Atividade de coesão e coerência: questões com gabarito comentado
Veja como trabalhar coesão e coerência com propostas práticas e questões comentadas. Incluí habilidades da BNCC, dicas de resolução e ideias para transformar os erros em boas retomadas.
Quando peço que meus alunos revisem um texto, percebo que muitos começam procurando vírgulas e acentos. Isso importa, claro, mas nem sempre é o que torna a escrita difícil de entender. Já usei uma atividade curta para mostrar que também precisamos acompanhar como as ideias se encadeiam, se os pronomes retomam os referentes certos e se cada parágrafo contribui para o assunto.
Para mim, uma boa atividade de coesão e coerência não serve apenas para marcar alternativas: ela revela o que a turma já compreendeu e o que precisa de uma nova explicação. A seguir, compartilho um caminho de trabalho e seis questões com gabarito comentado que posso adaptar ao ano e ao objetivo da minha turma.
O que são coesão e coerência textual?
Coesão e coerência são dimensões relacionadas da construção de um texto, mas não significam a mesma coisa. A coesão reúne recursos linguísticos que ligam palavras, frases e partes do texto, como pronomes, substituições lexicais e conectivos. A coerência diz respeito à construção de um sentido compreensível e consistente para o leitor: as ideias precisam fazer sentido entre si, respeitar o tema e seguir uma progressão que não se contradiga sem motivo. Um texto pode conter conectivos e ainda apresentar ideias incoerentes; também pode ser compreensível, mas repetir nomes em excesso e ter poucas ligações explícitas. Quando explico isso, costumo comparar coesão às amarras visíveis e coerência ao sentido que o leitor consegue reconstruir. Essa distinção ajuda a turma a revisar com mais precisão, em vez de tratar todo problema de escrita como erro de pontuação.
Uma forma simples de iniciar é pedir que os estudantes leiam um parágrafo em voz alta e respondam: “Consigo seguir a ideia?” e “Que palavra liga esta frase à anterior?”. Depois, podem circular pronomes e conectivos e verificar a que trecho cada um se refere.
Como trabalhar coesão e coerência na prática?
Para trabalhar coesão e coerência na prática, eu começo com um texto curto que tenha um desafio identificável, como repetição de palavras, pronomes ambíguos ou parágrafos fora de ordem. Primeiro, peço uma leitura global para descobrir se o assunto e a sequência fazem sentido; depois, fazemos uma segunda leitura procurando as ligações entre as frases. Em seguida, os estudantes sugerem mudanças e justificam por que um pronome, conectivo ou deslocamento melhora a leitura. Por fim, comparamos as versões e observamos se o sentido original foi preservado. Essa rotina separa revisão de conteúdo e revisão linguística sem tratá-las como etapas isoladas. Em cerca de 15 a 20 minutos, consigo observar estratégias de leitura e escrita, inclusive se a turma distingue uma correção ortográfica de uma reorganização das ideias. O mais importante é pedir justificativas, não apenas respostas certas.
Também funciona entregar frases embaralhadas ou um parágrafo com repetições. Peço que a turma:
- organize as frases em uma sequência lógica;
- substitua repetições com pronomes ou expressões equivalentes, cuidando para não criar ambiguidade;
- teste conectivos como “porque”, “porém” e “portanto”, explicando a relação de sentido escolhida;
- leia a nova versão e confira se todas as informações são pertinentes ao tema.
Na revisão coletiva, evito dizer apenas “está confuso”. Aponto o trecho e pergunto que informação o leitor precisa para acompanhar a próxima ideia.
Como avaliar coesão e coerência sem reduzir tudo à gramática?
Eu avalio coesão e coerência observando critérios diferentes e dando ao estudante uma devolutiva que indique o próximo passo. Na coerência, verifico se o texto mantém o tema, apresenta ideias compatíveis e progride de modo compreensível. Na coesão, observo se pronomes retomam referentes claros, se há variedade adequada de palavras e se os conectivos expressam relações corretas. Em outra dimensão, registro ortografia, concordância e pontuação, sem deixar que esses aspectos apaguem o que o aluno já consegue fazer. Uma avaliação diagnóstica deve ajudar a planejar intervenções, não somente gerar uma nota. Posso usar uma rubrica simples com três níveis — precisa de apoio, está em desenvolvimento e realiza com autonomia — e anotar um exemplo concreto do texto em cada critério. Assim, identifico avanços e necessidades sem concluir que um único erro define a capacidade de escrita do estudante.
