Em um prédio residencial, moradores discutem regras para o uso das áreas comuns. Uma proposta proíbe, em…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um prédio residencial, moradores discutem regras para o uso das áreas comuns. Uma proposta proíbe, em qualquer horário, que alguém pratique instrumentos musicais dentro do próprio apartamento, mesmo com as janelas fechadas. Outra restringe o uso de caixas de som no pátio após determinado horário, pois o ruído alcança os quartos de outros moradores e interrompe o descanso. Ao debater as propostas, uma moradora afirma que limitar uma escolha individual só se justifica quando a conduta causa prejuízo a outras pessoas; evitar que alguém faça algo considerado ruim apenas para si não seria razão suficiente para impor a proibição. Com base na situação e no princípio de liberdade associado ao pensamento de John Stuart Mill, explique qual critério permite diferenciar uma restrição legítima à liberdade de uma proibição paternalista e aplique-o às duas propostas discutidas pelos moradores.
- A) Uma restrição à liberdade se justifica quando é necessária para impedir danos a outras pessoas; não basta alegar que a proibição protege alguém de uma escolha que afeta apenas a própria pessoa. Assim, limitar o uso de caixas de som no pátio pode ser legítimo porque o ruído prejudica o descanso dos vizinhos. Já proibir a prática de instrumentos no apartamento, mesmo sem perturbação dos demais, é paternalista se a justificativa for apenas proteger quem toca de uma atividade considerada ruim para si.
- B) As duas propostas são paternalistas e devem ser rejeitadas, porque a liberdade individual impede que regras coletivas limitem escolhas pessoais. O fato de o ruído das caixas de som incomodar outros moradores não altera essa conclusão: cada pessoa deve poder agir como preferir, sem que a comunidade imponha proibições.
- C) Uma restrição é legítima sempre que busca proteger alguém de uma escolha que possa prejudicar sua saúde ou seu bem-estar. Assim, a proibição dos instrumentos pode ser válida para evitar que a pessoa se prejudique, e a limitação das caixas de som pode ser justificada para preservar o descanso dos moradores.
- D) Uma proibição é legítima quando quem a propõe age com a intenção de promover o bem-estar coletivo, mesmo que a conduta atinja diretamente apenas quem a pratica. Desse modo, restringir os instrumentos e as caixas de som pode ser aceitável se os moradores considerarem que as regras favorecem a convivência no prédio.
- E) As duas propostas podem ser legítimas se forem aprovadas pela maioria dos moradores, pois as regras coletivas devem prevalecer sobre escolhas individuais quando há divergência sobre o que é adequado para a vida em comunidade. A votação, nesse caso, expressa a decisão comum e torna obrigatória a proibição.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Para John Stuart Mill, a liberdade individual só pode ser restringida legitimamente para impedir dano a outras pessoas. Evitar que alguém faça algo considerado prejudicial apenas a si próprio é paternalismo.
- Limitar caixas de som no pátio pode ser legítimo, pois o ruído alcança os quartos e interrompe o descanso dos vizinhos.
- Proibir instrumentos dentro do apartamento, mesmo sem perturbação alheia, é paternalista se a razão for apenas proteger quem toca. Portanto, A aplica corretamente o critério.
- B erra ao tratar a liberdade como absoluta, ignorando danos a terceiros; C aceita a proteção paternalista do indivíduo; D considera suficiente a intenção de promover o bem-estar coletivo; E supõe que a aprovação da maioria, por si só, legitima a restrição.
💡 Dica: Aplique o princípio do dano: diferencie prejuízo a terceiros de uma escolha que afeta apenas quem a faz.
Alternativa por alternativa
O princípio de Mill toma a prevenção de danos a terceiros como critério para limitar a liberdade. O texto distingue uma conduta que interfere no descanso dos vizinhos de outra que, nas condições descritas, afeta apenas quem a pratica.
O aluno interpreta a liberdade individual como ausência de qualquer limite, mesmo quando a conduta prejudica outras pessoas. Mill admite restrições para evitar danos a terceiros.
O aluno confunde o princípio de Mill com o paternalismo: proteger a própria pessoa de uma escolha que só a afeta não é justificativa suficiente para proibi-la.
Por que engana: Considerar suficiente a intenção de promover bem-estar ou a aprovação da maioria para limitar a liberdade.
O aluno supõe que a boa intenção coletiva basta para restringir a liberdade. Para Mill, o critério é o dano causado a outras pessoas, não apenas o propósito de promover o bem-estar.
O aluno confunde aprovação majoritária com justificativa legítima para limitar uma escolha individual. A votação não substitui o critério de dano a terceiros.
Raio-X da questão
Princípio do dano em John Stuart Mill
avaliacao
Liberdade individual · Distinção entre dano próprio e dano a terceiros
Liberdade individual e paternalismo
Considerar suficiente a intenção de promover bem-estar ou a aprovação da maioria para limitar a liberdade.
Convivência e respeito aos direitos individuais
Respeito à autonomia e consideração pelo bem-estar alheio
cotidiano
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