— Se a cerca ficar aqui, a gente nao passa mais para o mangue — reclamou uma marisqueira ao ver estacas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Se a cerca ficar aqui, a gente nao passa mais para o mangue — reclamou uma marisqueira ao ver estacas fincadas na areia. Na mesma semana, uma empresa de turismo anunciou “trilhas exclusivas” para seus hospedes e colocou placas com regras proprias. A associacao de pescadores respondeu pintando marcos no caminho usado “desde os avos”, indicando horarios e pontos de coleta. A prefeitura, pressionada por queixas e por promessas de emprego, convocou audiencia publica e publicou um mapa de zoneamento: uma faixa para circulacao livre, outra para atividade economica e outra para area de preservacao. Depois de novos conflitos, a decisao judicial determinou os limites e autorizou fiscalizacao, com multa para quem descumprisse. No debate local, surgiram explicacoes distintas sobre “quem, de fato, faz a fronteira” naquele trecho do litoral. Interprete o texto-base e aplique uma ideia de Thomas Hobbes para identificar qual agente tem papel decisivo na fixacao de fronteiras territoriais quando ha conflito entre usos do espaco.
- A) Afirmar que a ancestralidade do uso, por expressar tradicao coletiva, basta para transformar caminhos e pontos de coleta em fronteira.
- B) Afirmar que a ocupacao por atividade economica, ao gerar contratos e empregos, legitima por si so a delimitacao do espaco.
- C) Afirmar que o limite natural do mangue e da praia determina a fronteira, tornando secundarias as disputas e as normas humanas.
- D) Afirmar que a empresa, ao cercar e sinalizar, cria um territorio legitimo porque controla fisicamente a passagem e a circulacao.
- E) Afirmar que a decisao estatal, ao impor regras e sancoes, estabiliza limites onde interesses privados e costumes entram em choque.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O texto mostra vários agentes disputando o uso do litoral: a marisqueira e a associação de pescadores (uso tradicional), a empresa de turismo (interesse privado com regras próprias) e a prefeitura, que depois dá lugar à decisão judicial, com limites, fiscalização e multa. Passo 2: Em Hobbes, no estado de natureza, sem um poder comum que imponha normas, os homens disputam os recursos e o conflito é permanente. A saída é o pacto que institui um soberano com poder coercitivo para arbitrar e fazer cumprir as regras. Passo 3: Aplicando ao texto, a fronteira só se estabiliza quando o Estado (prefeitura e Judiciário) define o zoneamento, fixa os limites e pune quem descumprir. Por isso a alternativa E é a correta. Passo 4: A alternativa A está errada, porque a tradição é uma reivindicação de um grupo e não basta sem o reconhecimento de uma autoridade comum. Passo 5: A alternativa B está errada, porque a geração de empregos é um argumento de interesse econômico que não legitima sozinho a delimitação do espaço. Passo 6: A alternativa C está errada, porque o limite natural não encerra as disputas, que o texto mostra existirem e serem resolvidas por normas humanas. Passo 7: A alternativa D está errada, porque o controle físico exercido pela empresa é justamente um foco de conflito, como mostram as cercas e os marcos, e não confere legitimidade. Passo 8: A questão não depende de figura ou tabela; o texto-base é suficiente para a análise.
💡 Dica: Analise o texto e relacione com a teoria de Hobbes sobre o poder soberano.
Alternativa por alternativa
Acredita que a tradição coletiva, por si só, cria uma fronteira legítima, sem perceber que o costume sem autoridade comum reconhecida gera disputa e não ordem.
Confunde utilidade econômica com legitimidade, supondo que contratos e empregos dão direito de delimitar o espaço sem o reconhecimento do Estado.
Acredita que as fronteiras são dadas pela natureza e que as normas humanas e os conflitos são irrelevantes, o que contraria o texto, que descreve disputas concretas.
Entende que controlar fisicamente a passagem gera legitimidade, confundindo força de fato com direito, quando as próprias cercas são o foco do conflito.
Em Hobbes, a paz depende de um poder comum que define normas e as faz cumprir; no texto, isso ocorre na decisao/acao estatal.
Raio-X da questão
poder soberano e fronteiras territoriais
diagnostico
teoria do contrato social · conceito de soberania
estude a teoria do contrato social e o papel do Estado em Hobbes
Confundir o papel do Estado com agentes sociais ou econômicos na definição de fronteiras.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
Questões parecidas com resolução
- — Se cada grupo desenhar sua própria linha na areia, ninguém saberá onde pode pescar amanhã — observou uma marisqueira…
- — Se cercarem a restinga, por onde a gente chega ao mar? — pergunta uma moradora na audiência pública. Na faixa de areia…
- Em uma cidade brasileira, um debate sobre segurança pública retomou uma formulação de Thomas Hobbes: quando não existe…
- Em filosofia política, territorialidade não significa apenas ocupar ou dividir uma área no mapa. Ela envolve a…
- — “Aqui sempre foi caminho de todos”, reclamou um barqueiro ao ver a nova cancela na trilha que leva a uma faixa de…
- No processo de consolidação do Estado moderno na Europa, a demarcação de fronteiras nacionais tornou-se essencial para a…
Todas as questões de Sociedade Líquida (Bauman) e Sociedade do Cansaço (Han)
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
