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Atividades de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni questões de Filosofia para trabalhar as diferenças entre a ética kantiana e o utilitarismo na 1ª série. Incluo gabarito comentado e sugestões práticas para discutir dever, consequências, bem-estar e dignidade.

Atividades de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho ética com a 1ª série, percebo que comparar teorias ajuda a turma a sair da resposta baseada apenas em “eu acho”. Em situações concretas, como uma regra de convivência ou uma decisão pública, proponho que os estudantes identifiquem qual critério está em jogo: o dever e o respeito à dignidade, em Kant, ou as consequências e o bem-estar, no utilitarismo de Bentham e Mill. A comparação fica mais produtiva quando ninguém precisa decorar uma definição isolada antes de entender o problema.

As questões a seguir passam por dilemas sociais, políticas públicas e situações cotidianas. Eu as uso para observar se a turma diferencia uma ação guiada pelo interesse próprio de uma avaliação do bem coletivo e se reconhece que a ética kantiana não depende da aprovação da maioria. O gabarito comentado também ajuda a transformar cada alternativa incorreta em uma oportunidade de retomar conceitos.

O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill)

Para comparar essas teorias, o estudante precisa perceber que elas avaliam as ações por critérios diferentes. Na ética de Kant, a pergunta central não é se a ação traz vantagem ou um resultado agradável, mas se ela respeita o dever e pode ser orientada por um princípio moral universal. Isso inclui tratar cada pessoa como um fim em si mesma, reconhecendo sua dignidade e autonomia, e não apenas como instrumento para alcançar um objetivo. No utilitarismo clássico de Bentham, a avaliação considera as consequências: uma ação tende a ser moralmente justificável quando aumenta o bem-estar geral, favorecendo a felicidade e reduzindo o sofrimento. Mill também associa o utilitarismo à felicidade, mas sua abordagem não deve ser reduzida à busca de qualquer benefício individual ou à simples aprovação da maioria. Em ambos os casos, é essencial identificar quem é afetado e qual justificativa ética está sendo usada. A comparação não significa que toda decisão seja simples: pode haver tensão entre princípios, liberdade, consequências e bem-estar coletivo.

Com esse ponto de partida, os estudantes podem analisar um mesmo caso por mais de uma perspectiva sem confundir os critérios. Uma decisão pode produzir benefícios para muitas pessoas e, ao mesmo tempo, levantar uma questão sobre a autonomia de alguém. Essa tensão permite discutir por que uma resposta utilitarista e uma resposta kantiana podem divergir, sem transformar a comparação em uma disputa de rótulos ou em uma escolha automática da alternativa que parece mais simpática.

O que ele precisa saber antes

As questões pressupõem alguns conceitos que vale retomar antes da avaliação. Para Kant, é importante compreender o imperativo categórico, a autonomia moral e a ideia de que pessoas não devem ser tratadas apenas como meios. A noção de dignidade humana dá suporte à análise de situações de discriminação e exclusão. Para o utilitarismo, convém revisar a teoria do bem-estar, o princípio da maior felicidade e a análise das consequências em termos de prazer, dor, benefícios e prejuízos para os envolvidos.

Também ajuda distinguir as abordagens éticas mencionadas em uma das questões: dever, utilitarismo, egoísmo ético, contratualismo e ética das virtudes. Não é necessário aprofundar todas com o mesmo nível de detalhe, mas os alunos precisam reconhecer quando uma justificativa se apoia apenas no interesse próprio e quando considera o bem-estar geral. Por fim, retomar a diferença entre ética e moral, além de conversar sobre diversidade e inclusão, prepara a turma para interpretar os casos de discriminação sem reduzir a resposta a uma preferência pessoal.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente nas questões sobre Kant é confundir consentimento formal com autonomia efetiva. No caso do trabalho comunitário condicionado ao auxílio, alguns podem entender que a pessoa aceitou a condição e, por isso, a exigência deixa de ser problemática. O distrator mais provável é justamente essa leitura: ela não considera a situação de coação apontada no enunciado nem o princípio de não instrumentalizar as pessoas.

Na comparação entre teorias, outro tropeço é atribuir à ética deontológica a prioridade dos resultados. Quando o enunciado fala em maximizar o bem-estar agregado, a resposta exige reconhecer o critério utilitarista; a alternativa que associa isso à deontologia troca consequência por dever. Também pode ocorrer a confusão inversa: chamar de utilitarista qualquer escolha que beneficie alguém. No caso de Lucas, evitar a própria punição é uma justificativa de interesse individual, não uma avaliação do bem-estar de todas as pessoas afetadas.

