Como identificar a opinião do autor em um texto
Aprenda a distinguir opiniões de fatos e a reconhecer marcas de posicionamento em diferentes textos. Veja estratégias simples para ensinar essa leitura crítica e avaliar a habilidade com questões.
Para identificar a opinião do autor, observe palavras avaliativas, julgamentos, recomendações e argumentos que revelam um posicionamento sobre o tema. Diferencie essas marcas de fatos verificáveis, como datas e dados, e analise como o autor seleciona e apresenta as informações. A opinião pode aparecer explicitamente ou ser sugerida pelas escolhas de palavras e pelo recorte do texto.
Eu já vi muita turma grifar um texto inteiro quando pedi para localizar a opinião do autor. O problema não era falta de atenção: faltava um critério para separar o que pode ser verificado daquilo que alguém pensa sobre o assunto. Quando comecei a pedir que os estudantes justificassem cada marcação, a leitura ficou mais cuidadosa e as respostas, menos baseadas em palpites.
Na prática, identificar uma opinião exige observar palavras, argumentos, escolhas de informação e até o modo como os fatos são apresentados. Não basta procurar expressões como “eu acho”. A seguir, compartilho um caminho que uso para ensinar essa habilidade e algumas questões que ajudam a verificar se a turma realmente compreendeu.
O que significa identificar a opinião do autor em um texto?
Identificar a opinião do autor significa reconhecer a avaliação, a interpretação ou o posicionamento que ele expressa sobre um tema, distinguindo isso de informações que podem ser verificadas. Um fato, como “a biblioteca abre às oito”, pode ser conferido; já dizer que “a biblioteca deveria abrir mais cedo” apresenta uma posição. Em muitos textos, os dois aparecem juntos: o autor seleciona dados e exemplos para sustentar uma tese. Por isso, eu ensino a turma a perguntar não apenas “o que aconteceu?”, mas também “o que o autor pensa sobre isso?” e “que pistas mostram essa posição?”. A opinião pode estar explícita ou aparecer de forma indireta, nas escolhas de palavras e no recorte dos fatos. A habilidade se relaciona, entre outras aprendizagens, à leitura crítica prevista na BNCC, como a habilidade EF67LP05.
Vale reforçar que reconhecer uma opinião não significa concordar com ela. O estudante primeiro identifica o posicionamento e as razões apresentadas; depois pode avaliar se os argumentos são consistentes, respeitosos e apoiados em evidências.
Como diferenciar opinião de fato na leitura?
Para diferenciar opinião de fato, eu proponho que os estudantes testem cada afirmação com duas perguntas: “É possível verificar isso por meio de uma fonte ou evidência?” e “A frase expressa julgamento, preferência ou recomendação?”. Se a informação pode ser checada, tende a ser um dado factual; se depende de uma avaliação ou defende o que deveria acontecer, tende a expressar opinião. Esse teste não resolve todos os casos sozinho, porque um texto pode apresentar fatos selecionados para favorecer determinado ponto de vista. Ainda assim, ele cria um primeiro critério útil. Na releitura, a turma pode organizar trechos em duas colunas — dados e posicionamentos — e justificar cada escolha. Com textos sobre o mesmo tema, fica mais fácil notar que autores podem usar fatos parecidos e chegar a conclusões diferentes.
Eu costumo mostrar frases curtas antes de trabalhar com textos completos:
- Fato: “A cidade registrou aumento de 10% no uso do transporte público”, se o dado for confirmado por uma fonte.
- Opinião: “A prefeitura precisa ampliar as linhas de ônibus”, pois a frase defende uma medida.
- Fato e opinião juntos: “Como o uso cresceu 10%, a prefeitura precisa ampliar as linhas.” A primeira parte apresenta um dado; a segunda, uma proposta.
Esse tipo de decomposição ajuda a evitar que a turma classifique uma frase inteira de modo automático.
Quais marcas ajudam a reconhecer o posicionamento do autor?
As marcas mais úteis para reconhecer o posicionamento são palavras avaliativas, expressões de certeza ou dúvida, recomendações, comparações e argumentos que sustentam uma tese. Termos como “inadequado”, “essencial” e “lamentável” revelam avaliação; construções como “é necessário” ou “deveria” indicam proposta. Também observo conectivos, exemplos escolhidos e fontes citadas: eles mostram como o autor organiza a defesa de uma ideia. Mas uma pista isolada não basta. A palavra “importante”, por exemplo, pode aparecer em uma fala citada, sem representar a opinião do jornalista. Eu peço que os estudantes localizem a marca, identifiquem quem está falando e expliquem como aquele trecho se relaciona ao tema. Assim, eles deixam de caçar palavras-chave e passam a interpretar o texto como um conjunto.
Para orientar a leitura, proponho este roteiro breve:
- Localize o tema e identifique o gênero do texto.
- Marque palavras que expressem avaliação, recomendação ou julgamento.
- Encontre a ideia que o autor tenta defender, mesmo que não esteja escrita como “eu penso”.