Se muitos alunos repetem o mesmo problema, retomo o conteúdo com um exemplo coletivo. Se a dificuldade aparece em poucos textos, faço uma orientação individual. A habilidade EF35LP08 permite relacionar esse trabalho ao uso de referenciação e articuladores, enquanto outras habilidades podem ser selecionadas conforme a etapa escolar e a proposta.
Questões prontas com gabarito comentado
As seis questões abaixo permitem observar habilidades complementares: organizar ideias, reconhecer a função diagnóstica da avaliação, retomar referentes com pronomes e distinguir planejamento de revisão. Eu aplicaria primeiro sem consulta e, na correção, pediria que cada estudante explicasse uma alternativa que descartou. As questões incluem códigos BNCC e níveis de Bloom para facilitar o planejamento e a adaptação ao currículo, mas vale conferir a adequação à série e ao contexto da turma. As dicas ajudam a orientar a leitura sem entregar imediatamente a resposta; os conceitos centrais mostram o foco de cada item. Depois da atividade, posso agrupar os resultados por habilidade: por exemplo, quem identifica o pronome referente a um nome pode precisar de outra proposta para reorganizar parágrafos. O GeraProva pode ajudar a montar e ajustar avaliações, mas a análise pedagógica continua sendo minha: conheço os textos, as necessidades e o percurso dos estudantes.
1. Como melhorar a ligação entre as ideias de um texto colaborativo?
Enunciado: Durante uma atividade de escrita colaborativa, o grupo percebe que o texto está confuso e que as ideias não se conectam bem. Qual ação ajuda mais diretamente a melhorar a coerência e a coesão?
Dica de resolução: Identifique a alternativa que organiza as ideias e conecta as frases adequadamente. Conceito central: coerência e coesão textual. Para revisar: organização das ideias e uso de conectivos. BNCC: EF35LP08. Bloom: Compreender.
- ❌ A) Corrigir apenas ortografia e pontuação. É importante, mas não reorganiza as ideias nem resolve as ligações entre elas.
- ✅ B) Reescrever frases e reorganizar parágrafos em ordem lógica, usando conectivos adequados. Trata diretamente do encadeamento e da clareza.
- ❌ C) Trocar palavras difíceis por sinônimos simples, sem mudar a estrutura. Pode facilitar o vocabulário, mas não garante uma sequência lógica.
- ❌ D) Pedir que um colega reescreva tudo sozinho. Não promove a decisão colaborativa indicada na situação.
- ❌ E) Acrescentar descrições e informações sem relação com o tema. Desvia o foco e pode prejudicar ainda mais a coerência.
2. O que a avaliação diagnóstica revela sobre a escrita?
Enunciado: Em uma atividade diagnóstica sobre o percurso escolar, alguns estudantes mantiveram coerência global, mas cometeram desvios de concordância e pontuação. Nesse caso, a avaliação permite identificar principalmente o quê?
Dica de resolução: Pense em como o diagnóstico orienta a identificação de avanços e necessidades. Conceito central: função da avaliação diagnóstica. Para revisar: aprendizagens consolidadas e aspectos que precisam de intervenção. BNCC: EM13LP15. Bloom: Compreender.
- ❌ A) Concluir que a coerência garante domínio total da escrita. Ignora os desvios observados e generaliza a partir de um aspecto.
- ❌ B) Atribuir nota final sem orientar intervenções. Reduz o diagnóstico a uma função classificatória.
- ❌ C) Classificar apenas pelo número de erros de pontuação. Considera um critério isolado e deixa de analisar outras dimensões.
- ✅ D) Identificar o que já está desenvolvido e o que precisa de retomada. Esse mapeamento permite planejar intervenções pedagógicas.
- ❌ E) Verificar só a coerência e desconsiderar concordância e pontuação. Despreza informações relevantes do desempenho escrito.
3. Qual pronome evita repetir “a professora”?
Enunciado: “A professora entregou os cadernos aos alunos. Depois, a professora explicou a atividade com calma.” Qual reescrita do segundo período evita a repetição e mantém a coesão?
Dica de resolução: Identifique quem realizou a ação e escolha um pronome que retome esse referente. Conceito central: coesão referencial por pronome. Para revisar: retomada de referentes, concordância e sentido. BNCC: EF08LP14. Bloom: Aplicar.
- ✅ A) Depois, ela mesma explicou a atividade com calma. “Ela” retoma “a professora”; “mesma” reforça que foi ela própria.
- ❌ B) Depois, ele explicou a atividade com calma. O pronome masculino não retoma adequadamente “a professora”.
- ❌ C) Depois, a professora explicou a atividade com calma. Mantém a repetição que se deseja evitar.
- ❌ D) Depois, nós explicamos a atividade com calma. Inclui quem fala, algo que o enunciado não informa.
