Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas misérias que nos rodeia…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas misérias que nos rodeia [...] Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades [...] É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela. Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama. Jesus, C. M. de. Quarto de despejo: diário de uma favela. São Paulo: Ática, 2014. p. 58. Com base na leitura desse fragmento de Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e na integralidade da leitura do livro, assinale a alternativa correta. (UFPR 2025)
- A) A visão da estrela Dalva, assim como a ideia de viver em um castelo dourado, são fantasias causadas pela fome e pelo excesso de esforço físico.
- B) Mesmo enquanto escreve seu diário, Carolina tem consciência de que vive num lugar insalubre, o que não a impede de sonhar com uma situação menos desumana.
- C) Um desejo de Carolina é se mudar da favela para o quarto de despejo de alguma casa de alvenaria em um bairro mais próximo do centro.
- D) Por privilegiar a fantasia, Quarto de despejo se afasta do registro realista, tendência predominante na literatura brasileira da década de 1950.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o fragmento com atenção. A narradora deixa o leito às 3 da manhã, escreve, imagina um castelo cor de ouro e, logo depois, lembra que está na favela e que pisar na lama é horrível. O trecho mostra a fantasia como fuga temporária de uma realidade que ela conhece bem. Passo 2: Analise a alternativa B. Ela afirma que Carolina tem consciência de viver num lugar insalubre e que, mesmo assim, sonha com uma situação menos desumana. Isso corresponde ao fragmento: a fantasia é criada 'para esquecer que estou na favela', e a lama aparece como sinal concreto da insalubridade. Passo 3: Verifique a alternativa A. A visão da estrela Dalva é uma observação real do céu, não uma fantasia, e o texto não atribui a fantasia à fome ou ao esforço físico; por isso a alternativa está errada. Passo 4: Verifique a alternativa C. A expressão quarto de despejo, no livro, designa a própria favela, lugar onde são jogados os descartados pela sociedade; o desejo de Carolina é sair da favela para uma casa de alvenaria, e não se mudar para o quarto de despejo de uma casa. Passo 5: Verifique a alternativa D. Quarto de despejo é uma obra de caráter documental e realista, que registra o cotidiano da favela; a fantasia aparece apenas em momentos pontuais e não define o livro, e a obra se alinha ao realismo, e não se afasta dele. Passo 6: Conclusão. A alternativa B é a correta e coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Releia o fragmento e relacione com o contexto do livro para interpretar o sentido.
Alternativa por alternativa
O aluno supõe que toda a fantasia do diário é uma consequência física da fome e do cansaço, e então trata a visão da estrela Dalva como também imaginária.
CORRETA. A alternativa reconhece que Carolina tem plena consciência da dura realidade da favela, mas utiliza a escrita e a fantasia para sonhar com uma vida melhor, conforme evidenciado no fragmento.
O aluno entende quarto de despejo como um cômodo de uma casa de alvenaria, e não como a própria favela, o que o leva a imaginar que o desejo da autora seja mudar-se para esse espaço.
O aluno acredita que a presença de devaneios e fantasia torna o livro não realista, e desconhece que a obra é um registro documental do cotidiano da favela.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
fixacao
interpretação de texto · contexto literário
interpretação de textos e contexto literário
Confundir o contexto social da narrativa com elementos fantasiosos do texto.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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