- Observe quais dados, exemplos ou vozes de especialistas são usados como apoio.
- Explique a relação entre a evidência e o posicionamento, sem confundir citação com opinião do autor.
Também vale conversar sobre a parcialidade. Uma reportagem pode apresentar fatos e, ainda assim, fazer escolhas de recorte e linguagem que produzem efeitos de sentido. Isso não autoriza concluir que todo texto é falso; convida o leitor a perguntar quais informações foram selecionadas e quais pontos de vista aparecem.
Como ensinar essa habilidade e avaliar a compreensão?
Eu ensino a habilidade em etapas: começo com frases simples, passo a parágrafos curtos e, por fim, comparo textos de gêneros diferentes sobre um mesmo tema. Em cada etapa, peço que os estudantes apontem uma evidência textual para justificar a resposta. Essa exigência mostra se eles realmente localizaram o posicionamento ou apenas escolheram uma alternativa familiar. Para avaliar, observo três ações: distinguir dado de opinião, formular a tese com as próprias palavras e relacionar pelo menos um argumento à posição defendida. Uma atividade pode pedir que a turma organize trechos em categorias; outra pode solicitar uma resposta escrita com citação e explicação. O GeraProva ajuda a preparar questões variadas e alinhadas a habilidades, economizando tempo de elaboração sem substituir a leitura cuidadosa do professor.
Quando a turma encontra dificuldade, eu evito entregar a resposta logo de início. Primeiro, peço que compare duas frases e justifique qual delas pode ser confirmada. Depois, retomo o texto e pergunto que expressão revela avaliação ou proposta. Para uma atividade rápida, use um parágrafo de opinião e peça uma resposta em três partes: “A tese é…”, “A pista textual é…” e “O argumento usado é…”.
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Questões prontas com gabarito comentado
As questões a seguir trabalham identificação de posicionamentos, parcialidade, argumentos e estratégias de leitura. Eu gosto de pedir que os estudantes expliquem não só qual alternativa escolheram, mas também por que descartaram as demais. Esse passo transforma a correção em uma oportunidade para revisar conceitos. As propostas indicam conceitos centrais, dicas de resolução, habilidades BNCC e níveis de Bloom, informações úteis para organizar uma sequência didática e variar a complexidade. Em algumas questões, o foco é reconhecer uma definição; em outras, é aplicar uma estratégia a uma situação de estudo. Use-as como estão ou adapte o contexto e o vocabulário à sua turma, mantendo o objetivo de aprendizagem. A resposta comentada de cada alternativa também ajuda a localizar o tipo de confusão que pode surgir durante a leitura.
1. Identifique a parcialidade em um texto jornalístico. O que pode indicar que o autor tem uma opinião?
Dica de resolução: Analise as palavras e expressões que revelam a opinião do autor. Conceito central: parcialidade em textos. Conceito para revisão: como identificar opiniões em textos jornalísticos. BNCC: EF06LP01. Bloom: Compreender. Dificuldade: Fácil. Raciocínio: Crítico.
- ❌ A) Uso de dados estatísticos. Dados podem ser apresentados de forma neutra.
- ✅ B) Opiniões expressas no texto. Opiniões evidenciam a parcialidade do autor e mostram um posicionamento.
- ❌ C) Citações de especialistas. Citações podem ser neutras, dependendo do contexto, e não indicam necessariamente a opinião do autor.
- ❌ D) Uso de imagens. Imagens não necessariamente indicam opinião; é preciso analisar sua função e contexto.
- ❌ E) Fatos históricos mencionados. Fatos podem ser apresentados de forma objetiva e, sozinhos, não comprovam parcialidade.
2. Identifique a função do argumento de autoridade em um artigo de opinião. Qual a sua importância na construção do texto?
Dica de resolução: Analise a função do argumento e sua relevância no texto. Conceito central: argumento de autoridade. Conceito para revisão: função dos argumentos em textos de opinião. BNCC: EF89LP06. Bloom: Compreender. Dificuldade: Fácil. Raciocínio: Dedutivo.
- ❌ A) Serve apenas para enfeitar o texto. A função não é decorativa: a referência deve contribuir para a argumentação.
- ❌ B) Não é relevante em um artigo de opinião. É relevante quando ajuda a sustentar a posição defendida.
- ✅ C) Ajuda a reforçar a opinião do autor. Uma fonte pertinente pode aumentar a credibilidade e a força persuasiva do argumento.
- ❌ D) Dificulta a compreensão do tema. Uma citação bem contextualizada pode esclarecer ou apoiar uma ideia.
- ❌ E) É apenas uma citação sem propósito. O argumento de autoridade tem propósito: fortalecer a argumentação com uma fonte reconhecida.
3. Faltando dois dias para uma apresentação, Davi reuniu dois textos sobre o mesmo tema: uma reportagem curta, com números e fonte citada, e um artigo de opinião, com exemplos e pontos de vista do autor. Na primeira leitura, ele grifou quase tudo, porque “parecia importante”. Quando foi montar o cartaz, percebeu que confundiu dados da reportagem com opiniões do articulista e demorou para reencontrar as informações de que precisava. Para refazer o estudo, Davi quer selecionar o essencial e registrar, de forma organizada, o que é dado verificável e o que é argumento. Qual estratégia de leitura é mais adequada?
