GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
Questoes

Atividades de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni atividades de Filosofia para trabalhar Kant e o utilitarismo com a 2ª série do Ensino Médio. Veja oito questões com alternativas e gabarito comentado, além de sugestões para discutir os conceitos em sala.

Atividades de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho Ética do Dever, de Kant, e utilitarismo, associado a Bentham e Mill, com a 2ª série, procuro aproximar os conceitos de dilemas que permitam comparar critérios morais. A dificuldade não costuma estar apenas em memorizar os nomes: é preciso perceber se uma justificativa se apoia no dever e na dignidade das pessoas ou nas consequências e no bem-estar produzido.

Nas questões desta seleção, essa comparação aparece em situações de liberdade de expressão, convivência, discriminação e justiça social. Eu uso os enunciados para pedir que a turma identifique o princípio em jogo antes de marcar uma alternativa. Assim, o estudante precisa justificar a escolha e distinguir conceitos próximos, em vez de procurar palavras-chave isoladas. A proposta também permite retomar respeito, cidadania e análise crítica de situações sociais.

O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill)

Para comparar as duas perspectivas, o estudante precisa compreender que Kant avalia a moralidade a partir do dever e de princípios que possam valer universalmente. Cada pessoa tem dignidade e deve ser tratada como fim em si mesma, não apenas como instrumento para obter diversão, vantagem ou aprovação. Por isso, a maioria não torna automaticamente justa uma ação que desrespeita alguém. Já o utilitarismo avalia ações considerando suas consequências para o bem-estar: diante de uma decisão, importa analisar seus efeitos sobre as pessoas envolvidas e o saldo de sofrimento ou benefício que pode produzir. Em Mill, a liberdade tem grande importância, e o princípio do dano ajuda a pensar quando uma restrição pode ser justificável: prevenir dano claro a terceiros, não simplesmente evitar opiniões incômodas. Na 2ª série, espero que a turma consiga aplicar esses critérios a casos concretos, explicitar qual princípio orienta cada argumento e evitar confundir respeito à dignidade com cálculo de consequências.

O que ele precisa saber antes

Antes da atividade, vale verificar se a turma tem repertório suficiente para interpretar os enunciados e discutir os casos. As questões mobilizam liberdade de expressão, teorias da justiça, ética kantiana, bullying e suas consequências, valores sociais e éticos, preconceito e discriminação, análise crítica de argumentos, desigualdade social, justiça social, utilitarismo, direitos humanos e respeito às diferenças.

Não é necessário transformar essa retomada em uma longa revisão de todos os temas. Posso apresentar os termos principais no quadro e pedir exemplos de como cada um aparece nos enunciados. Também é importante que os alunos diferenciem uma afirmação sobre escolhas individuais de uma análise que considere fatores sociais e econômicos. Esse cuidado é especialmente útil na questão sobre pobreza e desigualdade.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente previsto nas questões é confundir Kant com o utilitarismo: por exemplo, escolher a felicidade do grupo como justificativa para uma decisão kantiana. O raciocínio parece plausível quando o estudante percebe que uma medida beneficia muitas pessoas, mas deixa de verificar se alguém está sendo tratado apenas como meio ou tendo sua dignidade desrespeitada. Para retomar, pergunto qual critério a alternativa usa: dever e dignidade ou consequências e bem-estar?

Em Mill, o distrator mais provável da questão sobre imprensa é a afirmação de que qualquer restrição é sempre injustificável. Essa resposta reconhece o valor da liberdade, mas ignora a condição do princípio do dano. O movimento inverso também merece atenção: não basta invocar a proteção contra desinformação para justificar qualquer censura; é preciso considerar a existência de dano claro a terceiros.

Nas questões sobre desigualdade, o equívoco pode ser reduzir a pobreza a escolhas individuais ou tratar a desigualdade como sempre benéfica. A análise crítica pede que se considerem contextos sociais e consequências. Nos casos de bullying e exclusão, ignorar a situação, retaliar ou transferir à vítima a responsabilidade não resolve o problema apresentado. Peço que a turma explique por que cada alternativa inadequada falha: esse passo revela se houve compreensão ou apenas reconhecimento de uma palavra familiar.

