Durante a expedição colonial de 1892, registrou-se no diário de bordo que ao cruzarem as vastas planícies…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante a expedição colonial de 1892, registrou-se no diário de bordo que ao cruzarem as vastas planícies entre o rio Soron e a Serra Negra não se encontraram campos cultivados de forma contínua nem vestígios de vilas ou fortes, razão pela qual o espaço foi considerado livre para anexação ao reino, sem resistência de autoridades locais. Em paralelo, a tradição oral do povo Yamará relata que o canto dos pássaros traça os limites de seu lar e cada curva do rio carrega memórias dos antepassados, de modo que, mesmo sem construções, a floresta é território vivo de sua gente. Conclua qual argumento embasou a incorporação do território ao reino, com base nos relatos apresentados.
- A) A memória dos antepassados foi tomada como sinal de que havia vilas e fortes na floresta.
- B) A falta de resistência de autoridades locais foi entendida como reconhecimento dos limites descritos pelos Yamará.
- C) Território sem vestígios de cultivo contínuo nem de centros de poder foi considerado desprovido de autoridade, legitimando sua incorporação ao domínio colonial.
- D) A ausência de cultivo contínuo foi entendida como prova de que o povo Yamará não tinha vínculos com a floresta.
- E) A tradição oral definiu os limites do território Yamará e levou o reino a desistir da anexação.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o primeiro texto com atenção. O diário de bordo de 1892 registra que a região entre o rio Soron e a Serra Negra não tinha campos cultivados de forma contínua, nem vilas ou fortes. Por isso, a expedição considerou o espaço livre para anexação, sem resistência de autoridades locais.
- Identifique o argumento central. A incorporação foi justificada pela ausência de sinais visíveis de ocupação organizada, de cultivo permanente e de centros de poder. Ou seja, a colonização tratou o território como vazio e sem autoridade, o que legitimou a anexação.
- Confronte com o segundo texto. A tradição Yamará mostra que a floresta é território vivo, com limites definidos pelo canto dos pássaros e memórias ligadas aos rios, mesmo sem construções. Esse contraste revela que o critério usado pelo colonizador (presença de construções e cultivo) ignorava outra forma de ocupação e de vínculo com a terra.
- Verifique cada alternativa. A alternativa C descreve exatamente esse raciocínio: ausência de vestígios de cultivo e de centros de poder foi tomada como falta de autoridade, legitimando a incorporação. A alternativa A está errada, pois a memória dos antepassados é um dado dos Yamará e não foi usada como sinal de vilas ou fortes. A alternativa B está errada, pois a falta de resistência não foi interpretada como reconhecimento dos limites Yamará. A alternativa D está errada, pois o texto não trata a ausência de cultivo como prova de falta de vínculo, e sim como critério do colonizador. A alternativa E está errada, pois a tradição oral não definiu nenhum limite reconhecido pelo reino, que seguiu com a anexação.
- Conclusão: a resposta correta é a C, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare a lógica colonial de ocupação com a concepção de território apresentada na tradição oral.
Alternativa por alternativa
Acredita que a memória dos antepassados, citada no texto dos Yamará, foi usada pela expedição como indício de construções. O relato diz o oposto: a floresta é território sem construções.
Supõe que a falta de resistência local significou aceitação dos limites descritos pelos Yamará. Esses limites não aparecem no diário como algo reconhecido pela expedição.
O diário registra a ausência de cultivo contínuo e de vilas ou fortes, e associa essa ausência à ideia de que o espaço estava livre para anexação. A tradição Yamará, por sua vez, descreve vínculos com o território que não foram reconhecidos nesse argumento colonial.
Imagina que a ausência de cultivo contínuo provaria que os Yamará não tinham vínculo com a floresta. O texto mostra que o vínculo existe e que o critério de cultivo foi usado pelo colonizador como justificativa.
Por que engana: Confundir a ausência de construções e cultivo contínuo com ausência de população, vínculos territoriais ou formas próprias de autoridade.
Entende que a tradição oral foi decisiva para a expedição desistir da anexação. O texto indica que a anexação ocorreu e que a tradição oral não teve peso jurídico ou político no registro.
Raio-X da questão
território e domínio colonial
avaliacao
Colonialismo e apropriação territorial · Concepções de território e autoridade
Revise como concepções coloniais de ocupação e autoridade legitimaram a apropriação de territórios.
Confundir a ausência de construções e cultivo contínuo com ausência de população, vínculos territoriais ou formas próprias de autoridade.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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