— Não queremos transformar os relatos em explicações científicas nem dizer que todas as tradições pensam igual…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar sentidos do viver e do morrer em diferentes tradições religiosas, através do estudo de mitos fundantes.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Não queremos transformar os relatos em explicações científicas nem dizer que todas as tradições pensam igual — afirmou a mediadora ao revisar as placas de uma exposição sobre narrativas de origem. Uma delas apresenta o Gênesis, lido em tradições judaicas e cristãs: o ser humano é formado do pó e recebe o sopro da vida; depois de romper um limite, ouve que retornará ao pó. Outra apresenta uma narrativa maori, transmitida em diferentes versões: os filhos de Rangi e Papa separam o céu e a terra, abrindo espaço para a luz e para a vida. Mais tarde, Maui tenta vencer a morte ao enfrentar Hine-nui-te-po, mas não consegue. Para a equipe, as placas devem ajudar o público a perceber que tais narrativas discutem a condição humana sem reduzir uma tradição à outra. Analise as narrativas apresentadas e identifique a formulação que uma placa da exposição poderia usar para compará-las, respeitando suas diferenças.
- A) Os relatos apresentam a morte como reversível, pois Maui procura derrotá-la durante seu percurso.
- B) Os relatos apresentam a mortalidade humana, mas usam imagens distintas de origem e de limite para atribuir-lhe sentido.
- C) Os relatos apresentam a mesma origem terrestre, pois Rangi e Papa correspondem ao pó mencionado no Gênesis.
- D) Os relatos atribuem a morte exclusivamente a uma desobediência humana cometida pelos primeiros seres.
- E) Os relatos apresentam descrições científicas da origem humana, pois situam o começo da vida no mundo.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o enunciado com atenção. A mediadora pede que as placas comparem as narrativas sem reduzir uma tradição à outra e sem transformar os relatos em explicações científicas.
- Identifique o que as duas narrativas têm em comum. O Gênesis fala da formação do ser humano do pó, do sopro da vida e do retorno ao pó após romper um limite. A narrativa maori fala da separação entre céu e terra, da abertura para luz e vida, e da tentativa de Maui de vencer a morte, que não é bem-sucedida. Ambas tratam, portanto, da condição humana diante da mortalidade.
- Identifique o que as diferencia. As imagens de origem são distintas (pó e sopro no Gênesis; separação de Rangi e Papa na narrativa maori), e o limite também aparece de formas diferentes (a ruptura de um limite no Gênesis; o enfrentamento de Hine-nui-te-po por Maui). A alternativa B reúne exatamente esses dois pontos: a mortalidade humana como tema comum e a diversidade de imagens de origem e de limite como forma de dar sentido a ela.
- Verifique as alternativas erradas. A afirma que a morte é reversível, mas o próprio texto diz que Maui não consegue vencê-la. C afirma que Rangi e Papa correspondem ao pó do Gênesis, o que é incorreto, pois são figuras de uma cosmogonia diferente. D atribui a morte exclusivamente à desobediência humana, o que não aparece na narrativa maori e reduz o Gênesis a apenas um aspecto. E trata os relatos como descrições científicas, contrariando a advertência explícita da mediadora.
- Conclusão. A alternativa correta é a B, que é a mesma do gabarito oficial.
💡 Dica: Compare as narrativas destacando semelhanças e diferenças respeitando suas origens culturais.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que, como Maui tenta vencer a morte, a narrativa trataria a morte como algo reversível. Ele ignorou que o texto afirma que Maui não consegue.
A comparação reconhece a mortalidade nas duas narrativas e preserva suas imagens próprias: pó e sopro, em uma; céu, terra e o limite de Maui, na outra.
O aluno associou o pó do Gênesis às figuras de Rangi e Papa, supondo uma equivalência de origem terrestre entre as duas tradições. Confundiu semelhança de imagens com identidade de conteúdo.
O aluno acreditou que a morte, em ambas as narrativas, deriva de uma falta humana, transferindo ao texto maori uma ideia de pecado que não aparece nele. Generalizou um elemento de uma tradição para as duas.
O aluno tomou a menção à origem da vida como se fosse uma explicação científica. Confundiu relato de origem, de caráter simbólico e religioso, com descrição científica.
Raio-X da questão
comparação de narrativas culturais
diagnostico
interpretação de textos culturais
estudo de narrativas e diversidade cultural
Confundir as narrativas como iguais ou tentar unificá-las sem respeitar suas diferenças culturais.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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