Foi um tempo difícil. Meu pai se referia àquele período como (I) a pior seca desde 1932. Aquele também foi o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Foi um tempo difícil. Meu pai se referia àquele período como (I) a pior seca desde 1932. Aquele também foi o último ano em que vi uma plantação extensa de arroz naquelas terras. O arroz, dependente de água, foi o primeiro a secar com a estiagem. Depois secaram a cana, as vagens de feijão, os umbuzeiros, os pés de tomates, de quiabo e de abóbora. Havia uma reserva de grãos guardada em casa e no galpão da fazenda. Com a seca, veio o medo de que nos mandassem embora por (II) falta de trabalho. Depois veio o medo mais imediato da fome. Os grãos passaram a rarear, o feijão acabou antes do arroz, e do arroz restava muito pouco. Havia um razoável suprimento de farinha de mandioca que algumas famílias fabricavam e trocavam por outros alimentos. Agora, mais que antes, seguíamos quase todos os dias para (III) os rios para pescar, e a cada pescaria só conseguíamos capturar peixes cada vez menores, que só serviam para dar um gosto ao angu de farinha. (...) Disputamos a palma com o gado da fazenda. Havia uma parcela de terra destinada ao seu plantio. O cacto que (IV) se destinava à nossa alimentação estava em nossos quintais. Quem não foi previdente em ter sua própria plantação de palma, que acabaria com o passar dos meses, tinha que contar com a solidariedade de um vizinho para (V) garantir o cortado na mesa, guisado no azeite de dendê. Vieira Jr., Itamar. Torto arado. Todavia, pp. 67-68. [versão e-reader]. Adaptado. Há, na passagem apresentada, diversos elementos de coesão responsáveis pela conexão das informações contidas no texto. É correto afirmar, após analisar os conectivos destacados no texto, que (FATEC 2023)
- A) “como” (I) é conjunção e expressa relação de causa, podendo ser substituída por “conforme”.
- B) “por” (II) é preposição e expressa relação de consequência, podendo ser substituída por “por causa de”.
- C) “para” (III) é preposição e expressa ideia de origem, podendo ser substituída por “de”.
- D) “que” (IV) é pronome e retoma o substantivo “o cacto”, podendo ser substituído por “cujo”.
- E) “para” (V) é preposição e expressa finalidade, podendo ser substituída por “a fim de”.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique a classe e o sentido de cada termo destacado. (I) 'como' tem valor de conformidade/comparação. (II) 'por' indica causa do medo. (III) 'para' indica destino. (IV) 'que' é pronome relativo que retoma 'o cacto'. (V) 'para' introduz finalidade.
- Verifique as alternativas. A) errada: 'como' não é causal. B) errada: a relação de 'por' é causal, não de consequência. C) errada: 'para' indica destino, não origem. D) errada: 'cujo' indicaria posse. E) correta: 'para' de finalidade pode ser substituído por 'a fim de' sem alterar o sentido.
- Gabarito E, coerente com a análise.
💡 Dica: Teste cada conectivo substituindo pelo termo proposto e confira a classe gramatical.
Alternativa por alternativa
Considera 'como' conjunção causal, quando aqui expressa conformidade/comparação (como se fazia, conforme o pai se referia).
Toma a preposição 'por' como expressão de consequência, quando indica causa (falta de trabalho como motivo do medo).
Por que engana: aceitar a substituição sem verificar o sentido e a classe gramatical
Identifica corretamente a preposição, mas erra o sentido: 'para os rios' indica destino/direção, e a substituição por 'de' não é adequada.
Reconhece o pronome relativo, mas não percebe que 'cujo' implicaria posse entre os termos, o que não ocorre na oração.
CORRETA. 'Para garantir' é preposição que introduz finalidade, e pode ser substituída por 'a fim de' sem alterar o sentido, pois a oração indica o propósito de ter o cortado na mesa.
Raio-X da questão
relações semânticas expressas por conectivos e pronomes
avaliacao
classes gramaticais (conjunção, preposição, pronome) · sentido das preposições e conjunções
classes de palavras e relações de causa, finalidade e posse
aceitar a substituição sem verificar o sentido e a classe gramatical
cidadania_etica
empatia
literario
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