— Vó, por que você diz que Brasília “nasceu dividida”? — perguntou o neto, ao ver fotos da construção. —…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Vó, por que você diz que Brasília “nasceu dividida”? — perguntou o neto, ao ver fotos da construção. — Porque nem todo mundo que ergueu a cidade ficou com as mesmas oportunidades — respondeu ela, lembrando do canteiro de obras. Em um quadro de pagamentos da empresa responsável pela construção (fim dos anos 1950), a maior parte dos operários aparecia como “temporário”: só 1 em cada 5 tinha carteira assinada. O ganho médio dos operários ficava perto de 2,5 salários mínimos, com longas jornadas. Anos depois, já com a capital funcionando (meados dos anos 1960), um levantamento sobre ocupação mostrava que, no Plano Piloto, predominavam vínculos estáveis no setor público, com renda média acima de 7 salários mínimos. Nas cidades-satélite, eram comuns bicos e serviço doméstico, e o desemprego era bem mais alto. Com base no texto, conclua qual hipótese interpreta melhor a relação entre os indicadores de trabalho e renda e a formação de desigualdades no período descrito.
- A) A formação de um mercado de trabalho segmentado, com estabilidade e renda no centro e precariedade nas periferias
- B) A formação de uma igualdade ocupacional, pois a expansão do setor público absorveu a maioria dos operários da obra
- C) A formação de uma mobilidade social linear, em que o tempo de serviço garantiu salários semelhantes para todos
- D) A formação de uma melhora uniforme, pois a formalização aumentou e eliminou as diferenças de renda entre centro e periferia
- E) A formação de um conflito apenas regional, já que o desemprego decorreu somente do deslocamento de trabalhadores de outros estados
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto traz dois momentos. No canteiro de obras (fim dos anos 1950), só 1 em cada 5 operários tinha carteira assinada, a maioria aparecia como temporária, com ganho médio perto de 2,5 salários mínimos e longas jornadas. Depois, já com a capital em funcionamento (meados dos anos 1960), o Plano Piloto concentrava vínculos estáveis no setor público, com renda média acima de 7 salários mínimos, enquanto nas cidades-satélite predominavam bicos, serviço doméstico e desemprego mais alto. Passo 2: Os indicadores mostram uma diferença de estabilidade e de renda entre regiões e entre tipos de vínculo, e não uma situação homogênea. Passo 3: Isso corresponde a um mercado de trabalho segmentado: o centro concentra estabilidade e renda elevada, e as periferias concentram precariedade. Essa é a hipótese que melhor interpreta a relação entre trabalho, renda e desigualdade descrita no texto, e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa B está errada, pois o texto mostra a maioria dos operários sem carteira assinada e não absorvida pelo setor público. A alternativa C está errada, pois o texto indica salários muito diferentes entre centro e periferia, não semelhantes. A alternativa D está errada, pois o texto mostra a persistência de diferenças de renda, não sua eliminação. A alternativa E está errada, pois o texto não atribui o desemprego apenas a deslocamentos de trabalhadores de outros estados; ele descreve diferenças estruturais de vínculo e renda.
💡 Dica: Analise as informações sobre trabalho e renda para entender as desigualdades sociais.
Alternativa por alternativa
Os dados opõem vínculos estáveis e melhor renda no Plano Piloto a temporariedade, bicos e desemprego nas cidades-satélite, indicando estratificação.
Interpreta que a expansão do setor público empregou a maior parte dos operários, quando o texto mostra que a maioria era temporária e sem carteira assinada.
Supõe que o tempo de serviço nivelou salários, ignorando que o texto registra renda média muito distinta entre Plano Piloto e cidades-satélite.
Acredita que formalizar o trabalho acabou com as diferenças de renda, quando o texto descreve desigualdade persistente entre centro e periferia mesmo depois da formalização em algumas áreas.
Entende que o desemprego foi causado apenas por migração de trabalhadores de outros estados, uma explicação que o texto não apresenta; ele fala em diferenças estruturais de vínculo e renda.
Raio-X da questão
desigualdade social e trabalho
diagnostico
historia do trabalho no Brasil · desigualdade social
estude as relações entre trabalho, renda e desigualdade social no Brasil
Confundir dados históricos com opiniões pessoais ou não relacionar renda e trabalho com desigualdade.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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