— A cena sempre volta para o mesmo personagem — reclamou uma das atrizes, ao fim do ensaio. O grupo preparava…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Investigar e experimentar diferentes funções teatrais e discutir os limites e desafios do trabalho artístico coletivo e colaborativo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— A cena sempre volta para o mesmo personagem — reclamou uma das atrizes, ao fim do ensaio. O grupo preparava uma intervenção teatral para o saguão do prédio onde moram: não haveria palco, nem texto pronto, e o público circularia enquanto pequenas cenas surgiam a partir de relatos de “esperas” (fila, elevador, consulta). Na primeira tentativa, cada participante trouxe uma ideia forte, mas as improvisações ficaram repetitivas: dois atores “puxavam” as decisões, outros entravam apenas para “completar”, e a história mudava de rumo sem que o conjunto percebesse. Na conversa pós-ensaio, alguém sugeriu: “Se a gente combinar um jeito de aceitar a proposta do colega e transformar, talvez a narrativa apareça”. Outro rebateu: “Mas sem roteiro vai virar bagunça”. O grupo precisa decidir um procedimento para o próximo encontro, mantendo improvisação, autoria e construção coletiva. Com base no texto, identifique o procedimento mais adequado para fortalecer a criação autoral e colaborativa do grupo, garantindo improvisação e construção de uma narrativa coletiva.
- A) Definir um roteiro completo antes do ensaio e improvisar apenas a entonação das falas
- B) Dividir o grupo em solos independentes e juntar as cenas no final, sem combinar ligações entre elas
- C) Eleger um integrante para decidir sozinho entradas, saídas e desfecho, evitando mudanças de rumo
- D) Estabelecer regras de escuta e revezamento, acolhendo propostas e acrescentando ações para encadear a história
- E) Repetir a improvisação até todos copiarem as melhores falas, padronizando a cena para o público
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto descreve um grupo que improvisa sem roteiro, mas com dois atores dominando as decisões, outros apenas completando e a história mudando de rumo sem percepção coletiva. O problema é de procedimento: falta uma forma combinada de aceitar, transformar e encadear as propostas de todos.
- Para manter a improvisação e a autoria, o procedimento precisa ser um acordo de funcionamento e não um roteiro fechado. A alternativa D propõe regras de escuta e revezamento, que garantem que todos sejam ouvidos e tenham a vez de propor, e acrescentar ações para encadear a história, que é exatamente o que a colega sugeriu ao dizer que 'aceitar a proposta do colega e transformar' faria a narrativa aparecer.
- Por que as outras estão erradas: A exige roteiro completo, o que contraria a proposta de improvisação sem texto pronto; B fragmenta o grupo e não constrói narrativa coletiva; C centraliza a decisão em uma pessoa, justamente o problema que o grupo quer superar; E padroniza a cena copiando falas, o que elimina a criação autoral.
- Conclusão: a alternativa D é a que fortalece simultaneamente a criação colaborativa, a autoria de cada participante e a construção de uma narrativa coletiva, sem abrir mão da improvisação. O gabarito oficial D está correto.
💡 Dica: Identifique a proposta que combina escuta, acolhimento de ideias e encadeamento coletivo sem eliminar a improvisação.
Alternativa por alternativa
Acredita que, para evitar a bagunça, é preciso fixar todo o conteúdo em um roteiro, mesmo que isso elimine a improvisação que o grupo quer preservar.
Por que engana: Confundir construção coletiva com ausência de organização ou, no extremo oposto, escolher um roteiro rígido que elimina a improvisação e a autoria dos participantes.
Entende que dar liberdade total a cada participante em cenas separadas resolve a dominância de dois atores, sem perceber que a narrativa coletiva exige ligações entre as cenas.
Supõe que a falta de rumo se resolve concentrando decisões em um único integrante, ignorando que isso reproduz o problema de centralização apontado no texto.
Aplica o princípio de construção coletiva na improvisação: aceitar contribuições e desenvolver nexos narrativos em grupo.
Confunde construção coletiva com repetição e cópia de falas, achando que padronizar a cena gera narrativa, quando isso elimina a autoria dos atores.
Raio-X da questão
Improvisação e criação coletiva
avaliacao
Princípios básicos de improvisação teatral · Escuta e criação coletiva
Revise procedimentos de improvisação teatral, escuta ativa e construção colaborativa de narrativas.
Confundir construção coletiva com ausência de organização ou, no extremo oposto, escolher um roteiro rígido que elimina a improvisação e a autoria dos participantes.
multiculturalismo
colaboracao
literario
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