de pescadores artesanais. Em um caso hipotético, o governo estadual anuncia a concessão de uma área costeira para instalar um terminal logístico. A empresa responsável apresenta estudos ambientais e prevê empregos; a prefeitura apoia o projeto pela ampliação da arrecadação. A concessão inclui um perímetro de segurança que interrompe o acesso a um canal usado pelas famílias para pesca e transporte há décadas. Embora não possuam títulos individuais de propriedade, os moradores mantêm regras coletivas para o uso do mangue e propõem um acordo de gestão compartilhada. Na audiência pública, discutem-se tanto a infraestrutura planejada quanto os modos de vida que dependem daquele espaço. Analise a disputa à luz da noção marxiana de expropriação dos bens comuns e identifique a interpretação adequada.

  • ❌ A) Evidencia o fim do conflito, pois estudos ambientais tornam desnecessária a negociação. Está errada porque a avaliação técnica não elimina disputas sobre acesso, trabalho e uso coletivo.
  • ❌ B) Evidencia uma fronteira imutável. Está errada porque os limites e usos do território podem ser disputados e negociados por agentes sociais.
  • ✅ C) Evidencia a conversão de um uso coletivo em ativo econômico, reordenada pela ação articulada do Estado e da empresa. É a correta: concessão e bloqueio podem restringir práticas coletivas e redefinir o território.
  • ❌ D) Evidencia a preservação de um espaço natural, pois as práticas dos pescadores não constituem territorialidade. Está errada: regras, memórias e usos compartilhados também produzem territorialidade social.
  • ❌ E) Evidencia decisão exclusiva da empresa. Está errada porque governo e prefeitura também participam da organização do espaço costeiro.

2. Regras municipais e territorialidade urbana

Quando os portões da Estação Central passaram a fechar às 22 horas, o fluxo de pessoas mudou nas ruas próximas. A prefeitura criou permissões para barracas em uma praça e definiu pontos de embarque para motociclistas vinculados a aplicativos. Comerciantes licenciados ocuparam áreas movimentadas; vendedores sem autorização passaram a usar calçadas laterais. A empresa do aplicativo alterou seus mapas para concentrar retiradas em dois locais, enquanto uma associação de moradores organizou feiras culturais e questionou a redução das áreas de convivência. Analise a situação à luz da dominação legal-racional de Weber e da territorialidade.

  • ❌ A) O decreto transforma automaticamente a praça em território exclusivo do Estado. Está errada porque os demais grupos continuam interferindo nos usos locais.
  • ❌ B) As feiras anulam a autoridade legal-racional. Está errada porque contestar ou negociar usos não extingue automaticamente a vigência das normas municipais.
  • ✅ C) Normas formais reorganizam acessos, mas o território resulta de disputas entre poder público, empresa e coletivos. É a correta: a regra impessoal convive com outros agentes que produzem o espaço.
  • ❌ D) O deslocamento dos vendedores decorre apenas de escolhas individuais. Está errada porque licenças, circulação e acesso desigual influenciam as possibilidades de ocupação.
  • ❌ E) A plataforma determina sozinha as fronteiras urbanas. Está errada: seus mapas influenciam fluxos, mas não substituem as regras municipais nem as ações coletivas.

3. Propriedade, relações sociais e acesso ao mangue

Uma empresa arrenda uma área vizinha a um mangue para construir um hotel e instala uma cerca que interrompe a passagem tradicional das marisqueiras. A associação local não possui títulos de propriedade, mas mantém um atracadouro coletivo e solicita a retirada da barreira. Com base na relação, em Marx, entre propriedade dos meios de produção e relações sociais, qual interpretação explica a territorialidade em disputa?

  • ❌ A) As marisqueiras rejeitam toda norma pública. Está errada porque recorrem à audiência e ao plano municipal para defender o acesso, em vez de recusar a regulação.
  • ❌ B) O conflito é uma escolha individual entre empregos e costumes. Está errada porque deixa de considerar propriedade, decisões públicas e ação coletiva.
  • ❌ C) O título privado é o único critério para reconhecer vínculos territoriais. Está errada porque práticas coletivas de trabalho e uso continuado também constroem territorialidade.
  • ❌ D) A cerca é consequência natural do turismo. Está errada porque naturaliza uma decisão empresarial e política, ocultando relações de poder.
  • ✅ E) O controle desigual da terra transforma o espaço em território de conflito entre interesses sociais. É a correta: a propriedade favorece o controle empresarial, enquanto o uso coletivo expressa outra forma de apropriação do espaço.

4. Territorialidades, poder e regulação pública

Barqueiros de uma comunidade ribeirinha registram em mapa coletivo locais de pesca, travessia e celebração. Uma unidade de conservação estabelece regras, mas boias instaladas por uma empresa de ecoturismo afastam embarcações de uma enseada que não aparece como área exclusiva no regulamento. A associação reivindica acesso e revisão das boias pelo órgão gestor. Qual medida reconhece as territorialidades em disputa sem desconsiderar a regulação pública?

