Leia o texto e responda às questões de números 22 e 23. **Inconstâncias dos bens do mundo** – *Gregório de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o texto e responda às questões de números 22 e 23. **Inconstâncias dos bens do mundo** – *Gregório de Matos* Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. Disponível em https://tinyurl.com/ptt3yga. Acesso em: 25.10.18 Gregório de Matos, conhecido como o primeiro poeta brasileiro, fez parte do período de produção artística brasileiro chamado Barroco. Uma característica muito presente nesse período é a dualidade, transposta para o poema do autor por meio da figura de linguagem *paradoxo*. Assinale a alternativa em que há o verso que corresponde a essa figura de linguagem. (ETEC 2019)
- A) “Como a beleza assim se transfigura?”
- B) “Como o gosto da pena assim se fia?”
- C) “E, na alegria, sinta-se tristeza.”
- D) “enfim pela ignorância”
- E) “E tem qualquer dos bens por natureza:”
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O paradoxo é uma figura que reúne, num mesmo enunciado, ideias opostas ou contraditórias, como se fossem verdadeiras ao mesmo tempo. É muito recorrente no Barroco, que explora a dualidade entre vida e morte, alegria e dor, beleza e transitoriedade.
- Analise os versos. Em A e B, as frases são perguntas retóricas (terminam em ponto de interrogação). Elas expressam dúvida ou reflexão, mas não reúnem contrários no mesmo enunciado, portanto não são paradoxo.
- Em D, o trecho 'enfim pela ignorância' apenas indica a origem do mundo, sem oposição de ideias.
- Em E, o verso afirma que os bens têm uma firmeza natural. Trata-se de uma construção de sentido sem contradição explícita; a característica sintática é inversão, não paradoxo.
- Em C, 'na alegria, sinta-se tristeza' une dois opostos (alegria e tristeza) num mesmo enunciado, afirmando que a alegria contém tristeza. Esse é o paradoxo, resultado direto da dualidade barroca. Gabarito: C.
💡 Dica: Procure o verso em que dois opostos aparecem afirmados juntos como uma mesma realidade.
Alternativa por alternativa
Confundir paradoxo com interrogação retórica, por ver no verso uma pergunta que expressa dúvida ou surpresa.
Tomar a pergunta retórica e a expressão 'o gosto da pena' como contradição, sem identificar a oposição de sentidos.
CORRETA. Os termos 'alegria' e 'tristeza' aparecem no mesmo verso como contrários que se afirmam juntos, caracterizando o paradoxo, típico da dualidade barroca.
Escolher o trecho apenas por conter palavra de valor abstrato, sem perceber que não há dois termos opostos afirmados juntos.
Associar o verso à ideia de 'ser por natureza' ou à construção sintática invertida, confundindo paradoxo com hipérbato.
Por que engana: Confundir paradoxo com interrogação retórica ou com inversão sintática.
Raio-X da questão
Paradoxo
avaliacao
Figuras de linguagem · Características do Barroco
Figuras de linguagem de pensamento e o Barroco
Confundir paradoxo com interrogação retórica ou com inversão sintática.
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