Como trabalhar em sala

  • Comece por dois critérios: escreva no quadro “dever e dignidade” e “consequências e bem-estar”. Apresente uma situação curta das questões e peça que os estudantes indiquem qual critério aparece em cada justificativa.
  • Faça leitura por etapas: primeiro, a turma identifica o problema do enunciado; depois, localiza o conceito filosófico; por fim, avalia as alternativas. Essa rotina ajuda a evitar respostas baseadas somente em palavras como “maioria”, “liberdade” ou “justiça”.
  • Promova debate com justificativa: use os casos de liberdade de imprensa, preconceito ou convivência escolar. Peça que os grupos defendam uma resposta citando o princípio pertinente, sem transformar a discussão em exposição de experiências pessoais dos alunos.
  • Compare distratores: escolha duas alternativas erradas e peça que a turma explique o problema de cada uma. É uma forma simples de trabalhar argumentação e mostrar que uma resposta pode parecer razoável, mas não responder ao critério da teoria estudada.
  • Finalize com uma saída rápida: peça um exemplo de decisão avaliada por suas consequências e outro de uma ação que respeite a dignidade como princípio. Recolha as respostas para decidir se é preciso retomar Kant, o utilitarismo ou ambos.

Questões prontas de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As questões abaixo podem ser usadas em uma atividade formativa, numa revisão ou como parte de uma prova. Em cada uma, vale solicitar que os estudantes expliquem o critério usado, mesmo quando a resposta correta parece direta. As alternativas erradas ajudam a discutir confusões entre liberdade, dignidade, dever e consequências.

1. Uma lei restringe parte da liberdade de imprensa com o argumento de reduzir desinformação prejudicial. Segundo John Stuart Mill, em que condição tal restrição seria justificável?

  • ❌ A) Qualquer lei que restrinja a liberdade de imprensa é sempre injustificável. Mill admite restrições quando elas servem para prevenir dano a terceiros; a liberdade não é apresentada como absoluta em qualquer circunstância.
  • ❌ B) A proteção contra desinformação justifica qualquer tipo de censura. A justificativa é ampla demais: para Mill, a restrição precisa estar ligada à prevenção de dano claro, e não ser autorizada sem limite.
  • ✅ C) Só se a restrição evitar dano claro a terceiros; restrições não são justificáveis meramente para proteger sensibilidade ou opiniões impopulares. Essa alternativa aplica o princípio do dano e distingue prejuízo a outras pessoas de simples incômodo ou discordância.
  • ❌ D) A liberdade de opinião pode ser limitada indiferentemente. A alternativa desconsidera a condição exigida por Mill: não basta decidir limitar a liberdade sem identificar risco de dano claro.
  • ❌ E) Restrições são válidas apenas para manter a ordem pública. A resposta reduz o critério à ordem pública; o princípio relevante é prevenir dano a terceiros, não apenas preservar a ordem.

Gabarito comentado: C. A questão verifica se o estudante reconhece o princípio do dano e evita tanto defender liberdade irrestrita quanto aceitar censura sem critério.

2. Em uma escola pública, estudantes organizaram um canal anônimo para relatar ofensas relacionadas à aparência. Um dos relatos descreve humilhações repetidas contra um aluno e a circulação de imagens dele sem autorização. Ao discutir o caso, a equipe pedagógica retoma um princípio de Immanuel Kant: cada pessoa deve ser tratada como um fim em si mesma, e nunca apenas como um instrumento para alcançar outros objetivos. A escola precisa decidir como agir diante da situação. Com base no texto e no princípio ético kantiano apresentado, qual medida da escola enfrenta adequadamente o problema?

  • ❌ A) Autorizar o aluno a humilhar os agressores de volta para restabelecer o equilíbrio entre as partes. A retaliação também usa pessoas como instrumentos de vingança e não oferece uma regra moral universalizável.
  • ❌ B) Punir os envolvidos diante de toda a escola para produzir medo e evitar novos casos semelhantes. A exposição pública transforma os envolvidos em meios para intimidar os demais e reproduz a humilhação.
  • ❌ C) Considerar as ofensas uma brincadeira comum e preservar a liberdade dos estudantes de se expressarem. Liberdade de expressão não significa autorização para violar a dignidade de outra pessoa; a alternativa deixa a violência sem resposta.
  • ❌ D) Orientar o aluno a evitar os agressores e a não divulgar novos relatos para reduzir sua exposição. Essa medida desloca para a vítima a responsabilidade e mantém intacta a conduta dos agressores.
  • ✅ E) Interromper as humilhações, proteger o aluno e responsabilizar os envolvidos por regras que reconheçam a dignidade de todas as pessoas. A proposta protege a vítima e responsabiliza os envolvidos sem abandonar o princípio de tratar cada pessoa como fim em si mesma.

