Por que contar histórias apenas com palavras ordinárias? O excerto a seguir propõe uma narrativa em que o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, a escolha lexical típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes dos tempos verbais, dos tipos de discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso direto, se houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada gênero narrativo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que contar histórias apenas com palavras ordinárias? O excerto a seguir propõe uma narrativa em que o leitor é convocado a atravessar o texto. “Você caminha por corredores de luz e sombra: cada passo ecoa nos seus pensamentos. Agora, feche os olhos — sinta o vento que emerge das linhas, abrace o silêncio que se oculta entre as palavras.” Nessa proposta, o texto rompe a barreira entre autor e leitor, estimulando-os a participar ativamente da experiência literária (trecho fictício). Analise o trecho e identifique a estratégia metalinguística que envolve diretamente o leitor e rompe a barreira entre autor e público.
- A) Uso de metáforas que criam imagens sensoriais
- B) Presença de onomatopeias que imitam sons internos
- C) Emprego de aliteração para reforçar o ritmo
- D) Inserção de segunda pessoa que convoca o leitor ao texto
- E) Uso de monólogo interior para revelar pensamentos do narrador
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia o excerto e observe quem é o interlocutor do texto. As formas verbais e pronomes estão na segunda pessoa do singular: 'Você caminha', 'feche os olhos', 'sinta', 'abrace'. Isso mostra que o texto se dirige diretamente ao leitor, como se ele fosse o personagem que atravessa a narrativa.
- Relacione esse recurso à pergunta. A estratégia metalinguística pedida é aquela que envolve diretamente o leitor e rompe a barreira entre autor e público. Ao usar a segunda pessoa e dar ordens ao leitor, o texto transforma a leitura em experiência ativa e chama o público para dentro da obra, o que cumpre exatamente essa função.
- Verifique as alternativas erradas. A) As metáforas ('corredores de luz e sombra', 'vento que emerge das linhas') criam imagens sensoriais, mas não envolvem diretamente o leitor como interlocutor. B) O excerto não traz onomatopeias; 'ecoa' descreve um efeito, não imita um som. C) Há sons repetidos, como o s de 'sinta', 'silêncio' e 'se oculta', mas a aliteração serve ao ritmo e não estabelece a relação direta com o leitor. E) O monólogo interior revela os pensamentos de um narrador em primeira pessoa; aqui o foco está no leitor, não em uma consciência narradora.
- Conclusão. A alternativa correta é a D, que coincide com o gabarito oficial. A análise confirma que o recurso decisivo para romper a barreira entre autor e leitor é a inserção da segunda pessoa que convoca o leitor ao texto.
💡 Dica: Identifique a estratégia que envolve o leitor diretamente no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde qualquer recurso que cria imagens com a estratégia que envolve o leitor. As metáforas são expressivas, mas não estabelecem diálogo direto com o público.
Por que engana: Confundir o uso da segunda pessoa com outras figuras de linguagem como metáforas ou aliterações.
O aluno supõe que a presença de sons ou expressões sonoras no texto basta para caracterizar onomatopeias. No excerto não há palavras que imitem sons, e 'ecoa' é uma metáfora de efeito sonoro.
O aluno percebe a repetição de sons ('sinta', 'silêncio', 'se oculta') e a toma como o recurso central, ignorando que a aliteração trata de ritmo e sonoridade, não de interação com o leitor.
O uso de “você” estabelece diálogo direto e convida o leitor a experimentar a narrativa, rompendo a barreira entre autor e público.
O aluno vê a menção a 'seus pensamentos' e conclui que há monólogo interior. Mas esses pensamentos pertencem ao leitor, a quem o texto se dirige, e não a um narrador que revela a própria consciência.
Raio-X da questão
estratégia metalinguística narrativa
diagnostico
recursos literários básicos
Estude o uso da segunda pessoa e recursos que envolvem o leitor na narrativa.
Confundir o uso da segunda pessoa com outras figuras de linguagem como metáforas ou aliterações.
pensamento_critico
literario
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