  • ❌ A) Reconhecer a enseada como espaço sem território por não haver exclusividade prevista. Está errada: usos, vínculos e referências coletivas também produzem territorialidade.
  • ❌ B) Tratar a empresa como neutra e o mapa como registro sem efeito. Está errada porque ignora a disputa por recursos, acessos e significados.
  • ✅ C) Reconhecer o uso comunitário como territorialidade e submeter os limites empresariais à deliberação do órgão gestor. É a correta: considera práticas coletivas, poder econômico e norma pública.
  • ❌ D) Tratar o regulamento como fronteira absoluta e converter práticas comunitárias em concessões da empresa. Está errada porque a regulação não apaga automaticamente usos sociais anteriores.
  • ❌ E) Considerar as boias prova de domínio legítimo. Está errada porque ocupação econômica não produz automaticamente reconhecimento social nem autorização pública.

5. Manifestação cultural e territorialidade indígena

Jovens tupinikim se reúnem no Areal para dançar ao lado de barracas montadas em meio a fileiras de eucaliptos da Aracruz Celulose. A manifestação cultural se alia à ocupação de um trecho reivindicado como parte das terras tradicionais do povo. A dança funciona como instrumento coletivo de protesto e visibilidade. Que forma de ação coletiva está expressa?

  • ❌ A) Integração cultural ao ambiente urbano. Está errada porque desconsidera o caráter de resistência e reivindicação territorial descrito.
  • ✅ B) Reivindicação simbólica de territorialidade indígena mediante manifestação cultural. É a correta: dança e acampamento afirmam vínculos e direitos sobre terras tradicionais.
  • ❌ C) Comercialização de produtos artesanais para financiar o protesto. Está errada porque o enunciado destaca uma ação cultural e política, não uma atividade comercial.
  • ❌ D) Prática ritual sem relação com disputa por terras. Está errada porque ignora o contexto de ocupação, protesto e reivindicação apresentado.
  • ❌ E) Negociação formal de uso da terra com a empresa. Está errada porque a cena descrita é uma manifestação com acampamento, não um procedimento de negociação.

6. Horta comunitária e legitimação formal

Uma ONG e famílias transformam um terreno abandonado em horta comunitária, com autorização provisória da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Uma incorporadora adquire o imóvel e busca retomá-lo. As famílias argumentam que a horta criou pertencimento e vínculos sociais, mas precisam de reconhecimento definitivo para garantir sua permanência. Qual agente confere legitimação formal ao uso comunitário?

  • ❌ A) A incorporadora imobiliária. Está errada porque busca retomar a área e representa outro interesse de uso.
  • ❌ B) As famílias cultivadoras. Está errada porque constroem vínculos de pertencimento, mas não concedem reconhecimento oficial.
  • ❌ C) O sindicato dos trabalhadores urbanos. Está errada porque não participa da autorização ou do reconhecimento descritos.
  • ❌ D) A ONG Hortas Vivas. Está errada porque mobiliza famílias, mas não tem poder legal para conceder a autorização pública.
  • ✅ E) A Secretaria Municipal de Meio Ambiente. É a correta: o órgão público emite a autorização provisória e responde pelo reconhecimento formal indicado no caso.

7. Um exemplo de disputa territorial em contexto global

Conflitos territoriais são comuns em contextos de globalização. Qual exemplo apresentado melhor ilustra uma disputa por território em contexto global?

  • ✅ A) Independência da Catalunha. É a correta entre as opções, pois a busca por autonomia expressa um conflito de territorialidade dentro da Espanha.
  • ❌ B) Acordos de Paris. Está errada porque se trata de um acordo ambiental, não do exemplo de disputa territorial solicitado.
  • ❌ C) Brexit. É um tema importante de integração política, mas, conforme o foco do item, trata principalmente da saída da União Europeia, não de um conflito territorial específico.
  • ❌ D) Criação do Mercosul. Está errada porque o Mercosul é uma união econômica, não um conflito territorial específico.
  • ❌ E) Atores de Hollywood. Está errada porque se refere a uma indústria cultural, não a uma disputa por território.

8. Diversidade étnico-cultural e ocupação do espaço

Como a diversidade étnico-cultural influencia a ocupação do espaço?

  • ❌ A) Promove a homogeneização cultural. Está errada porque a diversidade corresponde à presença de diferentes práticas e expressões, não à sua uniformização.
  • ❌ B) Aumenta necessariamente os conflitos territoriais. Está errada como resposta geral: conflitos podem ocorrer, mas não são consequência inevitável da diversidade.
  • ❌ C) Facilita automaticamente a integração social. Está errada porque a integração depende de condições como diálogo e políticas públicas, não apenas da diversidade.
  • ✅ D) Aumenta a diversidade de paisagens. É a alternativa indicada: diferentes formas de ocupação e práticas humanas podem participar da construção das paisagens.
  • ❌ E) Reduz a ocupação de territórios. Está errada porque diversidade não implica, por si só, redução da ocupação territorial.

Fechamento: da leitura do território à prova

Para fechar a sequência, eu retomaria com a turma uma pergunta simples: quais agentes aparecem em cada situação e como suas ações interferem no uso do espaço? Essa comparação ajuda a consolidar a habilidade de analisar territorialidades e relações de poder, além de criar uma ponte cuidadosa com os debates sobre globalização e neoliberalismo. Você pode adaptar os itens, aplicar alguns como diagnóstico ou usar o conjunto em uma avaliação formativa.

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As questões e sugestões são um ponto de partida: adapte a seleção ao percurso da sua turma e ao contexto da escola. Se quiser, use o GeraProva para organizar novas atividades com gabarito e ganhar tempo no planejamento.

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