Quem manda no mar que parece “de todos”? Em uma enseada de litoral brasileiro, pescadores artesanais relatam…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quem manda no mar que parece “de todos”? Em uma enseada de litoral brasileiro, pescadores artesanais relatam que, apos a chegada de embarcacoes para instalar um cabo submarino de comunicacoes, boias e avisos passaram a delimitar uma faixa onde o fundeio foi proibido. O consorcio afirma que a medida evita danos ao cabo e pode atrair empresas de tecnologia ao municipio. Ao mesmo tempo, a prefeitura negocia uma area de protecao marinha para recuperar recifes e fortalecer o turismo de mergulho. Na reuniao da colonia de pesca, moradores lembram que as rotas de pesca, os pontos de lancamento de redes e a procissao maritima anual organizam a vida local ha decadas. Parte dos jovens ve oportunidade de emprego; outros temem perder acesso ao mar e depender de trabalhos sazonais. Analise o conflito descrito e identifique a medida que tende a reorganizar o espaco marinho com menor tensao social, reconhecendo usos economicos, culturais, ambientais e politicos.
- A) Conceder ao consorcio o controle exclusivo da enseada, mantendo proibicoes permanentes e ampliando a area isolada.
- B) Decretar proibicao total da pesca artesanal na enseada, substituindo-a por empregos formais vinculados ao turismo.
- C) Instituir zoneamento marinho pactuado, com regras e compensacoes definidas em conselho com pescadores, prefeitura e consorcio.
- D) Remover a colonia de pesca para outro municipio, oferecendo indenizacao individual sem garantir rotas e praticas coletivas.
- E) Manter apenas avisos tecnicos de seguranca, sem fiscalizacao e sem ajuste das regras aos diferentes usos do mar.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o conflito central: diferentes usos do mar (cabo submarino e comunicações, pesca artesanal com rotas e lançamento de redes, procissão marítima, turismo de mergulho, proteção ambiental de recifes e empregos sazonais) disputam o mesmo espaço marinho, e a proibição de fundeio foi imposta sem diálogo com quem usa a enseada.
- Verifique o critério da questão: a medida procurada deve reorganizar o espaço com menor tensão social, reconhecendo usos econômicos, culturais, ambientais e políticos ao mesmo tempo.
- Analise a alternativa C: o zoneamento marinho pactuado separa áreas e regras para cada uso, e as compensações e o conselho com pescadores, prefeitura e consórcio dão voz a todos os atores. Isso responde ao conflito sem eliminar nenhum uso e reduz a tensão, pois as regras são construídas em conjunto.
- Verifique as demais alternativas. A) concentra o controle no consórcio e amplia a área isolada, o que aumenta o conflito com a pesca e ignora o uso cultural. B) elimina a pesca artesanal, sacrificando um uso tradicional e gerando forte resistência. D) remove a comunidade e oferece indenização individual, desfazendo práticas coletivas e a organização local. E) mantém a situação sem regras adequadas e sem fiscalização, o que deixa o conflito sem solução.
- Conclusão: a alternativa C é a única que combina ordenamento do espaço, participação social e compensações, por isso é a resposta correta, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Considere os interesses econômicos, culturais, ambientais e políticos para identificar a solução mais equilibrada.
Alternativa por alternativa
Acredita que dar controle exclusivo a um único ator econômico resolve o conflito, desde que haja proibições e áreas isoladas bem definidas.
Por que engana: Escolher alternativas que favorecem apenas um grupo, ignorando a diversidade de interesses e a necessidade de negociação.
Supõe que substituir a pesca por empregos formais no turismo é uma troca simples e aceitável, ignorando a dimensão cultural e a perda de autonomia dos pescadores.
Planejamento participativo reconhece territorialidades (pesca, protecao, infraestrutura) e cria regras legitimadas para coexistencia de usos.
Acredita que uma compensação financeira individual basta para resolver o conflito, sem perceber que a questão exige preservar práticas coletivas e rotas organizadas pela comunidade.
Entende que a ausência de regras e de fiscalização preserva a liberdade de uso e reduz tensões, sem perceber que a falta de ordenamento mantém o conflito em aberto.
Raio-X da questão
zoneamento marinho e conflitos
avaliacao
conflitos socioambientais · gestão participativa
estude conflitos socioambientais e gestão participativa do espaço marinho
Escolher alternativas que favorecem apenas um grupo, ignorando a diversidade de interesses e a necessidade de negociação.
educacao_ambiental
pensamento_critico
cotidiano
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