Moradores de uma cidade costeira reclamam de interrupções frequentes em praças públicas: músicos de rua…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Moradores de uma cidade costeira reclamam de interrupções frequentes em praças públicas: músicos de rua, grupos de dança e poetas se apresentam sem autorização. A prefeitura aprovou uma norma que exige licença prévia para qualquer atividade artística em espaço aberto, sob pena de multa. Defensores da medida alegam necessidade de manter a ordem e proteger interesses comerciais locais. Críticos argumentam que a regra restringe direitos de expressão e não há evidência de danos causados pelas intervenções culturais. Com base no princípio do dano de John Stuart Mill, avalie a norma municipal e indique a posição que melhor respeita a liberdade individual.
- A) Permitir apresentações sem licença quando não causarem prejuízo a terceiros, pois a intervenção não acarreta dano
- B) Autorizar as intervenções artísticas apenas em locais afastados de áreas comerciais para evitar transtornos
- C) Conceder licenças apenas a eventos de grande público, pois pequenos atos não produzem dano relevante
- D) Manter a exigência de licença para todas as manifestações artísticas, pois a autoridade pública define interesses comerciais
- E) Excluir as atividades artísticas de qualquer regulamentação, pois toda limitação fere a autonomia individual
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O princípio do dano de John Stuart Mill afirma que a liberdade de um indivíduo só pode ser limitada para evitar dano a terceiros. Ações que afetam apenas o próprio agente não justificam intervenção do Estado ou da sociedade.
- Aplicando o princípio à norma municipal, a exigência de licença prévia para qualquer atividade artística só se justificaria se houvesse dano concreto a outras pessoas. O enunciado diz que não há evidência de danos causados pelas intervenções culturais, e o argumento de proteger interesses comerciais não é um dano a terceiros que legitime restringir a liberdade de expressão.
- A alternativa A é a única que respeita essa lógica: permite as apresentações sem licença quando não causam prejuízo a terceiros. Ela preserva a liberdade individual e mantém a possibilidade de intervenção apenas se houver dano real.
- A alternativa B é errada porque restringe a liberdade de expressão por localização, sem que haja dano demonstrado.
- A alternativa C é errada porque cria um critério de tamanho do público que não tem relação com o dano, e mantém a restrição para os pequenos atos, que o próprio enunciado indica não causarem dano.
- A alternativa D é errada porque mantém a licença para todas as manifestações sem demonstrar dano, e ainda admite que a autoridade defina interesses comerciais, o que Mill não aceitaria como fundamento de restrição.
- A alternativa E é errada porque vai além de Mill. O autor não defende a ausência total de regulação; ele admite a intervenção quando há dano a terceiros. Por isso a posição mais coerente com o princípio é a A, e não a E.
💡 Dica: Analise o princípio do dano e relacione com a norma municipal.
Alternativa por alternativa
Reflete o princípio de Mill: só é legítimo impedir ação que cause dano a outros, não meramente regular expressão sem dano.
O aluno acredita que a liberdade artística pode ser restringida por conveniência, desde que a limitação seja espacial e evite transtornos. Ele não percebe que incômodo sem dano comprovado a terceiros não justifica restrição segundo o princípio do dano.
O aluno entende que o dano só existe em grande escala e que apenas grandes eventos merecem controle. Ele confunde ausência de dano relevante com necessidade de licença, quando o princípio exige a ausência de dano para que a liberdade seja preservada.
O aluno aceita que a autoridade pública defina interesses comerciais como fundamento para restringir atividades, sem exigir dano concreto a terceiros. Ele inverte a lógica de Mill, em que a liberdade é a regra e a restrição é a exceção.
Por que engana: Confundir restrição de liberdade com proteção contra danos reais a terceiros.
O aluno interpreta a liberdade individual de forma absoluta, concluindo que qualquer regulamentação é ilegítima. Ele ignora que Mill admite a limitação da liberdade quando há dano a terceiros, o que torna a alternativa mais radical que o princípio.
Raio-X da questão
princípio do dano e liberdade
avaliacao
princípios de liberdade individual · conceito de dano social
Estude o princípio do dano de John Stuart Mill e direitos individuais.
Confundir restrição de liberdade com proteção contra danos reais a terceiros.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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