Por que duas viagens de mesma distância podem consumir tempos tão diferentes? Dados ilustrativos discutidos em…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que duas viagens de mesma distância podem consumir tempos tão diferentes? Dados ilustrativos discutidos em uma audiência pública de uma capital brasileira cruzaram levantamento de mobilidade e cadastro de renda. Nos bairros periféricos, a renda domiciliar média era de 2,1 mil reais, e 70 por cento dos deslocamentos ao centro exigiam duas conduções. Nos bairros centrais, a renda média era de 6,4 mil reais, e essa situação atingia 18 por cento dos trajetos. Diante de uma proposta de ampliar corredores de ônibus, uma estudante recordou John Rawls: regras de cooperação social devem poder ser aceitas por pessoas que desconhecem se ocuparão posições favorecidas ou desfavorecidas. Analise os dados e o critério de justiça apresentado. Que diretriz de investimento seria mais justificável nessa situação?
- A) Direcionar recursos aos bairros com maior apoio eleitoral à administração municipal.
- B) Priorizar linhas alimentadoras nos bairros de menor renda, com acesso universal garantido.
- C) Concentrar recursos nos bairros de maior renda, para elevar a arrecadação municipal.
- D) Manter a divisão atual de recursos, por resultar de decisões orçamentárias anteriores.
- E) Distribuir recursos idênticos a todos os bairros, sem considerar renda ou oferta existente.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Os dados mostram desigualdade de acesso. Nos bairros periféricos, com renda média de 2,1 mil reais, 70 por cento dos deslocamentos ao centro exigem duas conduções. Nos bairros centrais, com renda de 6,4 mil reais, o índice cai para 18 por cento. A mesma distância custa mais tempo e mais dinheiro a quem vive na periferia.
- O critério de Rawls pedido pela estudante é o véu da ignorância: as regras devem ser aceitas por quem não sabe se ocupará uma posição favorecida ou desfavorecida. Quem estivesse atrás desse véu não aceitaria uma regra que deixasse a periferia sempre com a pior mobilidade, pois poderia ser justamente um morador dela. Por isso, a diretriz mais justificável é atender primeiro quem está em pior situação, com a ideia de que desigualdades só se justificam se beneficiam os menos favorecidos (princípio da diferença).
- A alternativa B aplica essa lógica: prioriza linhas alimentadoras nos bairros de menor renda e mantém acesso universal, ou seja, corrige a desvantagem sem excluir ninguém.
- Por que as outras estão erradas: A troca o critério de justiça por interesse eleitoral, o que contradiz a imparcialidade exigida pelo véu da ignorância. C concentra recursos onde a mobilidade já é boa, aumentando a desigualdade e priorizando a arrecadação. D preserva uma distribuição que os dados mostram injusta, sem justificativa pelo critério apresentado. E parece igualitária, mas ignora as diferenças reais de necessidade e oferta, que é justamente o que o caso expõe.
- O gabarito oficial B está correto.
💡 Dica: Analise os dados sociais e aplique o conceito de justiça de Rawls para justificar a diretriz de investimento.
Alternativa por alternativa
O aluno pode supor que recursos devem seguir apoio político, confundindo gestão administrativa com justiça distributiva. Não percebe que o véu da ignorância exige imparcialidade frente a interesses particulares.
A prioridade reduz uma desvantagem evidenciada pelos dados e seria aceitável sem saber a posição social ocupada. Aplica a justiça como equidade.
O aluno pode acreditar que aumentar a arrecadação beneficia todos, sem considerar que reforçar os bairros já bem atendidos amplia a desigualdade. Não aplica o princípio de que desigualdades devem beneficiar os menos favorecidos.
O aluno pode entender que decisões orçamentárias anteriores legitimam a distribuição atual, tratando o status quo como justo. Ignora que a justificativa deve vir do critério de justiça, e não da tradição.
O aluno pode associar justiça a tratamento idêntico para todos, confundindo igualdade formal com equidade. Não percebe que dar o mesmo a quem tem necessidades diferentes mantém a desvantagem dos bairros periféricos.
Raio-X da questão
justiça social e mobilidade urbana
diagnostico
princípios básicos de justiça social · desigualdade socioeconômica
estude o princípio da justiça de John Rawls e desigualdades sociais na mobilidade urbana
Confundir dados estatísticos com opinião pessoal ou não relacionar a teoria de Rawls com a situação apresentada.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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