Por que uma area de mar pode aparecer como “sem uso” em um mapa e, ao mesmo tempo, ser considerada essencial…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que uma area de mar pode aparecer como “sem uso” em um mapa e, ao mesmo tempo, ser considerada essencial por quem vive dela? Em uma audiencia sobre a instalacao de um parque eolico offshore a 15 km da costa, o empreendedor apresentou uma carta nautica com um poligono delimitado por coordenadas e afirmou que ali nao ha ocupacao permanente. No microfone, uma associacao de pescadores artesanais descreveu que, ao longo do ano, as embarcacoes mudam de ponto conforme o vento, as correntes e os periodos de defeso, e que os limites entre grupos sao reconhecidos por referencias na linha de costa e por combinados antigos. Para eles, a area nao e “vazia”: e parte de um territorio de trabalho, com fronteiras ajustadas a cada estacao. A partir do texto, identifique a diretriz de ordenamento costeiro que melhor relativiza a ideia de “vazio” e considera fronteiras definidas por diferentes grupos sociais.
- A) Adotar apenas limites por coordenadas e considerar vazio o trecho onde nao existam construcoes visiveis
- B) Transferir a decisao de delimitacao para a empresa, por deter a tecnologia que permite ocupar o mar
- C) Restringir a circulacao dos pescadores na area e compensar a perda com pagamento individual temporario
- D) Incluir no zoneamento os usos sazonais da pesca e pactuar regras de convivencia com o empreendimento
- E) Definir uma fronteira fixa a partir da linha de costa e desconsiderar mudancas de correntes, ventos e defeso
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado contrapõe duas leituras do mesmo espaço marinho. Para o mapa e o empreendedor, a área é vazia porque não há ocupação permanente nem construções visíveis. Para a associação de pescadores, a área é território de trabalho, com pontos que mudam conforme vento, correntes e defeso, e com limites reconhecidos por referências na costa e por acordos antigos.
- A diretriz procurada precisa reconhecer usos sazonais e fronteiras definidas socialmente, não apenas coordenadas fixas. Essa ideia está na alternativa D: incluir no zoneamento os usos sazonais da pesca e pactuar regras de convivência com o empreendimento. Ela relativiza o conceito de vazio porque registra o uso real, mesmo que intermitente, e trata os grupos afetados como partes de uma negociação.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Limitar-se a coordenadas e considerar vazio tudo que não tenha construção visível é exatamente a visão que o texto questiona.
- B) Entregar a delimitação à empresa ignora os grupos que usam o mar e concentra a decisão em quem tem interesse no empreendimento.
- C) Restringir a circulação e pagar compensação individual temporária trata a pesca como perda a ser indenizada, sem reconhecer o território de trabalho.
- E) Fixar fronteira na linha de costa e desconsiderar correntes, ventos e defeso contraria justamente a dinâmica sazonal descrita pelos pescadores.
- Conclusão: a alternativa D é a que melhor relativiza o vazio e considera fronteiras definidas por diferentes grupos sociais, em linha com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto para identificar a diretriz que considera usos sociais e sazonais do território marinho.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a existência de coordenadas precisas e a ausência de construções visíveis bastam para definir o que é uso do espaço marinho. Ignora que o uso pode ser móvel e sazonal.
Por que engana: Confundir limites geográficos fixos com dinâmicas sociais e sazonais do uso do território marinho.
O aluno supõe que quem tem a tecnologia para ocupar o mar deve decidir sobre os limites, como se o domínio técnico conferisse legitimidade territorial. O texto aponta o contrário ao valorizar os grupos que usam a área.
O aluno entende a compensação financeira temporária como forma adequada de lidar com a perda de acesso. Não percebe que o texto trata a área como território de trabalho, e não apenas como fonte de renda a ser indenizada.
Reconhece o mar como territorio de trabalho, com fronteiras flexiveis, evitando tratar como vazio e articulando criterios distintos.
O aluno imagina que uma fronteira fixa, traçada a partir da costa, seria a forma mais simples e objetiva de ordenar o espaço. Esquece que o texto destaca justamente que as fronteiras se ajustam a cada estação.
Raio-X da questão
ordenamento costeiro e usos sociais
avaliacao
territorio e uso do espaço · direitos territoriais tradicionais
estude conceitos de zoneamento costeiro e reconhecimento de usos tradicionais
Confundir limites geográficos fixos com dinâmicas sociais e sazonais do uso do território marinho.
educacao_ambiental
pensamento_critico
cotidiano
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