Quando a noite caiu sobre a avenida, as vitrines continuaram acesas como olhos atentos. No ponto de ônibus…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando a noite caiu sobre a avenida, as vitrines continuaram acesas como olhos atentos. No ponto de ônibus, uma senhora apertou o casaco e disse que a chuva, fina e insistente, parecia costurar o ar. Um menino olhou para o céu e comentou que as nuvens tinham “cara de pressa”, porque corriam sem parar, empurradas pelo vento. Mais adiante, um vendedor recolheu as frutas da banca e sorriu ao ver que a rua, antes ruidosa, agora respirava devagar. Naquela hora, até o barulho dos carros parecia falar baixo, como se a cidade quisesse ouvir a própria chuva. Analise o efeito de sentido produzido pelas expressões destacadas no texto-base e identifique a alternativa que melhor explica esse uso da linguagem.
- A) Reforçar a ordem cronológica dos fatos para organizar a sequência da narrativa.
- B) Apresentar informações objetivas sobre o tempo, sem ampliar o sentido das descrições.
- C) Substituir palavras comuns por termos técnicos para tornar a cena mais precisa.
- D) Destacar imagens poéticas que atribuem qualidades humanas à cidade e aos elementos da cena.
- E) Indicar que a cena foi narrada com intenção de ironizar a rotina da avenida.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão lendo o texto e identificando as expressões com sentido figurado, isto é, as que não devem ser entendidas ao pé da letra. Exemplos: as vitrines acesas como olhos atentos; a chuva que parece costurar o ar; as nuvens com cara de pressa; a rua que respira devagar; o barulho dos carros que fala baixo; a cidade que quer ouvir a própria chuva.
- Analisei o efeito dessas expressões. Em todas elas, elementos que não são humanos (vitrines, chuva, nuvens, rua, carros, cidade) recebem ações ou características de pessoas: olhar, apertar, falar, respirar, querer ouvir. Isso se chama personificação, um recurso típico da linguagem poética.
- Essa humanização cria imagens sensoriais e sugere um clima de calma e de atenção na cena noturna, o que confirma o sentido poético do texto. Por isso, a alternativa D é a que melhor explica o uso da linguagem.
- Comparação com as demais alternativas. A) está errada, pois o texto não organiza a sequência cronológica dos fatos, apenas descreve a cena. B) está errada, pois o texto não traz informações objetivas, e sim descrições carregadas de imaginação. C) está errada, pois o texto usa palavras comuns e figuras de linguagem, sem termos técnicos. E) está errada, pois não há ironia no texto; o tom é contemplativo e afetuoso.
- Conclusão: o gabarito oficial D está correto, e a análise confirma essa resposta.
💡 Dica: Analise as expressões destacadas e relacione-as ao efeito de sentido no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter confundido a passagem do tempo (a noite que cai, a rua que muda) com a organização cronológica da narrativa, sem perceber que a função dessas expressões é criar imagens.
Por que engana: Confundir a função das expressões poéticas com descrições literais ou técnicas, levando a respostas incorretas.
O aluno pode ter interpretado o texto como descritivo objetivo, pensando que mostrar o tempo e o ambiente é apenas informar, sem perceber que as descrições são carregadas de sentido figurado.
O aluno pode ter associado linguagem precisa a termos técnicos, achando que expressões como costurar o ar seriam definições científicas, quando na verdade são metáforas comuns.
Atribui ações e características humanas à cidade, à chuva e ao vento, ampliando o sentido poético do trecho.
O aluno pode ter lido o tom irônico em frases como a cidade quisesse ouvir a própria chuva, interpretando algo humorístico ou crítico onde há apenas contemplação poética.
Raio-X da questão
figura de linguagem, personificação
diagnostico
interpretação de texto literário · figuras de linguagem básicas
estude figuras de linguagem e personificação em textos literários
Confundir a função das expressões poéticas com descrições literais ou técnicas, levando a respostas incorretas.
pensamento_critico
literario
Questões parecidas com resolução
- No fim da tarde, o bondinho subiu devagar a ladeira molhada. As rodas rangiam como se reclamassem do peso do dia, e as…
- Quando a luz do prédio falhou, a rua pareceu prender a respiração. Do alto da janela, Lia viu os semáforos apagados, os…
- No fim da tarde, a rua estreita parecia falar baixo. O vento varria os varais, virava as folhas, vigiava as janelas. No…
- Trajeto silencioso pela calçada molhada, iluminada por postes de luz amarelada. Gotas de chuva se misturam ao brilho do…
- — Você já percebeu como as ruas ficam quase suspensas entre o dia e o silêncio noturno? O narrador caminha por um…
- Na janela, a chuva sussurra sem pressa, se espalha, escorre, silencia a pressa. No vidro, um rio raso risca a cidade…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
