Pronome possessivo e pronome demonstrativo: como ensinar
Veja como diferenciar pronomes possessivos e demonstrativos e ensinar suas funções em contexto. O post traz estratégias práticas e seis questões com gabarito comentado.
Quando trabalho pronomes com uma turma, percebo que decorar listas ajuda pouco se o estudante não consegue explicar o papel de cada palavra dentro de uma frase. Já testei começar pela classificação e, depois, apresentar o texto; para muitos alunos, funciona melhor fazer o caminho inverso: ler, localizar as palavras e perguntar a que ou a quem elas se referem.
Com possessivos e demonstrativos, essa investigação rende boas conversas sobre sentido e coesão. Reuni aqui explicações que uso em sala, sugestões para avaliar e questões que ajudam a transformar a nomenclatura em leitura de verdade. Também explico como organizar uma prática sem passar a tarde montando materiais do zero.
O que são pronomes possessivos e demonstrativos?
Pronomes possessivos indicam uma relação de posse ou vínculo com as pessoas do discurso: em “meu caderno”, “meu” relaciona o caderno a quem fala. Pronomes demonstrativos situam ou identificam seres, objetos e ideias, como “este”, “esse” e “aquele”; em “aquele carro”, o pronome aponta para um referente que está distante, conforme o contexto. Os dois tipos podem acompanhar um substantivo ou, em alguns usos, aparecer no lugar dele. Para ensinar a diferença, eu peço que a turma pergunte: “de quem?” para investigar o possessivo e “qual?” ou “onde em relação a quem fala?” para observar o demonstrativo. Também mostro que a função não se entende apenas pela palavra isolada: é preciso ler a frase e identificar o referente. Essa abordagem conecta gramática, interpretação e coesão textual, em vez de reduzir o conteúdo à memorização de uma lista.
Uma observação que vale explicitar: formas como “seu” e “sua” podem gerar dúvida sobre quem é o possuidor. Peço aos alunos que reescrevam a frase com o referente claro, quando necessário.
Como diferenciar esses pronomes na prática?
Para diferenciar possessivos e demonstrativos na prática, eu começo pelo substantivo e pelo contexto. Em “meus livros”, “meus” expressa a relação dos livros com quem fala; em “esses livros”, “esses” identifica quais livros estão em foco. Depois, proponho que os estudantes troquem o pronome e expliquem o que mudou: “meus livros” não equivale a “esses livros”, porque o primeiro informa vínculo e o segundo aponta ou delimita o referente. Também uso perguntas-guia: “de quem é?” costuma revelar uma relação possessiva; “qual deles?” ajuda a perceber uma referência demonstrativa. É importante observar que a classificação deve considerar o uso na frase, não apenas uma associação automática. Um pronome pode retomar algo mencionado anteriormente, funcionando como recurso de coesão. Ao justificar a resposta com o trecho que o pronome retoma, o aluno demonstra compreensão maior do que simplesmente nomear a classe gramatical.
Na lousa, faço duas colunas e construo exemplos com a turma:
- Possessivo: “Ana trouxe seu estojo.” Pergunto: de quem é o estojo?
- Demonstrativo: “Este estojo está aberto.” Pergunto: qual estojo está aberto?
- Retomada: “O projeto ficou pronto. Seus organizadores o apresentaram.” Investigamos o que “seus” retoma.
Em seguida, peço que cada estudante crie um par de frases sobre o mesmo objeto, usando um possessivo em uma e um demonstrativo na outra. Essa comparação rápida revela confusões que uma atividade só de marcar alternativas pode esconder.
Como ensinar o conteúdo com textos reais?
Eu ensino esses pronomes dentro de frases e pequenos textos porque é assim que os alunos percebem para que eles servem. Primeiro, seleciono um parágrafo curto e peço uma leitura sem destacar nada. Na segunda leitura, a turma circula possessivos e sublinha demonstrativos; na terceira, cada estudante liga os pronomes aos nomes ou ideias a que se referem. Depois, conversamos sobre o efeito de substituir uma repetição por um pronome e sobre possíveis ambiguidades, especialmente com “seu” e “sua”. Para fechar, proponho uma reescrita em que os estudantes precisam melhorar a clareza sem mudar o sentido principal. A habilidade EF35LP14, por exemplo, prevê identificar e usar pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos como recurso coesivo. Essa sequência pode ser feita em uma aula curta e adaptada ao nível da turma, mantendo o foco na leitura, na justificativa e na produção textual.
