Por que um bairro pode “encolher” ou “crescer” sem mudar no mapa? Em uma capital brasileira, comerciantes do…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que um bairro pode “encolher” ou “crescer” sem mudar no mapa? Em uma capital brasileira, comerciantes do Jardim Aurora relataram queda nas vendas após um aplicativo de entregas passar a exibir a região como “área de risco”, sugerindo rotas que evitam certas ruas. Entregadores dizem que a decisão não foi só do aplicativo: nos últimos meses, um grupo armado passou a controlar a circulação em alguns becos, cobrando “taxas” de quem entra, enquanto a polícia instalou uma base móvel na avenida principal e faz abordagens em horários definidos. Moradores observam que a “linha” entre ruas “acessíveis” e “evitadas” muda conforme operações policiais, boatos em redes sociais e atualizações do app. Uma associação local tenta negociar com a plataforma e com o poder público para retirar o alerta e “normalizar” o fluxo de pessoas e serviços. Com base no texto, avalie a interpretação sociológica que melhor explica como diferentes agentes produzem territorialidades e fronteiras no espaço urbano apresentado.
- A) Uma interpretação baseada no individualismo atribui a fronteira apenas às escolhas dos entregadores, sem considerar estruturas e coerções coletivas.
- B) Uma interpretação inspirada em Durkheim supõe que o alerta no aplicativo reforça a coesão do bairro e integra automaticamente moradores e visitantes.
- C) Uma interpretação estatista limita a fronteira aos limites administrativos oficiais, tratando polícia e aplicativo como meros executores do mapa.
- D) Uma interpretação inspirada em Marx reduz o caso à desigualdade de renda, ignorando controles de circulação e de acesso ao bairro.
- E) Uma interpretação inspirada em Weber destaca a disputa por dominação sobre a circulação, gerando fronteiras práticas entre Estado, grupo armado e plataforma.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O texto mostra que a fronteira do bairro não está no mapa oficial, mas é produzida na prática. Ruas passam a ser 'evitadas' ou 'acessíveis' conforme operações policiais, boatos, atualizações do aplicativo e a cobrança de taxas por um grupo armado. Passo 2: Essa leitura corresponde à perspectiva de Weber, para quem poder é a capacidade de impor a própria vontade e dominação é o poder exercido com legitimidade reconhecida ou com coerção. No caso, três agentes disputam o controle da circulação: o Estado (base móvel e abordagens policiais), o grupo armado (controle dos becos e cobrança de taxas) e a plataforma (classificação de risco e sugestão de rotas). Passo 3: Essa disputa gera fronteiras práticas, isto é, limites de acesso que não aparecem no mapa oficial e que se deslocam conforme as ações de cada agente. Passo 4: Por que as outras estão erradas: A) reduz a fronteira a escolhas individuais, ignorando as coerções coletivas descritas no texto. B) supõe coesão automática, mas o alerta do app afasta visitantes e reduz o fluxo, em vez de integrar moradores e visitantes. C) limita a fronteira ao mapa administrativo, mas o texto mostra que a linha muda sem qualquer alteração cartográfica. D) reduz o caso à renda, mas o texto trata do controle de circulação e do acesso ao bairro, e não da desigualdade econômica. Passo 5: Conclusão: a alternativa E é a que melhor explica como os diferentes agentes produzem territorialidades e fronteiras, e coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as interpretações sociológicas e relacione com o contexto urbano apresentado.
Alternativa por alternativa
Acredita que a fronteira depende apenas das decisões individuais de quem circula, ignorando que polícia, grupo armado e alerta do app impõem limites coletivos.
Supõe que o alerta de risco gera coesão social automática entre moradores e visitantes, aplicando a ideia de Durkheim de forma contrária ao que o texto descreve.
Acredita que apenas o mapa administrativo define limites e que o app e a polícia são meros executores, sem perceber que a linha entre ruas acessíveis e evitadas muda sem alteração no mapa.
Reduz o caso à desigualdade de renda, ignorando que o texto descreve controle de circulação e de acesso; confunde a análise de classes com a análise de poder territorial.
Por que engana: confundir interpretações sociológicas e não relacionar agentes sociais com a produção do espaço urbano.
Articula agentes e poder: o texto mostra controles concorrentes da circulação e definição de “linhas” móveis, tensionando a autoridade estatal.
Raio-X da questão
territorialidades e fronteiras urbanas
avaliacao
conceitos básicos de sociologia · teorias sociológicas clássicas
estude teorias sociológicas sobre espaço urbano e poder
confundir interpretações sociológicas e não relacionar agentes sociais com a produção do espaço urbano.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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