O luxo e a corrupção nasceram entre nós antes da civilização e da indústria. E qual será a causa principal de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O luxo e a corrupção nasceram entre nós antes da civilização e da indústria. E qual será a causa principal de um fenômeno tão espantoso? A escravidão, senhores, a escravidão. Porque o homem que conta com os trabalhos diários de seus escravos vive na indolência, e a indolência traz todos os vícios após si. (José Bonifácio de Andrada e Silva, 1825. Apud: Ynaiê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017. Adaptado.) A manifestação de uma das principais lideranças do país, logo após a independência política, revela a UNESP - 2022
- A) justificativa para a adoção, no Primeiro Reinado, de políticas agressivas de estímulo à imigração.
- B) disposição, majoritária nos setores que participaram do processo emancipacionista, de eliminar gradualmente a escravidão.
- C) campanha abolicionista sistemática, iniciada ainda no período colonial, dos cafeicultores paulistas.
- D) rejeição, de clara influência liberal-iluminista, da ideia de que os homens são desiguais por natureza.
- E) crítica, voltada aos setores social e politicamente hegemônicos do Brasil, à dependência do trabalho obrigatório.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leio o texto de José Bonifácio com atenção. Ele afirma que o luxo e a corrupção surgiram por causa da escravidão, porque o homem que vive do trabalho dos escravos cai na indolência, e a indolência traz todos os vícios. Ou seja, a crítica recai sobre o modelo social baseado no trabalho forçado. Passo 2: Verifico o contexto: a fala é de 1825, logo após a independência, e vem de uma das principais lideranças do país. Portanto, ela critica um grupo social dominante (os senhores de escravos) e sua dependência do trabalho obrigatório. Passo 3: Comparo com as alternativas. A alternativa E descreve exatamente isso: crítica aos setores social e politicamente hegemônicos à dependência do trabalho obrigatório. Ela está correta. Passo 4: A alternativa A está errada, pois o texto não trata de imigração nem de políticas de estímulo a ela. A alternativa B está errada, pois o texto não defende a eliminação gradual da escravidão e os setores majoritários da época não eram favoráveis a isso. A alternativa C está errada, pois não há campanha abolicionista dos cafeicultores paulistas no período colonial, e o café só ganhou força no século XIX. A alternativa D está errada, pois o texto não rejeita a ideia de desigualdade natural; sua preocupação é com os efeitos morais e econômicos da escravidão. Passo 5: Concluo que a resposta é a alternativa E, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto e relacione a crítica à escravidão com as alternativas.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a crítica ao trabalho escravo a uma defesa de substituí-lo por mão de obra imigrante, algo que o texto não menciona.
O aluno pode ter assumido que a crítica à escravidão implicava um consenso majoritário pela abolição gradual, o que não é dito no texto e contrariava os interesses da elite da época.
Por que engana: Confundir críticas à escravidão com políticas de imigração ou campanhas abolicionistas específicas.
O aluno pode ter criado uma campanha abolicionista anacrônica dos cafeicultores paulistas no período colonial, confundindo a época e os atores históricos.
O aluno pode ter atribuído ao texto uma defesa da igualdade natural entre os homens, quando a fala critica a escravidão por seus efeitos morais e econômicos e não discute a natureza humana.
José Bonifácio, logo após a Independência, faz uma crítica severa à dependência da mão de obra escrava, responsabilizando a escravidão pelos vícios e pela indolência das elites brasileiras. Ele acusa os grupos dominantes de viverem no luxo e na corrupção justamente porque contam com o trabalho obrigatório dos escravizados, o que gera acomodação e impede o desenvolvimento de valores como a disciplina e o trabalho autônomo. Assim, sua fala é um alerta e uma crítica dirigida à elite social e política do Brasil, que mantém a estrutura escravista como base de seu poder e riqueza.
Raio-X da questão
escravidão e crítica social
diagnostico
história do Brasil imperial · movimentos abolicionistas
Estude o contexto histórico da escravidão e suas críticas no Brasil imperial.
Confundir críticas à escravidão com políticas de imigração ou campanhas abolicionistas específicas.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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