Uma sequência que costumo aplicar:
- Apresento um texto breve, sem antecipar a classificação.
- Peço que identifiquem as palavras que retomam ou especificam referentes.
- Em duplas, os alunos explicam a função de cada pronome usando uma pergunta-guia.
- Finalizo com uma reescrita e uma justificativa individual.
Se preparo várias versões de uma atividade, a página inicial do GeraProva pode ajudar a gerar questões e liberar tempo para planejar a discussão e acompanhar as respostas.
Como avaliar se os alunos compreenderam?
Para avaliar a compreensão, não me limito a perguntar se o estudante reconhece palavras como “meu” ou “aquele”. Eu verifico se ele consegue classificar o pronome, explicar o que ele indica e localizar o referente no contexto. Uma avaliação equilibrada combina itens de identificação, interpretação e uso: por exemplo, reconhecer “esses” numa frase, explicar por que “meus” é possessivo e reescrever um trecho para evitar repetição ou ambiguidade. Também olho para a justificativa, pois ela mostra se o aluno compreendeu a relação semântica ou apenas acertou por eliminação. Posso organizar uma saída rápida com duas frases e pedir que a turma destaque o pronome e complete “ele se refere a…”. Se vários alunos erram a mesma relação, retomo o texto antes de avançar. Materiais gerados no GeraProva podem acelerar a montagem de versões, mas eu reviso os itens para adequá-los ao que foi trabalhado.
Na correção, separo os erros de nomenclatura dos erros de interpretação. Um aluno pode saber que “meus” é possessivo e ainda não identificar corretamente de quem são os livros. Essa distinção orienta a retomada. Para variar o formato, uso itens curtos, análise de trecho e produção de exemplos próprios.
Questões prontas com gabarito comentado
As seis questões a seguir trabalham reconhecimento, coesão e interpretação, com níveis de dificuldade variados. Eu as usaria como prática guiada, revisão ou avaliação formativa, escolhendo antes quais habilidades quero observar. Além da alternativa correta, vale pedir que os alunos justifiquem por que descartaram os distratores: essa conversa mostra se a turma diferencia substantivo, verbo, adjetivo e pronome, e se entende a retomada no texto. As questões trazem códigos BNCC, nível de Bloom, dica de resolução e conceito para revisão, dados úteis para alinhar a atividade ao planejamento. Na aplicação, posso apresentar um item por vez e recolher as justificativas, ou montar uma folha com todos eles. O GeraProva ajuda a organizar provas e atividades, mas a decisão pedagógica continua sendo minha: ajusto vocabulário, dificuldade e tempo ao perfil da turma e retomo o conteúdo que ainda não ficou claro.
1. Em um trecho de diário, João descreve as atividades realizadas na feira de ciências de sua escola. O projeto ambiental foi preparado com cuidado. Seus organizadores convidaram moradores da região. Eles montaram estandes sobre reciclagem e mudas de árvores. Este evento destacou a participação de toda a comunidade escolar e familiar.
Analise o texto-base e identifique qual opção lista apenas pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos empregados como recursos anafóricos.
Dica de resolução: Relacione cada pronome ao termo que ele retoma no texto e verifique sua classificação. Conceito central: Pronomes como recursos anafóricos. Conceito para revisão: Classificação de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos e sua função de retomada textual. BNCC: EF06LP12. Bloom: Aplicar.
- ❌ A) Sua, eles e este. O texto usa “Seus” no plural, não “Sua”; apenas essa forma é anafórica correta.
- ❌ B) Elas, nosso e este. “Elas” e “nosso” não aparecem no texto-base; aparecem “eles”, “seus” e “este”.
- ✅ C) Seus, eles e este. “Seus” retoma “projeto ambiental”, “eles” retoma “organizadores” e “este” retoma “evento”.
- ❌ D) Eles, seus e essa. “Essa” não consta no trecho; a alternativa inclui um pronome não utilizado.
- ❌ E) Seu, nós e aquele. “Seu” no singular não aparece; “nós” e “aquele” também não ocorrem no trecho.
