Quando chegar o feliz momento da abolição, não será devido nunca à inclinação sincera do povo ou do governo, a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando chegar o feliz momento da abolição, não será devido nunca à inclinação sincera do povo ou do governo, a menos que venham a sofrer grande mudança. Pois quase me aventuraria a dizer que não há dez pessoas em todo o Império que considerem esse comércio um crime ou o encarem sob outro aspecto que não seja o de ganho e perda, de simples especulação mercantil, que deve continuar ou cessar conforme for vantajoso ou não. Acostumados a não fazer nada, os brasileiros em geral estão convencidos de que os escravos são necessários como animais de carga, sem os quais os brancos não poderiam viver. HENRY CHAMBERLAIN, agente diplomático britânico, em 31/12/1823. Adaptado de SOUSA, O. T. Fatos e personagens em torno de um regime. Rio de Janeiro: José Olympio, 1960. Após a emancipação política do Império do Brasil, o debate sobre o fim do tráfico intercontinental de escravos e da escravidão esteve em pauta, como abordado por Henry Chamberlain em 1823. Naquele contexto, de acordo com o diplomata britânico, as resistências à abolição do tráfico e da escravidão estavam associadas à conjuntura de: (UERJ 2019)
- A) desqualificação do trabalho braçal
- B) vigência da sociedade burguesa
- C) instabilidade do regime jurídico
- D) decadência da estrutura agrária
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leia com atenção o que a questão pede. O enunciado quer saber, segundo Henry Chamberlain, a qual conjuntura as resistências à abolição do tráfico e da escravidão estavam associadas.
- Localize a ideia central do texto. Chamberlain afirma que os brasileiros em geral, acostumados a não fazer nada, estão convencidos de que os escravos são necessários como animais de carga, sem os quais os brancos não poderiam viver. Ou seja, a resistência vem de uma visão em que o trabalho manual é coisa para escravizados, e não para os livres.
- Relacione essa ideia às alternativas. A alternativa A, desqualificação do trabalho braçal, expressa exatamente essa lógica: como o trabalho físico era considerado indigno para a elite, o escravizado era visto como indispensável. Por isso ela é a correta.
- Analise as demais alternativas. A B está errada porque a vigência da sociedade burguesa não aparece no texto, que trata de uma sociedade escravista e não de valores burgueses. A C está errada porque a instabilidade do regime jurídico não é o problema apontado pelo diplomata, que fala de interesses econômicos e hábitos sociais. A D está errada porque o texto não menciona decadência da estrutura agrária, mas sim a dependência do trabalho escravo.
- Conclua que a resistência à abolição, segundo o diplomata, estava ligada à desqualificação do trabalho braçal, tomado como atividade indigna dos brancos livres.
💡 Dica: Analise o texto para identificar a visão do diplomata sobre a resistência à abolição.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O texto evidencia que a resistência à abolição estava ligada à percepção do trabalho escravo como essencial e insubstituível, ou seja, uma valorização do trabalho braçal escravo como necessário para a economia e a vida social.
O aluno pode associar a resistência à abolição a uma suposta mentalidade moderna e capitalista, pensando que o lucro e o comércio já organizavam plenamente a sociedade brasileira. Confunde a lógica de ganho do comércio com a conjuntura social descrita.
Por que engana: O aluno pode confundir as causas da resistência à abolição, focando em aspectos econômicos ou sociais diferentes do texto.
O aluno pode imaginar que a instabilidade política do período após a independência, com a Constituição e as disputas institucionais, explicaria a permanência do tráfico. Ele não percebe que o texto trata de hábitos e interesses econômicos, não de questões jurídicas.
O aluno pode supor que a crise da economia agrária levaria os proprietários a abandonar a escravidão por falta de lucro. Essa ideia contraria o texto, que mostra a agricultura e as casas dependendo do trabalho escravo.
Raio-X da questão
resistência à abolição escravidão
diagnostico
história do Brasil imperial · escravidão no Brasil
estude o contexto histórico da escravidão e abolição no Brasil imperial
O aluno pode confundir as causas da resistência à abolição, focando em aspectos econômicos ou sociais diferentes do texto.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
Questões parecidas com resolução
- ENEM - 2021 Durante os anos de 1854-55, o governo brasileiro – por meio de sua representação diplomática em Londres – e…
- Entre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação, da sua…
- ENEM - 2013 A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou…
- – Talvez nunca lhe acontecesse refletir sobre esse problema social, continuou Fernando. O senhor tem o direito de…
- Durante o século XIX, a escravidão era apresentada por muitos proprietários e autoridades como necessária à economia e à…
- Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico transatlântico de escravizados para o Brasil, em um contexto de…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
