Atividades de Transformações territoriais e conflitos durante o Império para o ENEM com gabarito
Atividades de História para o ENEM sobre expansão territorial, fronteiras e conflitos durante o Império, com questões e gabarito comentado. O material ajuda a trabalhar os impactos da ocupação do território e a interpretação de processos históricos.
Transformações territoriais e conflitos durante o Império envolvem a expansão da cafeicultura, a ocupação de novas áreas e disputas por terra e trabalho. Para o ENEM, é importante relacionar economia, ação do Estado, fronteiras e deslocamentos populacionais, além de interpretar como leis, infraestrutura e conflitos reorganizaram territórios e afetaram diferentes grupos sociais.
Quando trabalho transformações territoriais e conflitos durante o Império, procuro evitar que o tema vire apenas uma sequência de datas e limites no mapa. A expansão cafeeira, a ocupação de novas áreas e a reorganização das fronteiras ajudam a discutir quem passou a controlar a terra, quem foi deslocado e como decisões econômicas e políticas alteraram o cotidiano de diferentes populações.
Para uma turma de ENEM, também é importante praticar a leitura de fontes e de situações históricas comparativas. As questões reunidas aqui abordam diretamente a economia e a ocupação territorial no Brasil imperial e incluem casos de fronteiras latino-americanas e de outros períodos que permitem interpretar conceitos como Estado, território e territorialidade. Eu sinalizo esse recorte para não confundir os contextos.
O que o aluno de ENEM precisa saber sobre Transformações territoriais e conflitos durante o Império
No ENEM, o estudante precisa relacionar a economia imperial à ocupação concreta do espaço, e não tratar crescimento produtivo como processo sem consequências sociais. A expansão cafeeira, sobretudo no Segundo Reinado, estimulou a abertura de novas áreas, atraiu trabalhadores e investimentos e demandou estradas, ferrovias e reorganizações administrativas. Essa interiorização pressionou terras já ocupadas, contribuiu para deslocamentos de populações indígenas e alimentou disputas por terra e trabalho. Também é necessário compreender que a formação de fronteiras não se produziu apenas por guerras: povoamento, infraestrutura, leis, registros e acordos podiam consolidar o controle estatal. Em questões de interpretação, o aluno deve distinguir escala local, como a formalização da propriedade, de escala internacional, como tratados entre países. A abertura dos portos em 1808 e a expansão cafeeira são marcos de contextos diferentes, mas ajudam a perceber mudanças nos fluxos econômicos e na organização territorial. O essencial é conectar contexto, agentes, mecanismos e impactos, identificando quem ganhou poder sobre o território e quem teve seus usos ou direitos restringidos.
O que ele precisa saber antes
Antes de resolver as atividades, vale retomar a economia cafeeira imperial e a organização territorial do Brasil no período. Também são úteis noções de formação dos Estados nacionais, disputas territoriais latino-americanas e tratados internacionais, porque parte das questões pede que o estudante compare formas de controle de fronteiras.
Para as questões que retomam marcos anteriores ao Império, é necessário conhecer o período colonial, a vinda da corte portuguesa e a abertura dos portos em 1808. Já os textos comparativos pedem compreensão de conceitos de território e fronteira, processos de ocupação, direitos indígenas e políticas públicas. No caso da Índia, o próprio enunciado situa a partilha em 1947: a atividade serve para analisar uma concepção de fronteira, não para afirmar que o episódio ocorreu no Brasil imperial.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente indicado nas questões é reduzir a expansão cafeeira ao crescimento econômico e deixar de lado seus efeitos territoriais: deslocamentos populacionais, disputas por terra e demanda por trabalho. Para enfrentar essa leitura parcial, peço que o estudante identifique no enunciado os agentes, as mudanças na ocupação e os grupos afetados, antes de escolher a alternativa.
Outro distrator provável é associar a expansão territorial apenas à força militar. A questão sobre fronteiras latino-americanas aponta que povoamento e obras estatais também consolidavam a presença do Estado. Nos itens sobre tratados, é comum confundir o papel de potências externas com os acordos bilaterais; já na cronologia, a abertura dos portos em 1808 pode ser confundida com a Independência, em 1822. Nos textos comparativos, o desafio é não transformar toda fronteira em uma linha neutra: as alternativas corretas consideram as relações sociais e os efeitos das decisões políticas. Reforço sempre a leitura atenta de escala e contexto histórico para evitar anacronismos.
Como trabalhar em sala
- Mapa e linha do tempo: localize, em um mapa simples do Brasil, áreas ligadas à expansão cafeeira e infraestruturas citadas em aula. Combine essa leitura com uma linha do tempo que diferencie 1808, o período imperial e o Segundo Reinado.
