No catalogo de um leilao de documentos antigos, aparece um mapa europeu do fim do seculo XIX sobre a bacia do…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No catalogo de um leilao de documentos antigos, aparece um mapa europeu do fim do seculo XIX sobre a bacia do Congo. Nele, uma grande area e marcada como "zona pouco ocupada" e atravessada por uma linha reta que separa "administracoes". No mesmo lote, ha uma carta de um agente colonial que descreve a regiao como "vazia" e "aberta a concessoes". Em um podcast atual, um anciao de uma comunidade local comenta que, naquele periodo, grupos diferentes percorriam a floresta em rotas sazonais, reconheciam limites por rios e lugares de culto e evitavam certas areas por acordos entre aldeias. Para ele, a linha reta do mapa nao correspondia a nenhum limite vivido, mas a uma decisao tomada longe dali. Com base no texto, avalie a interpretacao que melhor explica como as ideias de "vazio" e "fronteira" variam entre sociedades e podem justificar processos de ocupacao territorial.
- A) Reconhecer que o "vazio" do mapa e uma classificacao politica que apaga usos locais do territorio e legitima a apropriacao externa.
- B) Concluir que a linha reta prova uma fronteira natural, pois limites territoriais sempre dependem de formas fixas do relevo.
- C) Defender que a area era vazia porque rotas sazonais indicam ausencia de territorio, ja que so a ocupacao permanente cria pertencimento.
- D) Afirmar que a nocao de fronteira e a mesma em qualquer sociedade, mudando apenas o tamanho do territorio controlado.
- E) Interpretar que o mapa descreve uma evolucao inevitavel: a "fronteira" avanca sobre o "vazio" como sinal de progresso historico.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto contrapõe duas leituras do mesmo território. O mapa europeu e a carta do agente chamam a região de "zona pouco ocupada" e "vazia", mas o ancião descreve uso real: rotas sazonais, limites reconhecidos por rios e lugares de culto, acordos entre aldeias. Passo 2: Logo, o "vazio" não é uma constatação neutra, e sim uma classificação feita de fora, que ignora os usos locais. Passo 3: A linha reta é apresentada como decisão tomada longe dali, sem correspondência com limites vividos. Isso mostra que a fronteira foi traçada por quem queria controlar o território, e não reconhecida a partir da ocupação existente. Passo 4: Assim, a alternativa A é a correta: o conceito de vazio é político, apaga usos locais e serve para legitimar a apropriação externa. Passo 5: Por que as outras estão erradas: B está errada porque o texto diz que a linha reta não correspondia a nenhum limite natural vivido, e sim a uma decisão política. C está errada porque inverte a lógica: rotas sazonais e acordos entre aldeias são formas reais de ocupação e pertencimento, não ausência de território. D está errada porque o texto mostra justamente que cada sociedade concebe limites de maneira diferente (rios, culto, acordos), e não de forma única. E está errada porque o texto não sustenta uma evolução inevitável ou progresso histórico; ao contrário, critica a ideia de vazio como justificativa de avanço externo.
💡 Dica: Analise as diferentes perspectivas sobre território e fronteira apresentadas no texto.
Alternativa por alternativa
O texto contrapoe fronteiras vividas (rios, culto, acordos) a linhas impostas e ao "vazio" colonial usado para conceder terras.
O aluno entende que fronteiras são sempre naturais e fixas no relevo, e por isso toma a linha reta do mapa como prova de um limite objetivo.
Por que engana: Confundir fronteira politica com limites naturais ou permanentes, ignorando a diversidade de percepções territoriais.
O aluno confunde ocupação permanente com ocupação legítima e acredita que uso sazonal do território significa que ele não pertence a ninguém.
O aluno supõe que a ideia de fronteira é universal e que as sociedades diferem apenas em extensão, ignorando as diferentes formas culturais de reconhecer limites.
O aluno toma a expansão colonial como um processo natural de progresso, lendo o avanço da fronteira sobre o vazio como inevitável e positivo.
Raio-X da questão
territorio, fronteira, percepcao social
avaliacao
conceito de territorio historico · conceito de fronteira politica
estude conceitos de territorio e fronteira em diferentes sociedades
Confundir fronteira politica com limites naturais ou permanentes, ignorando a diversidade de percepções territoriais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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