Gabarito comentado: E. A escolha adequada enfrenta a violência e aplica o princípio kantiano à situação, em vez de recorrer à retaliação, à exposição ou ao silêncio.

3. Um grupo de alunos decide organizar uma campanha de conscientização sobre preconceito racial na escola. Quais valores devem ser priorizados nessa ação?

  • ❌ A) A indiferença ao problema. A indiferença não promove mudanças positivas nem enfrenta o preconceito descrito.
  • ✅ B) A promoção da empatia e respeito. Esses valores sustentam o reconhecimento das pessoas e contribuem para combater o preconceito.
  • ❌ C) A exclusão de alunos com ideias diferentes. Excluir pessoas amplia a divisão e não é uma forma adequada de promover conscientização e respeito.
  • ❌ D) A competição entre grupos da escola. A competição não é o valor indicado para uma ação voltada a conscientizar sobre preconceito racial.
  • ❌ E) A manutenção do silêncio sobre o tema. O silêncio não enfrenta a discriminação e pode contribuir para que o problema permaneça sem discussão.

Gabarito comentado: B. A turma deve reconhecer que empatia e respeito são valores coerentes com uma campanha de conscientização e com a promoção de igualdade.

4. Ao discutir sobre desigualdade, um grupo menciona que a pobreza é um resultado de escolhas individuais. Como essa afirmação pode ser analisada criticamente?

  • ❌ A) As escolhas individuais são sempre justas. A afirmação ignora que decisões ocorrem em contextos sociais e econômicos diferentes.
  • ❌ B) Fatores sociais não influenciam as escolhas. Essa alternativa desconsidera a influência de fatores estruturais nas decisões e oportunidades.
  • ❌ C) A pobreza é resultado exclusivamente de sorte. A sorte não é o único fator a considerar; a resposta troca uma explicação simplificada por outra.
  • ✅ D) As escolhas individuais devem ser analisadas no contexto. Essa alternativa permite considerar fatores externos que influenciam as decisões e evita uma explicação isolada da pobreza.
  • ❌ E) A responsabilidade é sempre individual. A resposta exclui a influência social sobre as oportunidades e não faz a análise contextual pedida.

Gabarito comentado: D. A análise crítica não elimina a dimensão individual, mas considera também os fatores sociais e econômicos relevantes para compreender a situação.

5. Em um debate sobre justiça social, um participante argumenta que as ações afirmativas são necessárias para corrigir desigualdades. Qual é a perspectiva utilitarista sobre essa questão?

  • ❌ A) Ações afirmativas aumentam o sofrimento de outros. A alternativa presume um resultado negativo e deixa de avaliar como a medida pode contribuir para o bem-estar geral.
  • ❌ B) Não é ético promover desigualdade positiva. Essa resposta não considera que medidas voltadas a corrigir desigualdades podem ser avaliadas por seus efeitos sobre o bem-estar.
  • ✅ C) A justiça deve priorizar a felicidade do grupo. A alternativa expressa a atenção utilitarista ao bem-estar coletivo, considerando os efeitos da ação sobre as pessoas.
  • ❌ D) Medidas devem ser individuais, não coletivas. A alternativa não corresponde ao foco da questão no bem-estar geral e nos efeitos coletivos da medida.
  • ❌ E) A ética é sempre uma questão pessoal. O utilitarismo não se limita a uma preferência privada: considera consequências e bem-estar de modo mais amplo.

Gabarito comentado: C. O ponto central é avaliar se a medida contribui para o bem-estar geral e para a justiça social, não presumir que ela seja necessariamente negativa.

