Em uma comunidade de jogos on-line, os moderadores discutem se uma regra é moralmente aceitável apenas porque…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma comunidade de jogos on-line, os moderadores discutem se uma regra é moralmente aceitável apenas porque recebeu muitos votos de aprovação dos usuários. Para ajudar a turma a analisar o caso, o professor apresenta a ideia kantiana de que uma ação só pode ser considerada moral se puder valer como regra universal e se respeitar as pessoas como fins em si mesmas, e não apenas como meios para obter aprovação. Considerando o texto-base, qual posição Kant provavelmente adotaria diante da afirmação de que uma ação é ética apenas porque é popular entre a maioria?
- A) Kant concordaria apenas se a ação trouxesse bons resultados para o grupo, pois o valor moral depende das consequências favoráveis para a comunidade.
- B) Kant admitiria a ação apenas porque a maioria a considera correta, já que o acordo entre os indivíduos é suficiente para torná-la moral.
- C) Kant rejeitaria essa afirmação, pois a moralidade não depende da aprovação da maioria, mas do dever e de princípios que possam ser universalizados e que respeitem a dignidade das pessoas.
- D) Kant defenderia a ação se ela já fosse aceita como costume entre os participantes, porque o hábito coletivo garante sua legitimidade moral.
- E) Kant aceitaria essa afirmação, porque uma ação ética deve ser validada pelo consenso da maioria e pela aprovação social dos usuários.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo do texto-base. Kant sustenta que uma ação só é moral se puder valer como regra universal (imperativo categórico) e se tratar as pessoas como fins em si mesmas, e não apenas como meios.
- Aplique ao caso. A afirmação de que uma ação é ética só porque é popular procura fundamentar a moralidade na aprovação da maioria, ou seja, em um critério externo à vontade e ao dever. Para Kant, a legitimidade moral vem da forma do princípio que guia a ação, não do número de votos ou da popularidade.
- Teste a universalização. Uma regra aprovada apenas por ser popular não garante que possa ser querida por todos como lei universal, nem que respeite a dignidade de cada pessoa; a maioria pode, inclusive, aprovar algo que trate indivíduos como meios.
- Conclusão. Kant rejeitaria a afirmação, e a alternativa C expressa exatamente essa posição. Gabarito oficial confirmado.
- Por que as outras estão erradas. A alternativa A é consequencialista, algo que Kant rejeita ao afirmar que o valor moral não depende das consequências. A alternativa B aceita o acordo entre indivíduos como suficiente, o que contraria a ideia de autonomia e de dever independente da aprovação. A alternativa D faz do hábito coletivo a fonte da legitimidade, ignorando que o costume não garante universalidade racional. A alternativa E afirma que o consenso social valida a moral, posição oposta ao formalismo kantiano.
💡 Dica: Procure o critério moral em Kant: dever, universalização e dignidade.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que o valor moral depende dos resultados favoráveis para o grupo, confundindo a ética kantiana com o utilitarismo.
O aluno acreditou que o acordo entre os indivíduos basta para tornar uma ação moral, ignorando que Kant funda a moralidade na razão e no dever, não no consenso.
Corresponde à ética kantiana: o critério moral não é a popularidade, e sim o dever, a universalização da máxima e o respeito à pessoa como fim em si mesma.
O aluno supôs que o costume coletivo garante legitimidade moral, tratando a tradição social como fonte da moralidade em vez de princípios universalizáveis.
O aluno leu a afirmação do enunciado como se fosse a posição de Kant, interpretando mal a pergunta, que pede a posição kantiana diante dessa tese, não a sua adesão a ela.
Por que engana: confundir moralidade com aprovação da maioria
Raio-X da questão
moralidade kantiana
distinguir dever mor
dever · universalização
imperativo categórico
confundir moralidade com aprovação da maioria
ética nas redes e convivência digital
responsabilidade
cotidiano digital e
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