— Se eu já sou liberta, por que preciso de fiador? — perguntou Francisca, quitandeira, ao escrivão da câmara…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos, estereótipos e violências sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Se eu já sou liberta, por que preciso de fiador? — perguntou Francisca, quitandeira, ao escrivão da câmara. O funcionário folheou papéis e respondeu que, para receber licença de venda na rua, ela deveria apresentar a carta de alforria e “pessoa abonada” que garantisse sua conduta e pagamento de taxas. Na mesma semana, Joaquim, morador de um aldeamento, levou ao cartório um pedido para arrendar um pequeno roçado fora da aldeia. O escrivão registrou que o acordo só teria validade com a autorização do “diretor dos índios”, pois eles eram tratados como “menores” e não podiam firmar contratos por conta própria. Nos dois casos, as exigências foram defendidas como formas de “ordem” e “proteção”, em uma sociedade marcada por hierarquias no final do período colonial. Interprete as duas situações do texto e conclua que permanência histórica elas ajudam a evidenciar nas relações sociais do Brasil após o período colonial.
- A) Reconhecer a permanência de poder político de indígenas e negros nas câmaras municipais, controlando contratos e impostos.
- B) Reconhecer a permanência de políticas de integração que garantiam igualdade jurídica imediata a indígenas e libertos.
- C) Reconhecer a permanência de barreiras legais e sociais que limitaram a autonomia indígena e a cidadania dos negros.
- D) Reconhecer a permanência de proteção religiosa que substituiu a ação do Estado na vida indígena e negra.
- E) Reconhecer a permanência de escravidão indígena legalizada e de proibição do trabalho livre negro nas cidades.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia os dois casos. Francisca, mesmo sendo liberta, precisa de carta de alforria e de um fiador (pessoa abonada) para obter licença de venda. Joaquim, morador de aldeamento, só pode arrendar terra com autorização do diretor dos índios, pois é tratado como menor e não pode firmar contratos por conta própria.
- Identifique o ponto em comum. Nos dois casos, a liberdade formal ou a condição de cidadão existe, mas é limitada por exigências extras (fiador, autorização de tutor) justificadas como 'ordem' e 'proteção'. Isso mostra que a condição legal de indígenas e negros libertos não garantia plena autonomia.
- Relacione à permanência histórica. Essas barreiras legais e sociais, herdadas da hierarquia colonial, continuaram a restringir a autonomia indígena e a cidadania dos negros após a independência. Por isso a alternativa C é a correta, e concordo com o gabarito oficial.
- Analise as demais alternativas. A) está errada porque o texto não mostra indígenas ou negros controlando câmaras; ao contrário, o escrivão e o diretor exercem o poder. B) está errada porque o texto mostra o oposto de igualdade jurídica imediata. D) está errada porque a proteção descrita é administrativa e jurídica, não religiosa. E) está errada porque o texto não fala de escravidão indígena legalizada nem de proibição geral do trabalho livre negro; os casos tratam de exigências específicas.
💡 Dica: Analise as situações para identificar as barreiras sociais e legais persistentes.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a menção a câmaras e contratos a um poder político exercido por indígenas e negros, quando no texto quem decide são o escrivão e o diretor.
O aluno pode ter entendido a 'proteção' como política de integração que garante igualdade, ignorando que as exigências impostas limitam direitos.
Por que engana: Confundir proteção com igualdade jurídica, ou interpretar incorretamente o papel das autoridades locais.
A tutela indígena e as exigências impostas aos libertos indicam controle de direitos e acesso desigual à vida pública, com efeitos duradouros.
O aluno pode ter confundido a figura do 'diretor dos índios' e a noção de 'proteção' com ação religiosa, quando o texto trata de tutela administrativa e jurídica.
O aluno pode ter generalizado os casos isolados, supondo que todo trabalho livre negro era proibido e que a escravidão indígena ainda era legal, o que o texto não afirma.
Raio-X da questão
barreiras sociais e legais
avaliacao
historia do periodo colonial · direitos civis basicos
estude as relações sociais e jurídicas pós-coloniais no Brasil
Confundir proteção com igualdade jurídica, ou interpretar incorretamente o papel das autoridades locais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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