Nos dilemas de saúde e segurança, há quem escolha automaticamente a opção que elimina todo risco. A questão sobre visitas a idosos pede, porém, comparar possíveis danos com o benefício do contato e avaliar o saldo de consequências, em vez de tratar a segurança como único critério. Já nos itens sobre Kant, a opinião da maioria não torna aceitável a discriminação: o critério é o respeito à dignidade, não a popularidade de uma conduta.

Por fim, na questão sobre Mill, o distrator mais provável confunde liberdade com permissão para discriminar. A liberdade não deve ser apresentada como um passe livre para causar dano ou desrespeitar direitos alheios. Ao corrigir, eu peço que os estudantes apontem a palavra ou ideia do enunciado que sustenta a resposta. Assim, a justificativa fica ancorada no conceito, e não apenas na escolha de uma letra.

Como trabalhar em sala

  • Monte um quadro comparativo: no quadro, registre perguntas orientadoras: “Qual é o dever?”, “A pessoa está sendo tratada como fim?” e “Quais consequências recaem sobre o conjunto?”. Peça à turma que associe cada pergunta a Kant ou ao utilitarismo e justifique a associação.
  • Faça uma leitura em duas passagens: na primeira, os alunos identificam o dilema e as pessoas afetadas; na segunda, analisam qual teoria fundamenta cada alternativa. Essa rotina reduz a chance de responder somente pela impressão inicial do caso.
  • Use duplas para justificar distratores: além de selecionar a resposta correta, cada dupla escolhe uma alternativa incorreta e explica qual confusão conceitual ela revela. Depois, a turma compara as explicações sem transformar o erro em motivo de exposição individual.
  • Promova um debate curto com critérios definidos: apresente uma situação de política pública semelhante às questões e divida a análise entre dever, autonomia e consequências coletivas. O objetivo não é declarar uma teoria vencedora, mas tornar explícito o raciocínio usado.
  • Feche com um bilhete de saída: peça que cada estudante escreva uma diferença entre Kant e o utilitarismo e um exemplo de justificativa baseada em interesse próprio. Essa resposta breve ajuda a decidir o que precisa ser retomado na aula seguinte.

Questões prontas de Ética do Dever (Kant) x Utilitarismo (Bentham/Mill) para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

A seguir estão as oito questões, com as alternativas e comentários. Você pode aplicá-las como lista, atividade de revisão ou parte de uma avaliação. Os marcadores técnicos ao fim de cada item correspondem às fichas das questões.

1. Um programa condiciona o recebimento de auxílio social ao cumprimento de trabalho comunitário obrigatório. Segundo a ética kantiana, essa exigência é moralmente aceitável?

  • ❌ A) Não; porque o trabalho é desnecessário para auxílio. Essa alternativa não apresenta o fundamento kantiano central: a questão é o respeito à autonomia e à dignidade, não simplesmente a necessidade do trabalho.
  • ✅ B) Não; é impermissível, pois trata beneficiários como meios e viola sua autonomia, contrariando o imperativo categórico. Para Kant, não se deve usar pessoas apenas como instrumentos para fins alheios; a condição compulsória desconsidera sua autonomia.
  • ❌ C) Sim; é moralmente aceitável se os beneficiários concordarem. A concordância, nesse contexto, não elimina a coação inerente a condicionar o auxílio ao trabalho obrigatório.
  • ❌ D) Sim; se o trabalho for compensado adequadamente. A compensação não resolve a questão ética da instrumentalização nem afasta, por si só, a violação da autonomia.
  • ❌ E) Sim; é aceitável, pois promove a responsabilidade. Promover responsabilidade não justifica tratar os beneficiários apenas como meios para atingir outro objetivo.

2. Num programa municipal de alocação de moradias com vagas limitadas, qual teoria justificaria escolher políticas que maximizem o bem-estar agregado mesmo que impliquem sacrifício de alguns indivíduos?

