Em um laboratório brasileiro, pesquisadores estudaram o gene R em duas populações de células epiteliais…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um laboratório brasileiro, pesquisadores estudaram o gene R em duas populações de células epiteliais obtidas do mesmo indivíduo. As células mantiveram a mesma sequência de bases do gene, mas apresentaram padrões distintos na região promotora. Na população X, 9% das citosinas do promotor estavam metiladas, a acetilação das histonas era alta e a produção de RNA correspondia a 8,6 unidades relativas. Na população Y, 67% das citosinas estavam metiladas, a acetilação era baixa e a produção de RNA correspondia a 1,2 unidade relativa. Esses resultados mostram associação, mas não permitem concluir que as marcas epigenéticas causaram a diferença de expressão. Para testar experimentalmente se a metilação do promotor e a acetilação das histonas são causas da diferença de expressão do gene R, qual procedimento fornece a evidência mais adequada?
- A) Alterar a sequência de bases do promotor e depois comparar a produção de RNA entre células modificadas e não modificadas.
- B) Modificar ao mesmo tempo a metilação do promotor e a acetilação das histonas, comparando a produção de RNA com a das células não tratadas.
- C) Medir a metilação do promotor em diferentes células e inferir a participação das histonas a partir da quantidade de RNA produzida.
- D) Modificar separadamente a metilação do promotor e a acetilação das histonas, mantendo grupos-controle equivalentes, e comparar a produção de RNA sem alterar a sequência do gene.
- E) Comparar apenas as duas populações celulares quanto à produção de RNA e às marcas epigenéticas observadas, sem realizar intervenções experimentais.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado já informa que os dados mostram associação, mas não causalidade. Para testar causa, é preciso intervir: alterar uma variável por vez e observar se a expressão do gene muda. Passo 2: A alternativa D faz isso. Ela modifica separadamente a metilação do promotor e a acetilação das histonas, o que permite saber o efeito de cada marca isoladamente. Os grupos-controle equivalentes servem de referência, de modo que a diferença na produção de RNA possa ser atribuída à intervenção. Passo 3: Ao não alterar a sequência de bases, mantém-se o gene constante, como o enunciado pede, e a única diferença passa a ser a marca epigenética. Passo 4: Por que as outras estão erradas. A: alterar a sequência do promotor muda o gene em si, não a epigenética, e não responde se a metilação ou a acetilação causam a diferença. B: modificar as duas marcas ao mesmo tempo impede saber qual delas produziu o efeito observado. C: medir a metilação e inferir o papel das histonas a partir do RNA é um raciocínio circular e não faz nenhuma intervenção. E: comparar apenas as populações sem intervenção repete a correlação já observada e não testa causalidade. Passo 5: Conclusão: a evidência mais adequada é a intervenção separada, com controles, sem mudar a sequência gênica, alternativa D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: focar na necessidade de manipular isoladamente cada variável com controle
Alternativa por alternativa
O aluno confunde epigenética com mutação, achando que mudar a sequência de bases é a forma de testar marcas epigenéticas. Assim, a alteração genética se torna a variável que explicaria a diferença.
O aluno acredita que modificar duas variáveis juntas é um teste válido, sem perceber que não é possível separar o efeito de cada uma. Ele não entende o princípio de controle de variáveis.
O aluno supõe que a quantidade de RNA pode indicar a ação das histonas, o que é uma inferência circular sem intervenção. Ele não percebe que medir não equivale a testar causa.
A manipulação isolada de cada marca, acompanhada de controles equivalentes e da verificação da sequência, permite testar causalidade e distinguir regulação epigenética de alteração genética.
O aluno acha que a comparação entre populações, com as marcas e a expressão já observadas, basta para concluir causalidade. Ele ignora que correlação não prova causa, como o próprio enunciado alerta.
Por que engana: confundir correlação com causalidade e não controlar variáveis isoladamente
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