O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o Palácio da Alvorada, lá em Brasília… Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar com a família. Bonzinho ele… Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante… de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa de ser uma coisa grotesca. E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. Para o autor, a relação entre a origem do Palácio de São Cristóvão e a formação do Brasil está: (UFPR 2026)
- A) na proximidade geográfica entre o Palácio e outros locais históricos da cidade do Rio de Janeiro, o que demonstra a centralização do poder na região Sudeste.
- B) no fato de a Família Real ter aceitado uma doação e dado início a uma tradição de troca de favores entre governantes e pessoas com grande poderio econômico.
- C) no ato de tornar residência oficial um lugar construído com dinheiro do tráfico negreiro, revelando como a escravização era uma prática naturalizada na sociedade.
- D) na arquitetura do palácio, que misturava elementos portugueses e africanos, revelando-se um símbolo da miscigenação brasileira.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto conta que o Palácio de São Cristóvão foi construído pelo comerciante Elias Antônio Lopes com dinheiro do tráfico de pessoas escravizadas, e que a Família Real aceitou a doação dessa casa para ser sua residência. Passo 2: O autor afirma que esse gesto simboliza a relação próxima entre a Coroa e um traficante de escravos, e que isso ajuda a explicar a longa duração da escravidão e a própria Independência, ou seja, a formação do Brasil. Passo 3: A alternativa C resume exatamente essa ideia: um lugar construído com dinheiro do tráfico negreiro tornou-se residência oficial, e isso mostra que a escravização era naturalizada. Passo 4: A alternativa A está errada porque o texto não trata de proximidade geográfica nem de centralização de poder no Sudeste. Passo 5: A alternativa B está errada porque o texto fala de uma doação ligada ao tráfico, e não de uma tradição geral de troca de favores. Passo 6: A alternativa D está errada porque o texto não menciona arquitetura nem mistura de elementos portugueses e africanos. Passo 7: Portanto, a resposta correta é a alternativa C, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise a relação histórica entre o palácio e a formação do Brasil segundo o texto.
Alternativa por alternativa
Confunde a ideia de localização do palácio com o argumento do texto. O aluno pode achar que o foco é a posição geográfica da cidade do Rio, quando o autor fala da origem financeira do imóvel.
Generaliza o episódio para uma prática de troca de favores entre governantes e ricos. O aluno pode ter lido a doação como um caso comum de favorecimento, sem perceber que o texto destaca a origem no tráfico de pessoas escravizadas.
CORRETA. A alternativa destaca o ponto central do texto: a naturalização da escravidão ao transformar em residência oficial um local financiado pelo tráfico negreiro, revelando a aceitação social e política dessa prática.
Imagina que o palácio é um símbolo cultural de miscigenação por causa de sua arquitetura. O aluno pode ter se deixado levar por uma leitura intuitiva de que tudo que é brasileiro representa a mistura de povos, ignorando que o texto trata de dinheiro e de tráfico.
Raio-X da questão
tráfico negreiro e formação do Brasil
diagnostico
história do Brasil colonial · escravidão no Brasil
Estude a história do tráfico negreiro e sua influência na sociedade brasileira.
Confundir a origem do palácio com um simples fato arquitetônico, sem relacionar ao contexto histórico e social do tráfico negreiro.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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