“Depois da cerca, o caminho do mangue virou ‘proibido’”, reclamou uma marisqueira ao ver placas de “área…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Depois da cerca, o caminho do mangue virou ‘proibido’”, reclamou uma marisqueira ao ver placas de “área restrita” no acesso usado há décadas pela comunidade. Nos últimos meses, uma empresa de carcinicultura passou a operar em terrenos alagados próximos ao estuário, após obter concessão do poder público. A entrada ganhou guarita, vigilância e controle de horários, e parte dos moradores foi contratada como diarista para serviços na fazenda. Em resposta, a associação local organizou mutirões para demarcar, com estacas e faixas, as rotas tradicionais de coleta e para registrar relatos sobre o uso comunitário do espaço. A prefeitura anunciou que fará reuniões “para conciliar interesses” e que a circulação “deve seguir as normas do empreendimento”. Com base no texto, compare as ações dos agentes envolvidos e identifique a interpretação sociológica que melhor avalia a formação de novas territorialidades e fronteiras de acesso no estuário.
- A) Reduzir o caso a escolhas individuais orientadas por valores, sem considerar instituições que regulam a posse e o uso do espaço.
- B) Interpretar o caso como fronteira entre países, na qual a soberania nacional limita legalmente a circulação de pessoas.
- C) Explicar o caso como fortalecimento da solidariedade social, pois as regras do empreendimento integram moralmente a comunidade.
- D) Compreender o caso como cercamento que redefine o território ao controlar trabalho e circulação, articulando Estado e empresa.
- E) Atribuir o caso a limites naturais do mangue, pois o ambiente por si só determina quem pode ocupar e usar o estuário.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o que o texto descreve. Uma empresa de carcinicultura (criação de camarões) passou a operar em terrenos alagados do estuário após concessão do poder público. Há cerca, guarita, vigilância, controle de horários e placas de área restrita no acesso tradicional usado pela comunidade.
- Analise a dinâmica de poder. O Estado (prefeitura e poder público) concede o espaço e afirma que a circulação deve seguir as normas do empreendimento. A empresa controla a entrada e contrata parte dos moradores como diaristas, vinculando o acesso ao trabalho. Ou seja, Estado e empresa atuam juntos na redefinição do uso do território.
- Analise a resposta da comunidade. A associação demarca as rotas tradicionais com estacas e faixas e registra relatos de uso comunitário. Isso mostra uma territorialidade que resiste e disputa o significado do espaço, sem que haja um limite natural ou uma fronteira entre países.
- Conclua. A alternativa D é a correta, pois descreve o cercamento que redefine o território ao controlar trabalho e circulação, articulando Estado e empresa, exatamente o que o texto mostra.
- Justifique as demais. A alternativa A é errada porque reduz o caso a escolhas individuais, ignorando as instituições (concessão, normas, posse). A alternativa B é errada porque não há fronteira entre países no texto, apenas um conflito interno de acesso. A alternativa C é errada porque o texto mostra conflito e não fortalecimento da solidariedade pelas regras do empreendimento. A alternativa E é errada porque o texto atribui o controle à ação de agentes humanos e não a limites naturais do mangue.
💡 Dica: Analise as ações dos agentes sociais e relacione com conceitos de territorialidade e poder.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o conflito se explica apenas por decisões pessoais e preferências individuais, desconsiderando que concessão, normas e controle de acesso são instituições que definem quem usa o espaço.
O aluno associa a palavra 'fronteira' ao sentido político-territorial entre países e à soberania nacional, sem perceber que o texto trata de fronteiras internas de acesso dentro do mesmo território nacional.
O aluno interpreta as regras do empreendimento como integração moral e fortalecimento dos laços comunitários, ignorando que o texto descreve restrição, conflito e perda de acesso tradicional.
A concessão e o controle do acesso reordenam o uso do espaço; a territorialidade se produz por relações de poder (Marx/Weber) entre agentes.
O aluno confunde condicionantes ambientais com determinismo, supondo que o ambiente alagado do mangue define sozinho quem pode ocupar o estuário, quando o texto mostra decisões humanas e institucionais.
Raio-X da questão
territorialidade e controle social
diagnostico
conceitos básicos de sociologia · conflitos sociais e poder
estude conceitos de territorialidade, poder e conflitos sociais
Confundir ações dos agentes sociais com aspectos meramente econômicos, sem considerar o conflito de territorialidade e poder.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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