Leia os trechos, produzidos em épocas distintas, sobre trabalhadores urbanos. Trecho 1 — São Paulo, 1900: “Na…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia os trechos, produzidos em épocas distintas, sobre trabalhadores urbanos. Trecho 1 — São Paulo, 1900: “Na fábrica, iniciamos o serviço antes do nascer do sol e permanecemos junto às máquinas até o fim da tarde. O capataz controla nossos movimentos, e o salário mal cobre as despesas da família. Não podemos escolher o ritmo nem interromper o trabalho sem sofrer descontos.” Trecho 2 — São Paulo, 2000: “Ao trabalhar por meio do aplicativo, posso escolher quando ficar conectado. Entretanto, para receber mais chamadas, preciso manter boas avaliações e seguir as metas definidas pelo sistema. Arco com os custos do veículo e não tenho garantia de remuneração ou de contrato estável.” Os trechos são narrativas construídas a partir de experiências de trabalhadores e permitem comparar formas de trabalho em diferentes momentos históricos. Com base nos trechos, qual comparação entre as narrativas sobre a classe trabalhadora é historicamente mais adequada?
- A) As duas narrativas mostram a permanência da subordinação e da insegurança econômica, embora o controle do trabalho passe da supervisão direta na fábrica para mecanismos digitais apresentados como flexibilidade.
- B) As duas narrativas mostram a permanência do mesmo controle direto, pois o capataz e o aplicativo supervisionam pessoalmente cada movimento do trabalhador.
- C) As duas narrativas mostram a substituição da subordinação pela autonomia, pois a escolha do horário elimina o controle sobre o trabalho em ambos os períodos.
- D) As duas narrativas mostram apenas mudanças, pois a fábrica e o aplicativo pertencem a épocas diferentes e não apresentam insegurança econômica comum.
- E) As duas narrativas mostram a mesma situação sem mudanças, pois o capataz e o aplicativo impõem exatamente o mesmo ritmo, os mesmos custos e as mesmas garantias.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o que cada trecho descreve. No Trecho 1 (São Paulo, 1900), o trabalhador tem jornada longa, controle direto do capataz, salário insuficiente e descontos se interromper o trabalho. No Trecho 2 (São Paulo, 2000), o trabalhador escolhe quando se conectar, mas precisa manter boas avaliações e cumprir metas do sistema, arca com os custos do veículo e não tem garantia de remuneração nem contrato estável.
- Compare as permanências. Nos dois casos há subordinação, pois o trabalhador segue regras definidas por outro (capataz ou sistema), e há insegurança econômica, pois a renda não é garantida.
- Compare as mudanças. O controle deixa de ser exercido por supervisão direta e passa a operar por mecanismos digitais, como avaliações e metas, que são apresentados como flexibilidade. A autonomia é apenas parcial, pois o trabalhador continua sujeito ao controle.
- Conclusão. A alternativa A reúne permanência da subordinação e da insegurança com a transformação das formas de controle, sendo a comparação historicamente mais adequada. O gabarito oficial está correto.
- Por que as outras estão erradas. A B está errada porque o aplicativo não supervisiona pessoalmente cada movimento, e sim por metas e avaliações. A C está errada porque a escolha de horário não elimina o controle, que continua presente no Trecho 2. A D está errada porque as duas narrativas apresentam insegurança econômica comum, apesar das diferenças de época. A E está errada porque há mudanças claras nas formas de controle, nos custos assumidos pelo trabalhador e na flexibilidade de horário.
💡 Dica: Identifique as principais características de cada época.
Alternativa por alternativa
No trecho de 1900, o controle aparece na figura do capataz, no ritmo imposto pelas máquinas e nos descontos salariais. No trecho de 2000, a plataforma oferece a aparência de escolha de horários, mas condiciona o acesso às chamadas às avaliações e às metas, além de transferir custos e riscos ao trabalhador. Assim, há permanência da subordinação e da insegurança, combinada com mudança nas formas de controle.
O aluno acredita que o aplicativo exerce o mesmo controle direto e pessoal do capataz, ignorando que o texto fala em metas e avaliações automatizadas.
O aluno assume que a possibilidade de escolher o horário significa autonomia plena e não percebe as metas, avaliações e regras do sistema que continuam controlando o trabalho.
O aluno acha que épocas diferentes implicam apenas mudanças, sem permanências, e não percebe que a insegurança econômica aparece nos dois trechos (salário insuficiente e ausência de garantia de remuneração).
O aluno supõe que as duas formas de trabalho são idênticas e não percebe as diferenças na forma de controle, na escolha de horário e nos custos assumidos pelo trabalhador no Trecho 2.
Por que engana: Confundir tipos de fontes com épocas históricas, escolhendo alternativas que não comparam períodos distintos.
Raio-X da questão
classe trabalhadora
avaliacao
conceito de classe social · analise historica de textos
Revisar as transformações sociais e econômicas que afetaram a classe trabalhadora.
Confundir tipos de fontes com épocas históricas, escolhendo alternativas que não comparam períodos distintos.
pensamento_critico
historico
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