13 de maio Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades linguísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
13 de maio Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos. ...Nas prisões os negros eram os bodes espiatorios. [....] Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair. ...Eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: – Viva a mamãe! A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Ela não tinha. Mandei-lhe um bilhete assim: – “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos. Hoje choveu e eu não pude ir catar papel. Agradeço. Carolina.” ...Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera começou pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome! 29 de maio [....] ...Há de existir alguem que lendo o que eu escrevo dirá...isto é mentira! Mas, as miserias são reais. MARIA DE JESUS, Carolina. Quarto de Despejo: Diário de uma favelada. São Paulo: Editora Ática, 2017. Adaptado. O texto foi retirado do livro Quarto de Despejo, diário escrito por Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé, em São Paulo, na década de 1950. A edição reproduz fielmente os manuscritos originais. Analisando a linguagem apresentada no trecho, conclui-se corretamente que (FATEC 2018)
- A) a autora não apresenta reflexão crítica sobre suas experiências por desconhecer a variedade culta do português.
- B) o fato de a autora não utilizar a variedade culta se deve ao gênero do texto, uma vez que diários não são escritos visando à publicação.
- C) os problemas de ortografia, como em “espiatorio”, e de concordância, como em “quando eles vê”, ocorrem por predominar no texto o sentido denotativo.
- D) o texto é predominantemente conotativo, o que se nota por expressões como “hoje amanheceu chovendo” e “a chuva passou”.
- E) o texto aborda, de forma crítica e empregando linguagem informal, temas relevantes à sociedade, como fome e pobreza.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da questao: a relacao entre a linguagem do trecho (informal, com desvios de norma) e o que o texto diz. Passo 2: Observe o conteudo do trecho: ha denuncia da fome ("a fome" como "escravatura atual"), da miseria e da necessidade de catar papel e vender ferros. Esse conteudo e critico e socialmente relevante. Passo 3: Confirme que a linguagem e informal, com marcas como "eu tenho só feijão e sal", "brada", "vê" no lugar de "veem". A alternativa E reconhece exatamente essas duas coisas. Passo 4: Descarte A, pois a autora tem reflexao critica e nao desconhece a norma. Passo 5: Descarte B, pois o genero nao explica sozinho a linguagem nem a ausencia de criticidade. Passo 6: Descarte C, pois desvios de ortografia e concordancia nao se devem ao sentido denotativo. Passo 7: Descarte D, pois as expressoes citadas sao denotativas, nao conotativas.
💡 Dica: Verifique qual alternativa e comprovavel no trecho: o diario trata criticamente da fome com linguagem informal.
Alternativa por alternativa
Associa linguagem informal ou desvios da norma culta a falta de inteligencia ou de reflexao critica, ignorando que o conteudo do diario e politicamente consciente.
Por que engana: Tomar a informalidade como ausencia de reflexao critica.
Atribui a informalidade apenas ao genero diario, sem perceber que a questao pede analise da linguagem e do conteudo, e que o texto tem valor critico.
Confunde erros ortograficos e de concordancia com a conotacao ou denotacao, achando que o sentido literal explica os desvios.
Inverte os conceitos de denotacao e conotacao, tomando frases literais sobre a chuva como exemplos de linguagem figurada.
CORRETA. O texto aborda criticamente temas relevantes como fome, pobreza e exclusao social, empregando linguagem informal e marcas de oralidade, o que comprova a alternativa.
Raio-X da questão
Variacao linguistica e registro informal em texto com conteudo critico
avaliacao
Norma culta e variedades linguisticas · Denotacao e conotacao
Diferenca entre norma culta e variedade informal; denotacao e conotacao
Tomar a informalidade como ausencia de reflexao critica.
cidadania_etica
empatia
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