Destinada unicamente à exportação, em função da qual se organiza e mantém a exploração, tal atividade…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Destinada unicamente à exportação, em função da qual se organiza e mantém a exploração, tal atividade econômica desenvolveu-se à margem das necessidades próprias da sociedade brasileira. No alvorecer do século XIX, essa atividade econômica, que se iniciara sob brilhantes auspícios e absorvera durante cem anos o melhor das atenções e dos esforços do país, já tocava sua ruína final. Os prenúncios dessa ruína já se faziam aliás sentir para os observadores menos cegos pela cobiça desde longa data. De meados do século XVIII em diante, essa atividade econômica, contudo, não fizera mais que declinar. (Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo, 1999. Adaptado.) A atividade econômica a que o texto se refere está presente em: UNESP - 2019
- A) A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. (Gregório de Matos, “A cidade da Bahia”.)
- B) Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosca trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos e dos sóis queimado. Tenho próprio casal e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que me visto. (Tomás Antônio Gonzaga, “Lira I”.)
- C) Tu não verás, Marília, cem cativos Tirarem o cascalho e a rica terra, Ou dos cercos dos rios caudalosos, Ou da minada Serra. Não verás separar ao hábil negro Do pesado esmeril a grossa areia, E já brilharem os granetes de ouro No fundo da bateia. (Tomás Antônio Gonzaga, “Lira III”.)
- D) Pescadores do Mondego, Que girais por essa praia, Se vós enganais o peixe, Também Lise vos engana. Vós ambos sois pescadores; Mas com diferença tanta, Vós ao peixe armas com redes, Ela co’os olhos vos arma. (Cláudio Manuel da Costa, “Romance I”.)
- E) Aonde levas, Pastora, Essas ternas ovelhinhas? Que para seu mal lhes basta O seres tu quem as guia. Acaso vão para o vale, Ou para a serra vizinha? Vão acaso para o monte, Que lá mais distante fica? (Cláudio Manuel da Costa, “Romance IV”.)
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto descreve uma atividade voltada unicamente à exportação, que se iniciou com grande prosperidade, dominou cerca de cem anos da economia do país, entrou em declínio a partir de meados do século XVIII e já estava em ruína no início do século XIX. Esse quadro corresponde à mineração do ouro na colônia brasileira, cujo auge ocorreu no século XVIII.
- Ao analisar as alternativas, a Lira III de Tomás Antônio Gonzaga apresenta elementos típicos da extração aurífera: cascalho, terra revolvida, cercos de rios caudalosos, serra minada, cativos trabalhando, areia pesada do esmeril e granetes de ouro no fundo da bateia. Essas imagens remetem diretamente à exploração de ouro nas Minas Gerais.
- Por que as outras estão erradas: a alternativa A trata do comércio de açúcar, que não é o foco do texto, pois o período de declínio descrito não corresponde ao auge açucareiro; a alternativa B retrata a pecuária de subsistência, com vaqueiro, gado e produção de leite e lã; a alternativa D trata da pesca no Mondego, atividade sem relação com a exportação colonial; a alternativa E retrata o pastoreio de ovelhas, também sem relação com a exportação em larga escala.
- Conclusão: a atividade econômica do texto é a mineração do ouro, presente na Lira III de Gonzaga, o que confirma o gabarito C.
💡 Dica: Analise o texto e relacione com as atividades econômicas históricas brasileiras.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a produção voltada à exportação ao açúcar, principal produto colonial exportado, e não percebe que o período de declínio descrito no texto (a partir de meados do século XVIII) corresponde à mineração.
Por que engana: Confundir as atividades econômicas mencionadas nos poemas com outras ou não relacionar corretamente o texto histórico com as alternativas.
O aluno se prende ao tema da criação de gado e de ovelhas e não percebe que a atividade descrita é voltada à exportação e não ao consumo local, além de ser uma economia de subsistência, incompatível com o texto.
O texto da alternativa C descreve a extração de ouro por cativos (escravizados), usando bateias para separar o ouro (granetes) do cascalho, prática típica do ciclo do ouro brasileiro nos séculos XVIII e início do XIX. Isso dialoga diretamente com o excerto de Caio Prado Júnior, que trata do esgotamento de uma atividade voltada à exportação, desenvolvida à margem das necessidades internas, ou seja, a mineração aurífera no período colonial, que já estava em decadência no início do século XIX.
O aluno acredita que qualquer atividade extrativa ou primária, como a pesca, pode ser identificada com a atividade exportadora descrita, sem verificar as características históricas do texto.
O aluno confunde a referência ao pastoreio, presente no poema bucólico, com a atividade econômica do texto, sem considerar que a pecuária não corresponde à exploração voltada unicamente à exportação.
Raio-X da questão
atividade econômica histórica brasileira
diagnostico
interpretação de texto histórico · análise literária de poemas
Estude as atividades econômicas coloniais e seus impactos sociais.
Confundir as atividades econômicas mencionadas nos poemas com outras ou não relacionar corretamente o texto histórico com as alternativas.
pensamento_critico
historico
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