— No mapa do órgão ambiental, a linha vermelha marca a “zona de amortecimento” do manguezal; aqui, não pode…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— No mapa do órgão ambiental, a linha vermelha marca a “zona de amortecimento” do manguezal; aqui, não pode haver galpões — disse a técnica, apontando o projetor. — Mas o nosso limite sempre foi o canal; meu pai já tirava caranguejo daqui — respondeu um morador, mostrando um croqui feito pela associação. Na mesma audiência pública, a prefeitura exibiu o zoneamento urbano, no qual a área aparece como “industrial”, e uma empresa de logística apresentou o registro do imóvel em cartório e o projeto de um pequeno porto. Dias depois, fiscais notificaram a comunidade por “ocupação irregular” e a defensoria solicitou ao juiz que considerasse o uso tradicional no processo. Os participantes perceberam que, para um mesmo lugar, circulavam delimitações distintas, cada uma sustentada por documentos, medições e linguagem própria, orientando permissões e proibições diferentes. Analise o texto e identifique a interpretação filosófica que melhor explica como a atuação desses agentes produz fronteiras e territorialidades no mesmo espaço.
- A) Entender o território como expressão exclusiva da tradição cultural, tornando irrelevantes leis, zoneamentos e registros formais.
- B) Entender o território como um consenso voluntário entre moradores, bastando o acordo local para estabelecer o limite válido.
- C) Entender o território como uma consequência automática do investimento econômico, que por si só legitima a ocupação do espaço.
- D) Entender o território como um efeito de poder apoiado em saberes e técnicas (mapas, registros e normas) que definem usos legítimos.
- E) Entender o território como um dado natural fixo, cuja fronteira correta é a indicada pelos elementos físicos do ambiente.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. Há pelo menos quatro delimitações do mesmo lugar: a linha vermelha do órgão ambiental (zona de amortecimento), o croqui da associação (limite pelo canal e uso tradicional), o zoneamento urbano da prefeitura (área industrial) e o registro em cartório do imóvel pela empresa de logística. Cada uma sustenta permissões e proibições diferentes.
- Identifique o que cria essas fronteiras. Não é a natureza sozinha, nem a vontade espontânea dos moradores: são instrumentos técnicos e normativos (mapas, medições, registros em cartório, zoneamento, notificações dos fiscais) que dizem o que pode e o que não pode ser feito em cada área. Quem detém e mobiliza esses instrumentos exerce poder sobre o uso do espaço.
- Relacione com a interpretação filosófica. O território é entendido como produto de relações de poder, sustentado por saberes e técnicas que definem usos legítimos. Essa é a alternativa D, e por isso ela explica a coexistência de delimitações concorrentes no mesmo espaço.
- Por que as outras estão erradas. A) Nega o valor de leis, zoneamentos e registros, enquanto o texto mostra que eles produzem efeitos concretos (notificações, ação judicial). B) Reduz o território a um acordo voluntário, ignorando que o registro e o zoneamento têm força própria e que há conflito, não consenso. C) Atribui à economia a legitimação automática da ocupação, o que o texto não sustenta, pois a defensoria contesta o uso e o caso segue para o juiz. E) Trata o território como dado natural fixo, o que contradiz a existência de várias fronteiras diferentes para o mesmo lugar.
- Conclusão: a alternativa correta é D, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise como o poder e o conhecimento influenciam a definição do território.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que só a tradição cultural define o território e que leis, zoneamentos e registros não têm validade real. Ignora que o texto mostra esses instrumentos produzindo efeitos concretos, como notificações e ação judicial.
Por que engana: Confundir território com apenas aspectos naturais ou econômicos, ignorando o papel do poder e saberes técnicos.
O aluno imagina que o território nasce de um acordo voluntário entre moradores e que basta o consenso local para validar um limite. Não percebe que há conflito entre agentes com poderes desiguais e que registros formais também produzem fronteiras.
O aluno supõe que o investimento econômico, por si só, legitima a ocupação do espaço, como se o projeto do porto e o registro em cartório bastassem. Desconsidera que a legitimidade é disputada, já que a defensoria contesta o uso.
Correta: as fronteiras variam conforme dispositivos de saber-poder (cartório, zoneamento, laudos), que autorizam práticas e controlam ocupações.
O aluno entende que o território é um dado natural fixo e que a fronteira correta seria a dos elementos físicos, como o canal. Assim, não percebe que a mesma área recebe delimitações diferentes conforme os documentos e técnicas usados.
Raio-X da questão
território, poder, saberes, delimitação
diagnostico
conceito de território · relações de poder social
Estude conceitos de território, poder e conhecimento na filosofia.
Confundir território com apenas aspectos naturais ou econômicos, ignorando o papel do poder e saberes técnicos.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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