- Quadro de agentes e impactos: em duplas, os estudantes organizam uma tabela com agentes (Estado, produtores, trabalhadores e populações indígenas), ações sobre o território e consequências. A proposta ajuda a sair da explicação exclusivamente econômica.
- Leitura de distratores: apresente uma questão e peça que a turma justifique por que cada alternativa está errada. O foco não é apenas memorizar o gabarito, mas identificar inversões, confusões de escala e trocas de período.
- Comparação de casos: diferencie fronteira entre países, ocupação de uma região e formalização de propriedades. Use os itens comparativos desta lista para mostrar que conceitos podem ser analisados em contextos diferentes, sem misturá-los ao caso imperial brasileiro.
- Fechamento com síntese: cada estudante escreve uma frase conectando atividade econômica, controle territorial e conflito. Depois, a turma revisa se a frase cita um mecanismo e seus efeitos, e não apenas uma data.
Questões prontas de Transformações territoriais e conflitos durante o Império para o ENEM (com gabarito comentado)
As questões abaixo preservam os enunciados e as alternativas, com comentários que explicam o gabarito e o problema de cada distrator. Os itens sobre Estados Unidos, Índia e registros fundiários são comparativos: trabalham conceitos de territorialidade e fronteira, mas não descrevem acontecimentos do Brasil imperial.
1. Analise de que modo a expansão cafeeira durante o Brasil imperial contribuiu para a redefinição de fronteiras internas e para conflitos populacionais.
- ❌ A) Impediu o avanço da agricultura em novas áreas do Brasil. A expansão do café incentivou a ocupação de novas terras; portanto, não impediu o avanço agrícola.
- ✅ B) Estimulou a ocupação do interior, pressionando o deslocamento de indígenas, a criação de novos povoados e o ajuste de limites provinciais, gerando conflitos por terra e trabalho. A ampliação da produção atraiu migração e investimentos, exigiu infraestrutura e reorganização administrativa, além de intensificar disputas em áreas já ocupadas.
- ❌ C) Promoveu o isolamento das comunidades indígenas em reservas. A alternativa inverte o efeito apresentado: a expansão provocou deslocamentos, não uma política de proteção descrita como isolamento em reservas.
- ❌ D) Facilitou a exclusão de imigrantes do processo de ocupação interna. A expansão atraiu trabalhadores e fluxos migratórios; não corresponde à exclusão dos imigrantes.
- ❌ E) Reduziu a população rural devido à mecanização imediata. A questão relaciona a expansão à demanda por trabalho e à ocupação rural, não a uma mecanização imediata que reduzisse essa população.
Gabarito: B. O ponto central é relacionar produção, ocupação do território e conflito social, sem reduzir o processo ao crescimento econômico.
2. Como foram resolvidas, em termos institucionais, as disputas de fronteira entre Argentina e Chile entre finais do século XIX e início do XX?
- ❌ A) Através da intervenção dos Estados Unidos na região. O papel principal indicado para as soluções foi a arbitragem britânica, não uma intervenção dos Estados Unidos.
- ❌ B) Por um acordo secreto entre Argentina e Brasil. O Brasil não foi o agente central das disputas entre Argentina e Chile.
- ❌ C) Por um tribunal de justiça que decidiu unilateralmente. A resolução envolveu tratados e arbitragem, e não uma decisão unilateral de tribunal.
- ❌ D) Por meio de um conflito armado que se estendeu por décadas. O enunciado trata de soluções institucionais por acordos, não de uma guerra prolongada.
- ✅ E) Por tratados bilaterais e arbitragem internacional, principalmente britânica. O Tratado de 1881 estabeleceu princípios fronteiriços e controvérsias posteriores foram tratadas por acordos e arbitragem.
Gabarito: E. Este item amplia a comparação para a América do Sul. A habilidade está em reconhecer a diferença entre conflito armado e mecanismos diplomáticos de resolução de fronteiras.
3. No século XIX, qual prática os Estados nacionais latino-americanos empregaram com frequência para efetivar controle sobre territórios fronteiriços contestados?
- ❌ A) Promoção da cultura indígena. A alternativa não corresponde ao mecanismo de controle territorial descrito no item.
- ❌ B) Descentralização administrativa. A descentralização, por si só, não representa a estratégia de consolidar a presença estatal em áreas contestadas.
- ❌ C) Uso exclusivo de força militar. A força podia estar presente, mas o controle também dependia de povoamento, administração e infraestrutura; por isso, “exclusivo” torna a opção inadequada.
- ✅ D) Promoção do povoamento e de obras estatais, como colonização e infraestrutura. Assentamentos, administrações locais, estradas, fortes e serviços podiam tornar efetiva a presença do Estado nas fronteiras.