2. Na frase “Esses livros são meus”, qual é o pronome demonstrativo?
Dica de resolução: Identifique o pronome na frase apresentada. Conceito central: pronome demonstrativo. Conceito para revisão: Tipos de pronomes e suas funções. BNCC: EF35LP14. Bloom: Compreender.
- ❌ A) livros. “Livros” é um substantivo, não um pronome.
- ✅ B) esses. “Esses” é um pronome demonstrativo que indica proximidade.
- ❌ C) são. “São” é um verbo, não um pronome.
- ❌ D) meus. “Meus” é um pronome possessivo, não demonstrativo.
- ❌ E) quais. “Quais” é um pronome interrogativo, não demonstrativo.
3. Qual das opções apresenta uma frase que utiliza a coesão referencial através de pronomes possessivos?
Dica de resolução: Identifique o pronome possessivo que retoma uma relação de posse no trecho. Conceito central: Coesão referencial por pronomes possessivos. Conceito para revisão: Pronomes possessivos e como estabelecem relações de posse e coesão no texto. BNCC: EF07LP12. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) O carro de João é vermelho. Ele gosta muito dele. O uso de “ele” não é referencial a “carro”, portanto a coesão não é clara.
- ✅ B) Maria trouxe seu livro. Ela leu na escola. O pronome “seu” refere-se a “livro”, estabelecendo coesão.
- ❌ C) Os alunos estudaram. O professor deu aula. Não há referência entre as ideias, faltando coesão.
- ❌ D) A maçã estava madura. A maçã era grande. A repetição do substantivo não mostra coesão por pronome; um pronome poderia ajudar.
- ❌ E) Ele comprou um carro. O carro é rápido. A repetição de “carro” não demonstra coesão por pronome; um pronome poderia ser utilizado.
4. Analise o uso do pronome demonstrativo na frase: “Aquela casa é bonita. Esta aqui é melhor.”
Dica de resolução: Identifique a função dos pronomes na frase. Conceito central: Uso de pronomes demonstrativos. Conceito para revisão: Uso de pronomes demonstrativos em frases. BNCC: EF69LP56. Bloom: Analisar.
- ❌ A) Ambos referem-se à mesma casa. Referem-se a casas diferentes, uma distante e outra próxima.
- ❌ B) “Aquela” é mais próxima que “esta”. “Aquela” indica distância, enquanto “esta” indica proximidade.
- ❌ C) A casa referida por “esta” é mais bonita. A frase não avalia a beleza; apenas compara a localização ou referência.
- ❌ D) “Esta” e “aquela” não têm relação. As duas casas são comparadas, embora uma seja indicada como distante.
- ✅ E) “Esta” é mais próxima do falante. “Esta” indica proximidade em relação ao falante.
5. Identifique a função do pronome demonstrativo na frase: “Esta casa é a que eu comprei.”
Dica de resolução: Identifique a função do pronome na frase. Conceito central: Função do pronome demonstrativo. Conceito para revisão: Uso de pronomes demonstrativos e suas funções. BNCC: EF08LP04. Bloom: Compreender.
- ✅ A) Especificar a casa. O pronome “esta” indica qual casa está em foco.
- ❌ B) Indicar uma ação. “Esta” não expressa ação; é um pronome que acompanha “casa”.
- ❌ C) Criar ambiguidade. A frase identifica a casa, não cria uma ambiguidade por si só.
- ❌ D) Descrever o ambiente. O pronome não descreve o ambiente; aponta para uma casa.
- ❌ E) Retomar um conceito. Na frase, “esta” identifica um objeto, não retoma um conceito apresentado anteriormente.
6. Na frase “Aquele carro é muito bonito”, qual é o pronome demonstrativo?
Dica de resolução: Identifique o pronome na frase apresentada. Conceito central: Pronome demonstrativo. Conceito para revisão: Tipos de pronomes e suas funções na frase. BNCC: EF35LP14. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) carro. “Carro” é um substantivo, não um pronome.
- ✅ B) Aquele. “Aquele” é um pronome demonstrativo que indica distância.
- ❌ C) bonito. “Bonito” é um adjetivo, não um pronome.
- ❌ D) é. “É” é um verbo, não um pronome.
- ❌ E) muito. “Muito” é um advérbio, não um pronome.
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