Texto 3 O texto 3 é um recorte de uma entrevista concedida pelo escritor Sérgio Vaz, para o site “Brasil de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Texto 3 O texto 3 é um recorte de uma entrevista concedida pelo escritor Sérgio Vaz, para o site “Brasil de Fato”. Vaz faz parte de um grupo de escritores que produz o que chamam Literatura Periférica. É também idealizador e coordenador do Sarau da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia). Esse sarau realiza-se há dez anos, toda quarta-feira, no bairro Piraporinha, zona sul de São Paulo. 34 Brasil de Fato — Qual sua intenção com o livro Literatura, pão e poesia? 35 Sérgio Vaz — É [uma expressão da minha] 36 relação cotidiana com o meu bairro e com as 37 pessoas [com] que eu convivo. [A ideia é] 38 levar um pouco de literatura, falando dessas 39 pessoas, que eu conheço muito bem. [...] A 40 ideia sempre foi escrever sobre meu 41 cotidiano. Eu me considero um cronista do 42 meu bairro. Então escrevo sobre o lugar onde 43 vivo. Não acho que eu seja um escritor 44 universal, escrevo sobre o que eu vejo na 45 minha realidade. 46 É difícil publicar e fazer circular livros que tratam do marginalizado? 47 Eu acho que hoje o difícil é você escrever um 48 livro. O difícil mesmo é a distribuição, a 49 circulação. E é difícil quem leia também. Esse 50 país não é um país de leitores e não só na 51 periferia, mas na classe média e na classe 52 alta. É um país que não lê. O grande desafio 53 da Cooperifa é fazer a formação de público 54 para a leitura. 55 Num futuro próximo, você pensa na transformação dessa periferia ou você acha que ainda falta muito para essa realidade ser mudada? 56 Falta muito. Não será a literatura que vai salvar a periferia, mas o poder público atuante. A arte tem o poder de transformação pessoal, que pode fazer com que essas pessoas cobrem do poder público aquilo que é devido, aquilo que é pago em imposto, para que esse imposto retorne em benefícios. Não sou tolo de achar que a literatura pode salvar alguém nesse ponto. Eu acho que a literatura, a música, a arte de forma geral, ela transforma as pessoas em cidadãos. E são esses cidadãos que cobram do governo a postura para que ele faça com que a gente tenha esse benefício. 57 Qual sua opinião sobre o atual movimento dos trabalhadores da cultura que recentemente ocuparam a Funarte (Fundação Nacional de Arte) e fizeram uma grande manifestação contra a arte como mercadoria? 58 É isso mesmo. O artista é esse. O artista tem que ser o cara que é incomodado, indignado. Ele tem que protestar. A arte não embala os adormecidos, ela desperta. Agora, se o artista não despertar, como ele vai despertar a pessoa que vê sua arte? 59 [...................................................] 60 A periferia não era para protestar, não era para ter arte. Alguma coisa deu errado, né? 61 Hoje tem mais de cinquenta saraus acontecendo. Nós temos três anos de Cinema na Laje [...] passamos documentários [a] que jamais a nossa população iria ter acesso. E nesses mais de 50 saraus na periferia é onde as pessoas se apropriaram da literatura. Ou seja, para o status quo, alguma coisa deu errado. Era pra gente não ter boa literatura, era pra gente não ter boa educação, era pra gente não ter bom cinema. E a gente faz cinema e não passa O homem Aranha, não passa nada de Hollywood. Alguma coisa deu errado dentro da concepção do Estado, da elite, né? Atentando-se para as respostas de Sérgio Vaz às questões que lhe são dirigidas na entrevista, pode-se inferir corretamente que, para ele, sua (UECE 2012)
- A) é puramente artística e não mistura estética com política.
- B) inspira-se no povo pobre e implica necessariamente a melhoria de vida dessas pessoas.
- C) retrata a periferia e conserva o valor artístico, que tem o poder de despertar as pessoas.
- D) molda-se pelos valores dos habitantes de São Paulo, de todas as classes sociais, que não têm o hábito de ler.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A pergunta pede o que se pode inferir das respostas de Sérgio Vaz sobre a sua própria obra. Ele diz que escreve sobre o cotidiano do seu bairro, que se considera um cronista da periferia e que não se vê como escritor universal. Isso mostra que sua literatura retrata a periferia. Passo 2: Ele também afirma que a arte desperta, não embala os adormecidos, e que o artista deve ser incomodado e protestar. Logo, a arte tem poder de despertar as pessoas e transformá-las em cidadãos. Passo 3: A alternativa C junta esses dois pontos: retrata a periferia e conserva o valor artístico, que tem o poder de despertar as pessoas. Ela está correta e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa A está errada, pois Vaz une arte e política ao defender que a literatura forma cidadãos que cobram do poder público e que o artista deve protestar. Passo 5: A alternativa B está errada, pois Vaz declara que não é tolo de achar que a literatura pode salvar a periferia, rejeitando a ideia de melhoria de vida garantida. Passo 6: A alternativa D está errada, pois a fala sobre o país que não lê é uma crítica geral e não descreve a origem dos valores da obra, que Vaz vincula ao seu bairro e não a todos os habitantes de São Paulo.
💡 Dica: Leia atentamente as respostas de Sérgio Vaz para inferir sua visão sobre a literatura e a periferia.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que a arte pode ser pura, separada de qualquer posicionamento político. Ele ignora que Vaz defende o protesto e a formação de cidadãos que cobram do governo.
O aluno confundiu inspirar-se no povo pobre com garantir a melhoria de vida dessas pessoas. Ele não percebeu que Vaz nega explicitamente que a literatura salve a periferia.
CORRETA. A resposta sintetiza a visão do autor: sua literatura retrata a periferia e mantém o valor artístico, que tem o poder de despertar e transformar as pessoas.
O aluno tomou a crítica de Vaz sobre o país que não lê como se fosse a origem dos valores da sua obra. Ele não notou que Vaz diz escrever sobre o próprio bairro e não se considera universal.
Raio-X da questão
literatura periférica e transformação social
diagnostico
interpretação de texto · análise de discurso
interpretação de texto e inferência de ideias implícitas
O aluno pode confundir a visão do autor sobre literatura com uma solução imediata para problemas sociais, ignorando o papel do poder público.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
Questões parecidas com resolução
- Texto 3 O texto 3 é um recorte de uma entrevista concedida pelo escritor Sérgio Vaz, para o site “Brasil de Fato”. Vaz…
- II. O entrevistado reformula a tese sugerida pelo entrevistador, negando o foco específico e apresentando elementos que…
- — Você viu o Sarau no Beco da Ladeira? — perguntou Carlos empolgado. Na noite anterior, mais de 150 moradores e…
- Pergunta retórica: Por que tantas iniciativas culturais surgem hoje em bairros periféricos? A reportagem destaca que, na…
- Você já reparou em como pequenos grupos de artistas de rua transformam reentrâncias e muros abandonados em palcos…
- Pergunta retórica: “Por que paredes vazias não contam histórias de moradores?” Dados ilustrativos: em diversas cidades…
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