  • ❌ A) A filosofia utilitária é centrada na moralidade pessoal de cada indivíduo, sem considerar a sociedade. O utilitarismo considera as consequências para o conjunto e o bem-estar coletivo, não apenas a moralidade individual isolada.
  • ❌ B) A ética deontológica defende que os fins justificam os meios e prioriza o resultado da ação. Essa alternativa inverte a distinção: a deontologia enfatiza deveres e princípios, enquanto a pergunta descreve a avaliação pelo resultado agregado.
  • ✅ C) Utilitarismo (Bentham/Mill) — prioriza maximizar o bem-estar agregado ou a felicidade total. A teoria avalia políticas pelo saldo de benefícios e prejuízos para a coletividade, ainda que a decisão possa impor custos a indivíduos.
  • ❌ D) O contratualismo busca maximizar o bem-estar individual em detrimento do coletivo. A alternativa caracteriza incorretamente o contratualismo e não corresponde ao critério de maximização do bem-estar agregado apresentado.
  • ❌ E) A ética narcisista propõe que se devem sacrificar todos os outros para maximizar o próprio bem-estar. Essa é uma formulação de egoísmo, não do utilitarismo, que considera o bem-estar geral.

3. Um centro de convivência municipal deve decidir entre autorizar visitas semanais a residentes idosos, melhorando o bem-estar emocional, ou manter visitas suspensas para reduzir risco de contágio comunitário. Segundo o utilitarismo clássico de Jeremy Bentham, qual decisão está moralmente correta?

  • ✅ A) Adotar a opção que maximize a soma total de prazeres e evite sofrimento; portanto, escolher a alternativa cujo balanço de benefícios sobre danos seja maior. Essa resposta aplica o princípio da maior felicidade: comparar as consequências em termos de prazer, dor, benefícios e danos.
  • ❌ B) Proibir visita aos idosos visando maximizar lucros turísticos do município. Lucro turístico não é, por si só, o critério utilitarista; a análise deve considerar o bem-estar das pessoas afetadas.
  • ❌ C) Autorizar visitas apenas baseando-se no custo financeiro para o município. O custo pode ser uma informação relevante, mas não substitui a avaliação de prazer, sofrimento e consequências para os envolvidos.
  • ❌ D) Manter visitas suspensas, pois evita qualquer risco de doenças a qualquer custo. A alternativa considera somente a redução do risco e deixa de avaliar o bem-estar emocional e os demais efeitos da decisão.
  • ❌ E) Permitir visitas desde que apenas haja supervisão constante, independentemente do bem-estar emocional. A supervisão, isoladamente, não responde ao dilema entre riscos e benefícios; é preciso comparar as consequências.

4. Uma prefeitura propõe aplicar multa a quem recusar vacinação numa campanha pública, alegando proteção coletiva. Segundo o utilitarismo clássico de Jeremy Bentham, qual princípio justificaria a imposição dessa penalidade?

  • ❌ A) O princípio da honra: a vacinação é uma questão de prestígio social e não de saúde pública. Honra ou prestígio não são o critério apresentado pelo utilitarismo; a questão envolve as consequências para o bem-estar coletivo.
  • ❌ B) O princípio da igualdade: ninguém pode ser penalizado pela recusa, independentemente do contexto sanitário. A resposta ignora a avaliação das consequências para a coletividade descrita no enunciado.
  • ✅ C) O princípio da maior felicidade: ações são justificadas se suas consequências aumentam o bem-estar agregado, por meio da maximização do prazer e redução da dor. Para Bentham, uma penalidade pode ser justificada se a redução da propagação da doença produzir um saldo positivo de bem-estar coletivo.
  • ❌ D) O princípio da justiça retributiva: a vacinação deve ser uma questão de recompensa, não de punição. A justiça retributiva não expressa o princípio utilitarista de avaliar o saldo de consequências para a saúde coletiva.
  • ❌ E) O princípio da liberdade individual: a vacinação não deve ser obrigatória para garantir a liberdade de escolha. A questão pede o critério utilitarista: avaliar consequências e bem-estar, não afirmar que a liberdade individual é sempre o fator decisivo.

5. Durante uma atividade escolar, Lucas não fez a lição e afirma falsamente que a entregou. Ele diz que mentir é correto porque evita a própria punição, embora reconheça que isso pode prejudicar a confiança com o professor. Não menciona benefícios para a turma, regra moral, virtudes ou acordos. Qual concepção ética melhor explica sua justificativa?