Dica de resolução: Separe informações objetivas e opiniões para organizar o estudo. Conceito central: estratégia de leitura e organização. Conceito para revisão: distinguir dados objetivos de opiniões. BNCC: EM13LP28. Bloom: Entender. Dificuldade: Média. Raciocínio: Indutivo.
- ❌ A) Ler novamente em voz alta, grifando todos os trechos que parecerem importantes para não esquecer nenhuma parte. O grifo indiscriminado repete o problema: não cria critério nem separa dado de opinião.
- ❌ B) Copiar os parágrafos inteiros dos dois textos para o caderno e usar a cópia no cartaz. A transcrição integral não seleciona o essencial e mantém informações misturadas.
- ❌ C) Procurar palavras desconhecidas no dicionário e deixar a seleção de ideias para o fim. O problema apresentado não é o vocabulário, mas a organização das informações segundo o objetivo.
- ✅ D) Definir duas categorias de anotação, dados e opiniões, e reler marcando apenas trechos que preencham cada categoria. Essa estratégia seleciona e organiza as informações de acordo com a tarefa.
- ❌ E) Memorizar o texto todo e evitar qualquer anotação para ganhar tempo. Sem registro, Davi continuará sem localizar e organizar as informações com rapidez.
4. Identifique o argumento de autoridade em um artigo de opinião. O que caracteriza esse tipo de argumento?
Dica de resolução: Identifique o autor citado e a base de sua autoridade. Conceito central: argumento de autoridade. Conceito para revisão: argumento de autoridade em textos de opinião. BNCC: EF89LP03. Bloom: Compreender. Dificuldade: Média. Raciocínio: Dedutivo.
- ❌ A) Baseia-se em dados estatísticos. Estatísticas são evidências quantitativas, não necessariamente uma autoridade.
- ✅ B) Utiliza a opinião de especialistas. A fala de alguém reconhecido no assunto pode conferir credibilidade ao argumento.
- ❌ C) Apoia-se em experiências pessoais. Experiências podem ilustrar uma ideia, mas não caracterizam por si só um argumento de autoridade.
- ❌ D) Cita exemplos do cotidiano. Exemplos ajudam a concretizar um ponto, mas não são necessariamente uma autoridade.
- ❌ E) Faz referências a obras literárias. Uma referência literária pode ter outra função e não representa automaticamente autoridade sobre o tema discutido.
5. Identifique a estrutura correta de um artigo de opinião. Qual elemento é essencial para apresentar a posição do autor?
Dica de resolução: Pense nos elementos que compõem um artigo de opinião. Conceito central: artigo de opinião. Conceito para revisão: estrutura e elementos de um artigo de opinião. BNCC: EF35LP15. Bloom: Compreender. Dificuldade: Fácil. Raciocínio: Dedutivo.
- ❌ A) A introdução e conclusão apenas. Essa estrutura deixa de fora o desenvolvimento, onde a argumentação se constrói.
- ❌ B) A apresentação da opinião sem justificativas. Uma opinião precisa ser sustentada por razões para constituir argumentação.
- ✅ C) A defesa da opinião com argumentos. O autor apresenta uma posição e usa argumentos para sustentá-la.
- ❌ D) A citação de dados apenas. Dados podem apoiar a defesa, mas não substituem a posição e os argumentos.
- ❌ E) Um relato pessoal sobre o tema. Um relato pode aparecer no texto, mas não define a estrutura essencial de um artigo de opinião.
6. Um artigo de opinião deve incluir a posição do autor. Qual é o termo que define essa posição?
Dica de resolução: Identifique o termo que representa a posição do autor. Conceito central: artigo de opinião. Conceito para revisão: estrutura e elementos de um artigo de opinião. BNCC: EF67LP05. Bloom: Compreender. Dificuldade: Média. Raciocínio: Dedutivo.
- ❌ A) Argumento. Argumentos são as razões usadas para sustentar a tese.
- ✅ B) Tese. A tese é a posição que o autor defende sobre o tema.
- ❌ C) Conclusão. A conclusão pode retomar a tese, mas não é o nome da posição defendida.
- ❌ D) Introdução. A introdução apresenta o tema ou prepara o leitor, não define a posição em si.
- ❌ E) Desenvolvimento. É a parte em que os argumentos costumam ser apresentados, não o termo para a posição do autor.
As questões e estratégias podem ser adaptadas ao nível da sua turma e ao texto escolhido; use-as como ponto de partida, não como receita única. Se quiser preparar outras atividades com mais agilidade, experimente o GeraProva e veja se a ferramenta combina com sua rotina docente.
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Questões deste artigo com resolução completa
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção de textos Caracterização do campo jornalístico e relação entre os gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digital, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
