A história da cultura caipira nasceu do encontro entre os bandeirantes portugueses e os indígenas, e está…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A história da cultura caipira nasceu do encontro entre os bandeirantes portugueses e os indígenas, e está intimamente ligada ao bandeirismo paulista. “Esses bandeirantes eram meio indígenas, meio portugueses”, avalia o professor Ivan Vilela Pinto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Andavam descalços e teciam suas próprias roupas, imagem que está longe “daquela romantizada, de um homem de botas com roupas imensas”. É nesse contexto que surge também a viola caipira. Trazida para o Brasil pelo colonialismo português, a viola, em Portugal, era um instrumento das classes mais pobres da população e “dificilmente chegou à corte ou andou em casas senhoriais”. E, no solo brasileiro, não foi diferente. Inicialmente, seu uso foi associado aos negros escravizados e, mais tarde, tornou-se “um instrumento que tem ligação com essa crônica que, de certa forma, é a gênese da música popular”. Para o professor, essa é uma cultura que possui linguagem própria no dialeto, além de uma música “muito autêntica”, pois afirma não existir nenhum segmento da música popular brasileira com tantos ritmos distintos convivendo. “Se, por um lado, a música caipira é muito simples sob o aspecto técnico, do ponto de vista rítmico é muito sofisticada.” Mas, durante a era da industrialização, a cultura caipira foi depreciada junto com o caipira paulista, visto como uma figura que estava em contradição com o ideário de modernização das cidades. Segundo Vilela, nessa época, o caipira “representa a oposição a isso tudo; mas, de forma muito ampla, acaba sendo uma âncora de representação identitária até da elite paulista” já que, “no fundo, São Paulo estava procurando uma identidade própria diante de todo o Brasil e viu no caipira uma maneira forte de representar isso”. <https://tinyurl.com/5n8ajwn4> Acesso em: 02.03.2023. Adaptado. Os termos em destaque no texto podem ser substituídos, correta e respectivamente, por (ETEC 2023)
- A) um pouco, contribuição, salientes, apropriada.
- B) metade, ascendência, respeitáveis, inata.
- C) um pouco, origem, diferentes, particular.
- D) metade, força, discretos, inerente.
- E) ora, origem, diferentes, genérica.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique os termos destacados no texto: 'meio' (meio indigenas, meio portugueses), 'origem' (nasceu do encontro / genese), 'distintos' (ritmos distintos) e 'propria' (linguagem propria).
- Teste a substituicao de 'meio' por 'um pouco'. A frase 'um pouco indigenas, um pouco portugueses' preserva o sentido de mistura parcial. Por isso 'metade' (sentido numerico) nao serve, e 'ora' nao funciona como equivalente.
- Teste 'origem' para o sentido de nascimento ou gênese da cultura caipira. 'Origem' e a substituicao adequada; 'contribuicao' e 'forca' nao carregam esse sentido.
- Teste 'distintos' por 'diferentes', que mantem o sentido de varios ritmos distintos convivendo. 'Salientes' e 'discretos' nao tem esse valor.
- Teste 'propria' por 'particular', que preserva a ideia de linguagem caracteristica daquela cultura. 'Inata', 'inerente' e 'apropriada' nao mantem o sentido exato, e 'generica' tem sentido oposto.
- A sequencia correta e 'um pouco, origem, diferentes, particular', alternativa C."
💡 Dica: Teste cada substituicao na frase original; comece por 'meio' e 'origem', que eliminam a maioria das alternativas.
Alternativa por alternativa
Aluno que substitui 'origem' por 'contribuicao' e 'distintos' por 'salientes' sem verificar que 'salientes' significa destacados, nao diferentes.
Aluno que troca 'meio' por 'metade' tomando o termo no sentido numerico de divisao ao meio, sem perceber a ideia de mistura parcial.
Por que engana: tomar 'meio' no sentido numerico de metade
CORRETA. 'Um pouco' substitui 'meio' (meio indigenas, meio portugueses = em parte); 'origem' substitui 'nasceu do encontro' e 'gênese'; 'diferentes' substitui 'distintos' referindo-se aos varios ritmos; 'particular' substitui 'propria' em 'linguagem propria'.
Aluno que confunde 'distintos' com 'discretos' (no sentido de modestos ou pouco visiveis) e ainda aceita 'metade' por leitura literal de 'meio'.
Aluno que acerta 'origem' mas aceita 'ora' como sinonimo de 'um pouco' e 'generica' como substituto de 'propria', sem testar a frase.
Raio-X da questão
sinonimia contextual
avaliacao
sentido de palavras em contexto · classes de palavras e campo semantico
polissemia e adequacao semantica
tomar 'meio' no sentido numerico de metade
multiculturalismo
cientifico
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