- ❌ E) Abandono de áreas contestadas. Abandonar uma área não consolida o controle estatal e pode ampliar a insegurança territorial.
Gabarito: D. O estudante deve perceber que o controle territorial é construído por mais de um instrumento, incluindo a ocupação e a infraestrutura, e não somente pela ação militar.
4. Em que ano Dom João VI abriu os portos do Brasil às nações amigas, marcando mudança na ocupação econômica do território colonial?
- ❌ A) 1822, quando foi proclamada a Independência do Brasil. A abertura dos portos ocorreu antes da Independência, em 1808.
- ❌ B) 1900, com a industrialização do Brasil. A data não corresponde à medida adotada durante a transferência da corte portuguesa.
- ❌ C) 1850, após o fim do tráfico negreiro. Esse marco é posterior à abertura dos portos.
- ❌ D) 1750, com a assinatura do Tratado de Madri. O Tratado de Madri e a abertura dos portos são acontecimentos diferentes.
- ✅ E) 1808. Com a chegada da corte portuguesa, foi autorizado o comércio direto com nações amigas, rompendo o monopólio metropolitano e alterando fluxos comerciais.
Gabarito: E. A questão verifica uma referência cronológica anterior ao Império. Vale destacar a diferença entre a abertura dos portos, em 1808, e a Independência, em 1822.
5. Qual fator econômico foi o principal motor da expansão da fronteira agrícola para o oeste do Brasil durante o Segundo Reinado (1840–1889)?
- ❌ A) A exploração de minérios, principalmente nas Minas Gerais. A mineração foi importante em outros contextos, mas não é o motor apontado para a expansão agrícola do período.
- ❌ B) A construção de ferrovias apenas para transporte de grãos. As ferrovias se relacionaram especialmente ao atendimento da cafeicultura; a alternativa também reduz a função da infraestrutura.
- ❌ C) O aumento da produção de algodão para exportação. Embora o algodão tenha relevância, a questão destaca a cafeicultura como principal impulsionadora do avanço para o Oeste.
- ❌ D) O crescimento da produção de açúcar, especialmente na Bahia. A produção açucareira não é o fator indicado para essa expansão territorial no Segundo Reinado.
- ✅ E) Expansão da cafeicultura. A busca por novas áreas produtivas, associada ao crescimento do café, estimulou deslocamentos de colonos e a abertura de estradas e ferrovias.
Gabarito: E. A resposta exige associar a atividade exportadora predominante no contexto à necessidade de novas terras e de meios de transporte.
6. Enquanto os trilhos avançavam pelas Grandes Planícies, na segunda metade do século XIX, o governo federal dos Estados Unidos transferiu extensas faixas de terra a companhias ferroviárias e distribuiu lotes a colonos por meio de leis de ocupação. As estações passaram a concentrar novos povoados, e os levantamentos cadastrais dividiram o solo em propriedades delimitadas. No mesmo período, povos indígenas que circulavam pela região, conforme práticas de caça, comércio e acordos próprios, sofreram campanhas militares e foram progressivamente deslocados para reservas. Assim, rotas antes organizadas por diferentes grupos foram submetidas a marcos, títulos de propriedade e vias de transporte controladas pelo Estado e por empresas privadas.
Interprete a articulação entre as medidas descritas e a formação territorial do Oeste dos Estados Unidos. Ela evidencia
- ❌ A) a expansão demográfica autônoma, sem intervenção governamental na distribuição e no controle das terras. As leis de ocupação, a transferência de terras e as campanhas militares mostram intervenção federal decisiva.
- ✅ B) a produção de uma fronteira estatal por leis, guerra e infraestrutura que subordinou territorialidades indígenas. Leis fundiárias, ferrovias e ação militar reorganizaram o espaço e restringiram territórios indígenas.
- ❌ C) a manutenção das fronteiras indígenas mediante o reconhecimento oficial de suas formas próprias de propriedade. Reservas e demarcações impostas não equivalem ao reconhecimento das territorialidades indígenas.
- ❌ D) a neutralidade das empresas ferroviárias diante dos conflitos pela posse e pelo uso das planícies. As companhias receberam terras e suas linhas contribuíram para organizar a ocupação.
- ❌ E) a preservação de territorialidades indígenas pela incorporação de suas rotas de mobilidade às ferrovias. O texto menciona deslocamento e controle de rotas, não integração que preservasse essas práticas.
Gabarito: B. É um caso comparativo dos Estados Unidos, não um episódio do Império brasileiro. Ele ajuda a reconhecer como leis, infraestrutura e força podem reorganizar territórios e afetar povos indígenas.