  • ❌ A) Ética das virtudes, pois considera correta a ação que forma um bom caráter. Lucas não apresenta a mentira como forma de desenvolver uma virtude; sua justificativa é escapar da punição.
  • ❌ B) Contratualismo, pois considera correta a ação que respeita acordos sociais. O enunciado informa que ele não invoca acordos, mas somente sua vantagem individual.
  • ❌ C) Ética do dever, pois considera correta a ação que segue uma regra moral. Lucas não afirma seguir um dever; explica a mentira pelo benefício que espera obter.
  • ❌ D) Utilitarismo, pois considera correta a ação que aumenta o bem-estar geral. O utilitarismo considera as consequências para as pessoas envolvidas; Lucas leva em conta apenas a própria vantagem.
  • ✅ E) Egoísmo ético, pois considera moralmente correta a ação que protege seu próprio interesse. Evitar a própria punição é o critério apresentado. Isso não equivale a avaliar o bem geral nem a agir por dever, virtude ou acordo.

6. Em uma escola, um aluno é discriminado por seu estilo de vestir. Como essa situação pode ser analisada sob a perspectiva da ética kantiana?

  • ❌ A) A discriminação é aceita se a maioria concordar. Para Kant, a aprovação da maioria não é o critério que determina a moralidade de uma ação.
  • ❌ B) Cada um deve agir de acordo com suas vontades. A ética kantiana não reduz a moral às vontades individuais; ela destaca deveres e princípios morais.
  • ✅ C) A dignidade humana deve ser sempre respeitada. A perspectiva kantiana exige reconhecer o valor das pessoas, independentemente de seu estilo de vestir.
  • ❌ D) A ética não se aplica a situações sociais. Os princípios éticos também orientam as relações entre as pessoas e permitem analisar a discriminação.
  • ❌ E) A moralidade é relativa ao contexto individual. Essa alternativa contraria a busca kantiana por princípios morais universais, em vez de fazer a dignidade depender de preferências individuais.

7. João vê um colega sendo excluído do grupo por sua aparência. O que Kant diria sobre essa situação?

  • ❌ A) É aceitável, pois a aparência não importa. A aparência não deve ser critério de exclusão; dizer que ela não importa não torna a exclusão aceitável.
  • ❌ B) Deve-se ignorar o colega excluído. Ignorar a situação não expressa o respeito devido ao outro e não enfrenta a exclusão.
  • ✅ C) É necessário acolher e respeitar a diversidade. A ética kantiana valoriza o respeito à dignidade humana, que não depende da aparência.
  • ❌ D) A exclusão é uma forma de proteger o grupo. Essa justificativa não apresenta motivo para desrespeitar a dignidade da pessoa excluída e contradiz a exigência de tratar as pessoas com respeito.
  • ❌ E) A aparência é uma questão de gosto pessoal. A questão não é decidir gostos, mas reconhecer que todas as pessoas têm dignidade, independentemente da aparência.

8. Em uma aula, o professor apresenta uma situação em que um grupo discrimina outro por sua origem. Qual seria a abordagem ética de Mill sobre isso?

  • ❌ A) Deve-se aceitar a discriminação como normal. Essa resposta naturaliza uma prática que causa dano e não corresponde à valorização do respeito ao próximo.
  • ✅ B) É preciso promover o respeito e a empatia. Essa alternativa reconhece que a liberdade deve coexistir com o respeito às outras pessoas e à consideração pelos efeitos das ações.
  • ❌ C) A situação deve ser ignorada. Ignorar a discriminação não enfrenta o dano e pode permitir que ela continue.
  • ❌ D) A liberdade do grupo discriminador é mais importante. A liberdade não deve ser confundida com autorização para desrespeitar direitos alheios ou causar dano a outras pessoas.
  • ❌ E) Discriminar é uma questão de opinião pessoal. Uma opinião não torna aceitável uma ação que fere outras pessoas; a análise deve considerar liberdade, respeito e consequências.

Para fechar: use as questões como ponto de partida

Depois da atividade, eu recomendo voltar aos critérios que justificam as respostas: dever, dignidade e autonomia em Kant; consequências e bem-estar coletivo no utilitarismo. Para ampliar o trabalho, consulte também questões da habilidade EM13CHS504, questões da habilidade EM13CHS501 e questões da habilidade EM13CHS502. Se quiser montar uma avaliação com outros conteúdos e ajustar a seleção ao perfil da sua turma, acesse o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

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