Durante a abertura da rodovia BR-174, na década de 1970, comunicados oficiais apresentavam a obra como…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante a abertura da rodovia BR-174, na década de 1970, comunicados oficiais apresentavam a obra como necessária à integração nacional. Neles, a área atravessada aparecia sobretudo como trecho a ser ocupado e protegido. Memórias Waimiri-Atroari, reunidas mais tarde por pesquisadores, relatam deslocamentos forçados, mortes e destruição de aldeias no período. Ao comparar essas fontes, estudantes de um arquivo público observaram que os comunicados não registravam os habitantes como sujeitos com direitos territoriais, enquanto os relatos indígenas destacavam perdas humanas e culturais. A diferença entre os registros não prova, por si só, cada episódio narrado, mas revela conflitos sobre quem poderia definir o uso daquela região. Interprete o contraste entre as fontes e identifique a análise histórica que explica a violência sofrida pelos Waimiri-Atroari nesse processo.
- A) Reconhece que a política de integração tratou o território indígena como obstáculo, favorecendo violência estatal e apagamento de direitos.
- B) Reconhece que os relatos indígenas impedem toda análise histórica por não serem documentos escritos.
- C) Reconhece que os conflitos resultaram apenas de rivalidades locais, sem relação com projetos conduzidos pelo Estado.
- D) Reconhece que os comunicados oficiais registravam integralmente a perspectiva e os direitos dos habitantes indígenas.
- E) Reconhece que a estrada produziu violência inevitável, independentemente das escolhas políticas de sua implantação.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. Os comunicados oficiais tratavam a área como trecho a ser ocupado e protegido, mas não reconheciam os habitantes como sujeitos com direitos territoriais. Já as memórias indígenas relatam deslocamentos forçados, mortes e destruição de aldeias.
- Identifique o contraste central. A fonte oficial enquadra o território como espaço a ser incorporado ao projeto nacional, enquanto a fonte indígena expõe as consequências humanas e culturais desse projeto. O próprio texto alerta que a diferença entre os registros não prova cada episódio, mas revela disputas sobre quem podia definir o uso da região.
- Construa a análise histórica. Ao tratar o território indígena como obstáculo à integração, a política estatal legitimou a retirada forçada dos habitantes e a violência contra eles, acompanhada do apagamento de seus direitos nos documentos oficiais. Essa é a interpretação que explica o processo, sem exigir que cada episódio esteja comprovado no enunciado.
- Analise as demais alternativas. A B está errada porque fontes orais e memórias são documentos históricos legítimos, que devem ser analisados criticamente. A C está errada porque o texto liga os conflitos a um projeto conduzido pelo Estado, não a rivalidades locais. A D está errada porque os comunicados justamente não registravam os habitantes como sujeitos de direitos. A E está errada porque o texto sugere que a violência resultou das escolhas políticas de implantação da rodovia, não de uma fatalidade inevitável.
- Conclusão: a alternativa A é a correta, pois reconhece a relação entre a política de integração, o tratamento do território indígena como obstáculo e a violência e o apagamento de direitos sofridos pelos Waimiri-Atroari.
💡 Dica: Compare as diferentes perspectivas das fontes para entender o conflito histórico.
Alternativa por alternativa
A obra foi apresentada como prioridade nacional, enquanto os habitantes foram excluídos dos registros oficiais. Isso ajuda a explicar a violência ligada à negação de direitos territoriais.
O aluno acredita que, por não serem documentos escritos oficiais, os relatos indígenas não servem como fonte histórica e não podem ser usados na análise.
O aluno entende que os conflitos foram disputas entre grupos locais, desconectadas de qualquer projeto estatal, ignorando a ligação entre a obra e a política de integração.
O aluno lê os comunicados como neutros e completos, sem perceber que eles não tratavam os habitantes como sujeitos com direitos territoriais.
O aluno aceita que a violência era uma consequência natural e inevitável de qualquer construção de estrada, sem considerar que foram decisões políticas que determinaram o processo.
Raio-X da questão
conflito territorial e direitos indígenas
diagnostico
interpretação de fontes históricas · conflitos indígenas no Brasil
estude conflitos indígenas e políticas de integração nacional no Brasil
Confundir relatos oficiais com relatos indígenas, não reconhecendo a parcialidade das fontes.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
Questões parecidas com resolução
- Ao entrar em uma exposição sobre a ocupação britânica da Austrália, um visitante lê um painel com duas vozes. A…
- Na preparação de um podcast sobre a conquista espanhola na América, estudantes selecionaram dois excertos adaptados de…
- Cartas, jornais e listas de nomes reunidos em um arquivo público permitem observar experiências de países…
- Por que, poucos anos após o fim da escravidão, tantos trabalhadores pobres eram levados às delegacias? Em uma crônica…
- Um caderno fictício de um comerciante britânico registra a compra de grandes quantidades de caroços de dendê em uma área…
- — A obra é prioridade nacional. Onde hoje há mato, amanhã haverá produção — afirmou um representante do governo ao…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
