— Se for para fazer devagar, melhor nem entrar no desafio, disse o instrutor ao abrir um treino funcional…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Se for para fazer devagar, melhor nem entrar no desafio, disse o instrutor ao abrir um treino funcional gratuito na praca, divulgado nas redes do bairro. No dia, apareceram cerca de 40 pessoas: adolescentes, adultos, dois idosos e um participante com protese na perna. A atividade tinha quatro estacoes (saltos baixos, prancha, deslocamentos e arremesso de medicine ball), com registro do tempo total. Ao final, o instrutor chamou para a foto apenas quem completou a sequencia sem pausas e pediu que marcassem a academia na postagem. Nos comentarios, surgiram frases como “isso e treino de verdade, nao de recuperacao” e “pra aparecer tem que ter corpo”. Parte do grupo, que havia adaptado movimentos para participar com seguranca, deixou de frequentar o encontro seguinte. A lider comunitaria quer manter o treino aberto, mas sem reforcar exclusoes. Com base no texto, identifique a intervencao da lider comunitaria que aplica um posicionamento contrario a preconceitos e relacoes de poder no treino, sem impedir a participacao de diferentes corpos.
- A) Cancelar o registro de tempo e proibir qualquer postagem nas redes, para evitar comparacoes e comentarios ofensivos
- B) Exigir que todos executem os mesmos movimentos e o mesmo tempo, evitando adaptacoes para nao gerar diferencas no treino
- C) Redefinir com o grupo criterios de participacao e divulgacao, reconhecendo adaptacoes e coibindo falas que desqualificam ritmos
- D) Manter a foto apenas com quem completa sem pausas e orientar os demais a treinar mais ate atingirem o padrao do desafio
- E) Separar um horario exclusivo para quem precisa adaptar movimentos, mantendo o desafio principal apenas para quem nao pausa
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o problema central do texto. O treino foi aberto e diverso, mas o instrutor criou uma lógica de exclusão: só quem completou sem pausas foi para a foto e foi marcado na postagem, e comentários desqualificaram quem não tem o mesmo corpo ou ritmo. Isso afastou pessoas que adaptaram movimentos com segurança.
- A intervenção pedida deve combater preconceitos e relações de poder sem impedir a participação de diferentes corpos. Ou seja, a líder precisa mudar as regras de reconhecimento e o clima do grupo, sem excluir ninguém e sem apagar as diferenças.
- A alternativa C faz exatamente isso: redefine com o grupo os critérios de participação e divulgação (deixa de premiar só o desempenho máximo), reconhece as adaptações como parte legítima do treino e coíbe falas que desqualificam ritmos diferentes. Está correta.
- Por que as demais estão erradas: A elimina o registro e proíbe postagens, o que apaga a visibilidade do grupo em vez de combater o preconceito; B impõe padronização, justamente o que exclui pessoas com adaptações; D mantém a lógica excludente e ainda pressiona quem não completou; E cria um espaço segregado, reforçando a separação entre corpos em vez de integrá-los.
- O gabarito oficial (C) coincide com a análise feita.
💡 Dica: Analise as atitudes que promovem inclusão e respeito às diferenças no treino.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a forma de combater a comparação e os comentários ofensivos é eliminar o registro e a visibilidade, sem tratar a causa do preconceito.
Por que engana: Escolher alternativas que mantêm exclusão ou padronização rígida, ignorando a diversidade dos participantes.
Confunde igualdade de tratamento com justiça: supõe que tratar todos de forma idêntica evita desigualdades, quando na prática exclui quem precisa adaptar movimentos.
Enfrenta a hierarquia criada pelo “desafio” e pelas falas excludentes, valorizando participacao segura e diversa sem retirar a pratica corporal.
Interpreta o problema como falta de esforço de quem não completa, ignorando que o critério de reconhecimento excludente é a origem da exclusão e reforçando a relação de poder já existente.
Acredita que separar grupos resolve a exclusão, sem perceber que a segregação em horários distintos reforça a diferença e mantém o desafio principal como padrão de valor.
Raio-X da questão
inclusão e respeito à diversidade
diagnostico
respeito à diversidade corporal · adaptação de atividades físicas
estude práticas inclusivas e combate a preconceitos em atividades físicas
Escolher alternativas que mantêm exclusão ou padronização rígida, ignorando a diversidade dos participantes.
saude
empatia
cotidiano
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