Leia a crônica de Paulo Brabo e responda às questões de números 01 e 02. DUZENTAS GRAMAS Meu amigo Hélio, que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar, em textos de diferentes gêneros, marcas que expressam a posição do enunciador frente àquilo que é dito: uso de diferentes modalidades (epistêmica, deôntica e apreciativa) e de diferentes recursos gramaticais que operam como modalizadores (verbos modais, tempos e modos verbais, expressões modais, adjetivos, locuções ou orações adjetivas, advérbios, locuções ou orações adverbiais, entonação etc.), uso de estratégias de impessoalização (uso de terceira pessoa e de voz passiva etc.), com vistas ao incremento da compreensão e da criticidade e ao manejo adequado desses elementos nos textos produzidos, considerando os contextos de produção.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia a crônica de Paulo Brabo e responda às questões de números 01 e 02. DUZENTAS GRAMAS Meu amigo Hélio, que é pai do Arthur e diz sonoramente trêss e déss (ao invés de, digamos, “trêis” e “déis”) fica indignado quando peço na padaria duzentas gramas de presunto – quando a forma correta, insiste ele, é “duzentos” gramas. Sempre que acontece e estamos juntos acabamos discutindo uns dez minutos sobre modos diferentes de falar. Ele de praxe argumenta que as regras de pronúncia e ortografia, se existem, devem ser obedecidas – e que os mais cultos (como eu, um cara que traduz livros!) devem insistir na forma correta a fim de esclarecer e encaminhar gente menos iluminada, como supõe-se seja a moça que me vende na padaria o presunto e o queijo. Eu sempre argumento que quando ele diz que só existe uma forma correta de falar está usurpando um termo de outro ramo, e tentando aplicar a ética à gramática: como se falar “corretamente” implicasse em algum grau de correção moral; como se dizer “duzentas” gramas fosse incorrer numa falha de caráter e dizer “duzentos” fosse prova de virtude e integridade. [...] <https://tinyurl.com/ya6ta9cr> Acesso em: 09.11.2017. Segundo o texto, é possível afirmar que (ETEC 2018)
- A) o autor do texto, apesar de admitir o uso de “duzentas gramas”, afirma que há formas incorretas de pronunciar palavras como “três” e “dés”.
- B) a forma correta a que o autor se refere tem como parâmetro a linguagem coloquial e não a norma culta padrão da língua portuguesa.
- C) há formas de se expressar que não devem existir, principalmente em contextos sociais como o que foi retratado pela crônica.
- D) a expressão que dá nome à crônica faz parte da oralidade do autor e implica, também, questões de prestígio social.
- E) há uma incongruência na afirmação da personagem Hélio, pois o que ele afirma não acontece na vida real.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto é uma crônica em que o narrador discute com Hélio sobre a forma 'duzentas gramas' versus 'duzentos gramas'.
- Hélio defende que só existe uma forma correta e que os cultos devem corrigir os menos iluminados; o narrador critica essa ideia, dizendo que ela transforma a gramática em ética.
- A alternativa D é a correta porque a expressão do título faz parte da oralidade do narrador e a discussão envolve prestígio social, já que a correção é associada a 'cultura' e 'iluminação'.
- A alternativa A está errada, pois o autor não aponta formas incorretas de pronunciar 'três' e 'dés'.
- A alternativa B está errada, pois o autor não toma o coloquial como norma.
- A alternativa C está errada, pois o texto critica a ideia de proibir formas de falar por motivos morais.
- A alternativa E está errada, pois não há incongruência factual apontada no texto.
💡 Dica: Releia o trecho final da crônica sobre correção moral e prestígio social.
Alternativa por alternativa
O aluno pode entender que o autor condena a pronúncia de 'três' e 'dés' por ser uma regra, confundindo a posição do narrador com a de Hélio.
O aluno pode supor que, por o narrador usar a forma coloquial, ele estaria propondo o coloquial como padrão correto.
O aluno pode concluir que a norma deve ser imposta porque o texto trata de correção, sem perceber a crítica ao julgamento moral.
Por que engana: Confundir a posição do narrador com a de Hélio ou tomar o coloquial como norma.
CORRETA. O narrador usa 'duzentas gramas' em sua fala e discute como a forma de falar é associada a 'cultura' e 'iluminação', ou seja, a prestígio social, como sugere a crítica ao julgamento da moça da padaria.
O aluno pode achar que a afirmação de Hélio é exagerada e tomar isso como incongruência, sem reconhecer que o texto é uma discussão de opiniões.
Raio-X da questão
Variação linguística e norma culta
avaliacao
Níveis de linguagem · Interpretação de crônica
Preconceito linguístico
Confundir a posição do narrador com a de Hélio ou tomar o coloquial como norma.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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