6. Em uma escola, um aluno é excluído por seus colegas devido a sua orientação sexual. Como essa situação pode ser analisada sob a perspectiva da ética kantiana?

  • ❌ A) A exclusão é aceitável se a maioria concordar. A decisão da maioria não justifica desrespeitar a dignidade de uma pessoa.
  • ❌ B) A ética deve priorizar a felicidade do grupo. Essa justificativa se aproxima de uma avaliação utilitarista e não expressa o critério kantiano solicitado.
  • ✅ C) A dignidade do aluno deve ser respeitada. Para Kant, cada pessoa deve ser tratada como fim, e não apenas como meio ou obstáculo aos interesses do grupo.
  • ❌ D) A ética é relativa e varia entre culturas. A alternativa não corresponde à busca kantiana por princípios morais universais.
  • ❌ E) Devemos ignorar a situação para evitar conflitos. Ignorar a exclusão não respeita a dignidade do aluno nem enfrenta o problema ético apresentado.

Gabarito comentado: C. A dignidade não depende da aprovação da maioria. A perspectiva kantiana exige que a pessoa seja respeitada como fim em si mesma.

7. Ao olhar para a história, podemos perceber como a desigualdade social se perpetua em diversas situações. Qual abordagem utilitarista pode ser aplicada para analisar essa questão?

  • ❌ A) A desigualdade é sempre benéfica. A afirmação generaliza e não avalia os efeitos da desigualdade sobre o bem-estar e o sofrimento.
  • ✅ B) As ações devem ser julgadas por suas consequências. A abordagem utilitarista considera os efeitos das ações sobre o bem-estar coletivo ao analisar uma questão social.
  • ❌ C) A moralidade não considera o bem-estar da maioria. A alternativa contradiz o foco utilitarista nas consequências e no bem-estar.
  • ❌ D) Os direitos individuais não são importantes. A resposta é absoluta demais: priorizar a avaliação do bem-estar não significa afirmar que direitos individuais não importam.
  • ❌ E) A ética utilitarista é irrelevante em contextos sociais. A análise das consequências pode ser aplicada justamente a questões sociais como a desigualdade.

Gabarito comentado: B. A resposta correta identifica o critério de avaliação utilitarista: observar consequências e seus efeitos sobre o bem-estar coletivo.

8. Em um debate escolar, alunos discutem a importância do respeito às diferenças. Qual a abordagem kantiana que pode ser utilizada para sustentar essa discussão?

  • ❌ A) O utilitarismo é a melhor forma de garantir direitos. A alternativa troca a perspectiva pedida por outra teoria e não apresenta o princípio kantiano da dignidade.
  • ❌ B) A ética é relativa e depende do contexto. A resposta não corresponde à defesa kantiana de princípios universais.
  • ✅ C) A dignidade humana deve ser respeitada em qualquer situação. Kant sustenta que cada indivíduo deve ser tratado como fim, jamais apenas como meio.
  • ❌ D) Os atos são morais se geram felicidade à maioria. Esse critério prioriza consequências e felicidade, aproximando-se do utilitarismo, não da abordagem kantiana.
  • ❌ E) A moralidade é determinada pelas consequências dos atos. A alternativa também confunde Kant com uma avaliação consequencialista; a ética kantiana se baseia no dever.

Gabarito comentado: C. O respeito às diferenças pode ser defendido, nesse caso, pela dignidade de cada pessoa e pela ideia de tratá-la como fim em si mesma.

Próximos passos para montar sua atividade

Você pode selecionar as questões conforme o objetivo da aula: diagnóstico, revisão ou avaliação. Para ampliar a sequência, consulte também as questões da habilidade EM13CHS504, as questões da habilidade EM13CHS502 e as questões da habilidade EM13CHS501. No gerador de provas do GeraProva, dá para organizar uma avaliação com questões adequadas ao conteúdo; se ainda não tem uma conta, faça seu cadastro grátis.

Adapte a atividade ao percurso da sua turma e use as justificativas para abrir conversa, não apenas para conferir respostas. O GeraProva pode ajudar na preparação; a decisão final sobre o que faz sentido para seus alunos continua sendo sua.

Monte uma prova com questões como estas

O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.

Criar minha prova

Habilidades BNCC deste artigo

Artigos relacionados

0 comentários

Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.