7. No momento em que o domínio britânico terminava no subcontinente indiano, uma comissão presidida por Cyril Radcliffe traçou limites para os novos Estados da Índia e do Paquistão. Para dividir Punjab e Bengala, seus membros utilizaram mapas administrativos e dados do censo de 1941 sobre maiorias religiosas, considerando também ferrovias e canais de irrigação. A decisão foi divulgada dias após as independências, sem consulta direta aos habitantes das áreas divididas. Aldeias, mercados e famílias que mantinham relações cotidianas passaram a ficar em lados distintos da linha. Ao comentar esse processo, uma pesquisadora comparou o desenho do limite a cortar um tecido cujos fios já estavam entrelaçados.
Interprete a comparação apresentada e os dados históricos para identificar a concepção de fronteira evidenciada no processo de partilha.
- ❌ A) À unificação territorial promovida pela eliminação das diferenças religiosas entre as populações. Os dados religiosos foram usados para dividir territórios, não para eliminar diferenças e unificar as populações.
- ❌ B) À consolidação negociada de uma fronteira conforme consultas realizadas com as comunidades locais. O texto informa que não houve consulta direta aos habitantes.
- ❌ C) À expansão militar de uma fronteira definida pela conquista direta de áreas vizinhas. O caso descreve delimitação administrativa ligada à independência, não conquista militar.
- ✅ D) À imposição estatal de uma fronteira sobre territorialidades sociais anteriormente entrelaçadas. A linha separou relações cotidianas preexistentes, como sugere a metáfora do tecido cortado.
- ❌ E) À preservação de uma fronteira anterior baseada exclusivamente em acidentes naturais do território. Foram considerados dados censitários e mapas administrativos; o texto não apresenta acidentes naturais como critério exclusivo.
Gabarito: D. A situação de 1947 é posterior ao Império e serve como comparação conceitual. O estudante deve notar que fronteiras políticas podem se sobrepor a vínculos sociais já estabelecidos.
8. Ao folhear livros de registros de um cartório do interior, uma pesquisadora nota uma mudança na forma de descrever a terra. Nos documentos mais antigos, os limites aparecem como referências de uso: “da figueira grande até a curva do riacho”, “onde o gado costuma pastar”, “roça aberta pelo antigo morador”. Em registros posteriores, a linguagem muda: surgem medidas padronizadas, marcos fincados, nomes de “agrimensores” e mapas anexados, além da exigência de pagamento e matrícula para validar a posse. A pesquisadora também encontra reclamações de moradores que, embora ocupassem áreas havia décadas, passaram a ser tratados como “intrusos” por não apresentarem título. Ela conclui que, além de conflitos armados, a ocupação do espaço também se decide por papéis, medições e regras.
Interprete o texto-base e identifique o mecanismo histórico que melhor explica a mudança na formação de fronteiras e territorialidades descrita.
- ❌ A) A redefinição dessas fronteiras decorreu da concessão colonial de sesmarias, baseada em doação gratuita para estimular povoamento. A referência a sesmarias desloca o contexto: o texto descreve cadastro, matrícula, medição e validação por títulos.
- ❌ B) A redefinição dessas fronteiras decorreu da diplomacia de tratados que fixou limites nacionais em linhas cartográficas. Isso confunde a escala internacional com a delimitação local de propriedades e usos da terra.
- ❌ C) A redefinição dessas fronteiras decorreu de uma reforma agrária de desapropriação, priorizando a redistribuição de grandes propriedades. O texto não descreve redistribuição, mas formalização da posse que exclui ocupantes sem título.
- ❌ D) A redefinição dessas fronteiras decorreu da preservação de usos comuns, mantendo a posse tradicional acima dos títulos formais. A situação apresentada mostra justamente a perda de reconhecimento de ocupações tradicionais.
- ✅ E) A redefinição dessas fronteiras decorreu da ação estatal de cadastro e registro, convertendo a terra em bem negociável. Medições, mapas e matrículas formalizam a propriedade e alteram quem consegue ter sua posse reconhecida.
Gabarito: E. O item enfatiza a dimensão documental e técnica da territorialização. Embora o trecho não fixe um período imperial específico, ele permite discutir como regras de propriedade produzem efeitos sociais e políticos.
Próximos passos
Depois de aplicar as questões, eu recomendo retomar os itens em que a turma confundiu cronologia, escala ou mecanismo de controle territorial. Para ampliar o treino, consulte também questões da habilidade EM13CHS204, questões da habilidade EM13CHS205 e questões da habilidade EM13CHS206. Você pode organizar uma nova avaliação no gerador de provas do GeraProva ou fazer o cadastro grátis para preparar atividades alinhadas ao que sua turma precisa revisar.
Use este material como ponto de partida e adapte a seleção ao percurso da sua turma. No GeraProva, você pode montar novas provas e atividades de História com praticidade.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Transformações territoriais e conflitos durante o Império, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