- ❌ E) Depois, os alunos explicaram a atividade com calma. Muda quem realizou a ação: o texto atribui a explicação à professora.
4. Que ação de revisão respeita as restrições do texto?
Enunciado: Um grupo prepara um guia para textos do jornal escolar. As restrições são usar linguagem formal, evitar gírias e manter objetividade. Qual ação exemplifica uma etapa de revisão que respeita essas orientações?
Dica de resolução: Procure uma ação de revisão compatível com as restrições do texto. Conceito central: etapas de revisão textual. Para revisar: revisão e normas de linguagem formal. BNCC: EF69LP51. Bloom: Aplicar.
- ❌ A) Inserir gírias para atrair o leitor. Contraria a orientação de evitar gírias e manter registro formal.
- ❌ B) Reorganizar tópicos iniciais para planejar a estrutura. É ação de planejamento, não a revisão solicitada.
- ❌ C) Acrescentar detalhes pessoais. Amplia conteúdo, mas não atende diretamente às restrições de revisão.
- ✅ D) Eliminar gírias do rascunho para adequar o registro formal. Corrige o texto conforme uma restrição explícita.
- ❌ E) Dividir introduções curtas para reduzir a objetividade. Vai contra a meta de objetividade e não melhora necessariamente o texto.
5. Qual sugestão corresponde à revisão da produção textual?
Enunciado: Uma turma pesquisa, define o público e o objetivo, organiza ideias, redige uma primeira versão e, por fim, revisa pontuação, ortografia, repetições, coerência e coesão. Qual sugestão pertence à etapa de revisão?
Dica de resolução: Identifique a ação que aparece na fase de revisão descrita. Conceito central: etapas da produção textual. Para revisar: produção e revisão textual. BNCC: EF69LP51. Bloom: Aplicar.
- ❌ A) Organizar tópicos em um esquema. É uma forma de planejar antes da redação.
- ✅ B) Revisar a pontuação e substituir palavras repetidas. Corresponde às ações de revisão apresentadas no enunciado.
- ❌ C) Produzir a primeira versão sem se preocupar com a forma. É a fase de redação do rascunho.
- ❌ D) Pesquisar informações para compor argumentos. É parte da pesquisa e preparação do texto.
- ❌ E) Definir o público-alvo antes de esboçar ideias. Pertence ao planejamento inicial, não à revisão final.
6. Qual recurso retoma “as crianças” na segunda frase?
Enunciado: Leia: “As crianças brincavam no parque. Elas se divertiam muito.” Qual recurso de coesão é utilizado?
Dica de resolução: Observe a palavra que retoma o grupo mencionado antes. Conceito central: recursos de coesão. Para revisar: tipos de coesão textual. BNCC: EF35LP08. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) Artigo. “As” é artigo, mas não é o recurso que retoma “as crianças” na segunda frase.
- ✅ B) Pronome. “Elas” é pronome pessoal e retoma “as crianças”.
- ❌ C) Conjunção. Não há conjunção ligando as duas frases nesse exemplo.
- ❌ D) Adjetivo. Não há adjetivo exercendo essa retomada.
- ❌ E) Substantivo. “Crianças” é substantivo, mas quem retoma o referente é “elas”.
Como transformar os resultados em uma retomada?
Depois de corrigir, eu separo os resultados por habilidade em vez de olhar somente o total de acertos. Se muitos estudantes confundem planejamento com revisão, volto às etapas da produção textual e peço que classifiquem ações concretas. Se a dificuldade está nos pronomes, proponho reescritas curtas em que seja necessário identificar quem fez cada ação. Quando a turma já reconhece conectivos, mas ainda organiza mal as ideias, trabalho a ordem das frases e a progressão dos parágrafos. Esse uso do diagnóstico transforma a atividade em ponto de partida para ensinar, não em encerramento. Também registro exemplos de respostas para comparar em uma produção posterior. Posso preparar novas versões da avaliação no GeraProva e, se ainda não tiver cadastro, experimentar o cadastro grátis. Assim, ganho tempo na elaboração e posso concentrar minha atenção na leitura das respostas e nas decisões pedagógicas.
Para adaptar, ajusto o tamanho dos textos, a complexidade dos distratores e o vocabulário à faixa etária. Uma mesma habilidade pode ser trabalhada com uma frase no fundamental e com um texto mais longo no ensino médio.
Se quiser, teste estas questões com a sua turma, adapte o que for necessário e use as respostas para planejar a próxima aula. O GeraProva pode ajudar a economizar tempo na preparação; a escolha do melhor caminho continua nas suas mãos.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
Criar minha prova